segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vitória X Goiás (da lama aos gols)

No Vitória X Avaí pelo Brasileirão do ano passado (2009), eu comi um acarajé delicioso antes do jogo, e assim que peguei o tal acarajé da mão da baiana perguntei a ela:
– Você é Bahia ou Vitória, minha linda?
– Bahia – respondeu a infeliz.
O Vitória perdeu aquele jogo.

Consegui a liberação da minha digníssima e fui ao Barradão assistir Vitória X Goiás pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2010. Fui com dois amigos. Estávamos com fome e assim que entramos no Barradão fomos procurar um acarajé.
– Vamos naquele lá, comi uma vez ali e é muito bom – disse eu.
Chegando perto da baiana me lembrei que ela torcia pro finado e comentei pra ver a reação dos meus amigos:
– Essa baiana torce pro rebaixado – disse eu.
– Sério?! – disse um.
– Aí você tá sacaneando – disse outro.
– Sério – disse eu –, inclusive quando comi o acarajé dela o Vitória perdeu.
Os três concordaram que era melhor procurar outra baiana e fomos pra uma que fica em frente à entrada das cadeiras.
– Baiana, você é Bahia ou Vitória? – perguntei antes de pedir o acarajé.
A baiana não disse nada, apenas levantou seu vestido branco, mostrando que por baixo vestia o manto rubro-negro.
– Eu sou rubro-negra de coração – disse ela.
– Então me dê um acarajé com vatapá, salada e muita pimenta – disse eu.
Ela não botou fé no meu nível de pimenta e apenas deu uma pingadinha na colher.
– Bote mais.
Outra pingadinha.
– Assim, minha linda, vou achar que você é Bahia.
Só aí ela deu uma carregada e ensopou meu quitute.
– Agora, sim – respondi.
Comi o acarajé com pimenta acompanhado por uma cerveja sem acóol. A fome estava tanto que fui pedir um abará. Mandei caprichar de novo no ardido.
– Êta que o Viória vai tá apimentado hoje – profetizou ela.

O Vitória, como não costuma fazer, começou o primeiro tempo atacando pra lado esquerdo das arquibancadas. Me lembrei que meu primeiro vídeo pra esse blog foi justamente num jogo contra o Goiás (Brasileirao 2008) e, como naquele jogo, fui pra detrás do gol de Harlei. Veja aqui.

Ao chegar no alambrado, encontrei um torcedor que todo jogo tá ali.
– Cadê meu DVD? – perguntou ele ao me ver.
Só então me lembrei que prometi a ele fazer um DVD com as minhas filmagens.
– No próximo jogo eu trago – prometi de novo.

O jogo começou e ao mesmo tempo que Harlei sofria com as provocações dos torcedores do Vitória próximos ao alambrado, ele fazia defesas milagrosas.
– Se ele não fosse baixinho seria um dos melhores goleiros do Brasil – disse um jovem ao meu lado, que ao me ver filmando pediu para que quando o Vitória fizesse um gol que eu o filmasse comemorando.
– Vou passar no Globo Esporte – disse ele, sem saber que, seu eu o filmasse, que ele passaria num local, modéstia a parte, muito mais nobre.
– Que nada, esse goleiro é uma merda, se a bola for na gaveta, no angulo, ele não pega nem com a porra. Viáfara é bem melhor que ele – disse outro, mais velho, que não parava de xingar o coitado do Harlei.

E o Vitória atacou, atacou, atacou e não fez nenhum gol. Harlei buscou bola embaixo, em cima, em chute de Fernando de falta e o primeiro tempo acabou em zero a zero. Resultado ruim. De fato, até um a zero seria ruim, pois era preciso ir para o segundo jogo com larga vantagem.

Voltei para a arquibancada para filmar o segundo tempo de cima e meus amigos quiseram ir pro outro lado do estádio. Me lembrei que naquele tal jogo do primeiro vídeo contra o Goiás eu fiz a mesma coisa. Aquele jogo foi três a zero pro Vitória.
– Vamos nessa – disse eu, supersticioso.

No caminho, os comentários entre os torcedores eram diversos:
– Tem que tirar Bida, essa carniça não faz nada – diziam alguns.
– Tem que tirar Ramon, ele não agüenta mais – diziam outros.

Perto da TUI, todo mundo fica em pé e logo no início do segundo tempo percebi que pra filmar dali seria difícil. Era melhor descer e, como no primeiro tempo, ficar atrás do gol de Harlei. Na descida encontrei com um outro amigo meu. Fiquei um pouco ao lado dele vendo o jogo. Ele não parava de reclamar. Ramon tentou pegar uma bola e não conseguiu.
– Porra, Ramon – disse um torcedor do nosso lado.
– RAPAZ, ENTENDA: RAMON TÁ VELHOOOOO, TÁ VELHOOOOOOO – gritava meu amigo, enfurecido com o meio-campo rubro-negro.
Não gosto de torcedor reclamão e me despedi dele, finalmente me posicionando atrás do gol. O jovem que pediu pra eu filmar ele no primeiro tempo também estava lá assim como o torcedor que não parava de xingar Harlei. Ambos também deram a volta. E assim que eu cheguei, aos 23 do segundo tempo, Egídio cruzou, Walace cabeçeou, Harlei defendeu, mas deixou a sobra pra Ramon apenas cutucar pra dentro. Gostaria de ter visto a cara de meu amigo reclamão. Ramon começa com RA de Raça. Raça rubro-negra, minha porra. Um a zero Vitória.

Logo depois, aos 29, uma bela jogada entre Egídio, Ramon e Júnior fez o Vitória ampliar o placar. Depois eu vi o gol pelas câmeras da TV, mas nenhuma filmou de um angulo melhor que o meu. Nela dá pra ver claramente a calma e frieza do atacante rubro-negro ao escolher o canto e acerta-lo, impossibilitando a defesa de Harlei, que esperava uma bomba no meio. Golaço de Júnior. Gol de craque. Dois a zero Vitória.

Ainda comemorando, a PM chegou pra atrapalhar meu baba e dos torcedores do alambrado, nos obrigando a sair de lá bem na hora de uma falta pro Vitória bater. Enquanto a barreira era montada fui indo pro lado, subindo alguns degraus, procurando um angulo bom. Ainda na procura, parei pra filmar a cobrança de falta. Golaço de Bida. Meu angulo não foi dos melhores, mas o angulo onde Bida colocou a bola foi. Lembrei da frase do torcedor do alambrado sobre Harlei que se a bola fosse na gaveta que ele não pegava nem com a porra.

Logo após o gol, a bateria da filmadora acabou e Bida foi substituído sendo ovacionado pela torcida que o ama e o odeia ao mesmo tempo.

Aos 40 minutos do segundo tempo subi para me reencontrar com meus amigos. Me arrependi.
– Vamos nessa – disseram eles, com medo do engarrafamento.
Viadagem da porra isso de sair antes do fim.

Chegando perto do carro, atravessando o lamaçal por causa da chuva que castigou Salvador no dia anterior, resolvi ligar a câmera de novo, tentando conseguir um resquício de bateria que sempre rola depois que ela descansa. Foi bem na hora do quarto gol do Vitória. Um angulo bem diferente. Assista aqui, no vídeo exclusivo. Quatro a zero Vitória.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vitória X Corinthians AL (Ah, lagoas)

Com um recém-nascido em casa, tá cada vez mais difícil conseguir ir aos jogos do Vitória. Um desses jogos que não pude ver foi Arilson X Vitória, quando o Bahia conseguiu vencer o rubro-negro por 2 x 1. Agora a partida era mais importante, pois era pela Copa do Brasil, contra o Corinthians de Alagoas, time desconhecido, mas que nos venceu no jogo de ida pelo placar de 3 x 1. Esse jogo foi na mesma semana do jogo contra Arilson, nos fazendo perder consecutivamente pra dois times pequenos. Agora era o jogo de volta, era a reabertura do Barradão e o Vitória tinha de vencer com dois gols de diferença e não tomar nenhum.

Arrisquei um esquema tático pra poder ser liberado e ir ao Barradão:
– Meu amor, eu tenho dois compromissos sociais essa semana – disse eu, pra minha esposa, preparando o terreno.
– Quais compromissos? – perguntou ela, impaciente, com Mateus no colo.
– Um você pode ir, o outro, não.
– Quais compromissos? Diga logo... – disse ela, mais impaciente ainda.
– Sexta-feira vai ter o lançamento do disco de Messias no MAM.
– Esse é o que eu não posso ir?
– Aí é que tá: esse é o que você pode ir – disse eu, com ênfase no “pode”.
– E qual é o que eu não posso ir?
– Amanhã tem jogo do Vitória no Barradão...
Com menosprezo, ela disse:
– Oxe, pode ir...

Sem renovar o Sou Mais Otário, deixei pra comprar o ingresso na hora. Muita fila e muito cambista. Dois reais a mais até que era um preço justo pra não pegar a fila da incompetência da diretoria do clube no que diz respeito ao tratamento dispensado ao seu torcedor.

Dentro do estádio, a TUI, indo em direção à arquibancada, passou por mim gritando “ei, Recó, vá tomar no c...”. Num primeiro momento, muito ingênuo de minha parte, achei que “Recó” era o apelido do time alagoano e me surpreendi com o fato da torcida do Vitória gastar sua saliva pra um time que nem torcida presente tinha ali. Porém, logo em seguida, fui informado que “Recó” era na verdade “Record”, o canal de televisão que cobre o futebol baiano com apresentadores e comentaristas de nível mas baixo que o time do Bahia. Da mesma forma, continuei achando desnecessário gastar saliva com tão insignificante emissora.

O jogo começou. Com o estádio lotado, a torcida do Vitória estava mais nervosa que os jogadores. Queria o gol logo. Com um minuto de jogo, ela já exigia pressa numa simples cobrança de lateral. Um torcedor mirim ao meu lado, faixa dos 12 anos, ganhou o troféu Charles Muller de ansiedade.
– Vai, Wallace, bate logo o lateral.
– Vai ,Viafara, porra, bate logo o tiro de meta.
– Vai, Nino Paraíba, cruza logo essa bola.
Ele era o reflexo de toda a torcida. Fiquei um pouco irritado com essa cobrança com menos de 10 minutos de jogo que gritei pro estádio, mas nitidamente para ele:
– Calma, caralho, assim o time fica nervoso... Tem tempo ainda...
Ele percebeu a indireta e se calou. Mas esse silencio só durou uns cinco minutos, pois logo voltou a exigir, nervosamente, rapidez nas execuções, principalmente após alguns contra-ataques do time alagoano, que graças a Viáfara não resultaram em gol.
Como ali não tinha uma alma sequer torcedora do Corinthians, imaginei o silencio ensurdecedor que seria um gol deles ali.

Ramon, que estava (está) mal, mas que não merece ser crucificado pela torcida, sentiu dores e foi substituído pelo recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, que deu outro ritmo ao jogo e já chegou cabeceando rente a trave, após um cruzamento de Nino Paraíba.

E o zero a zero permaneceu até os 40 minutos do primeiro tempo, quando a bola sobrou pra Junior, centro-avante que, mesmo caindo, conseguiu chutar cruzado, no canto do gol. Um a zero, Vitória. Faltava fazer mais um. Fim do primeiro tempo.

Fui com um amigo buscar um acarajé, mas descobrimos mais uma pegadinha da diretoria do Vitória: agora quem manda no rango ali é a merda do Habib’s, que tirou todos os ambulantes e fez uma fila maior que a da compra de ingressos. Sugiro que a torcida do Vitória incorpore o grito “ei, Habib’s, vá tomar no c...” ao seu repertório.

O segundo tempo começou e o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, de novo, colocou a bola rente a trave, mas dessa vez num chute, e, de novo, após cruzamento de Nino.

Logo depois, na jogada seguinte, de novo após cruzamento do paraibano (que estava impecável), o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato cabeceou, mas, dessa vez, pra dentro do gol. Dois a zero, Vitória. Faltava segurar o placar.

O time alagoano sentiu a pressão e ficou entregue no jogo. Logo em seguida, Uélington, meio sem jeito, chutou do meio da área, numa bola que parece ter sido levantada a esmo e marcou o terceiro gol rubro-negro. Mas o melhor ainda estava por vir: falta na entrada da área em cima de Junior e lá vem Viáfara pra bater.
– Que porra, ainda falta muito tempo, isso não é hora pra brincadeira. Se esse time de Alagoas faz um gol, pode complicar tudo, porque aí vai ser disputa de pênalti... –reclamava um torcedor do meu lado, não concordando com o fato do goleiro rubro-negro ir bater a falta.

Enquanto esperava a confusão por causa da expulsão do jogador que cometeu a tal falta terminar, Viáfara ficou na entrada da área, batendo pontinho, fazendo embaixadinhas... Se o fato de eu não filmar o ataque adversário é injusto com nosso goleiro, já que assim não registro suas defesas milagrosas, finalmente pude me redimir, pelo menos parcialmente, com ele. Golaço.
O torcedor que não queria Viáfara pra bater a falta, gritava:
– Viáfara, minha porra... É o novo Ramon...

Quatro a zero.
Veja aqui esse gol e o vídeo dessa partida.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ba X Vi II (rebolation in Pituacivis)

Meu filho nasceu no Natal e recebeu do avô o uniforme completo do Vitória.
– Vou dar uma camisa do Bahia pra ele – disseram alguns amigos tricolores ao visitá-lo na maternidade, inclusive o padrinho.
– Pode dar, vai servir pra limpar o cocô – respondia a eles.

Era o primeiro Ba x Vi do ano. O último confronto tinha sido há muito tempo, já que o Bahia não disputa o Brasileirão e foi na final do CampeoNeto Baiano de 2009, no Barradão. Um empate (2 X 2) com sabor de triunfo, pois consagrou o Vitória tri-campeão baiano.

Agora era a terceira rodada do (de novo) Campeonato Baiano. Nos dois primeiros jogos desse campeonato, o Bahia fez oito gols, vencendo as duas partidas. O Vitória fez dois e tomou dois, ganhando um jogo e perdendo o outro. Eles diziam que iam brocar o Vitória.

Eu não ia para o jogo. Era véspera do aniversário de um mês do meu filho e, além disso, eu não estava interessado em pegar fila pra comprar ingresso.
– Bora, man, é um Ba x Vi, o jogo mais emocionante do mundo – disse um amigo meu, tentando me convencer.
– Eu sei, mas não renovei o Sou Mais Vitória e não comprei ingresso – respondi.

No sábado, um dia antes do confronto, parei na farmácia pra comprar fralda e ao puxar o cartão de crédito, a carteira do Sou Mais Vitória caiu no chão. Ao pega-la, bati o olho na validade. Fevereiro de 2010. Era o primeiro Ba X Vi com meu filho nesse mundo. Tinha de ir.

Fui com dois amigos. Chegamos na proximidade do estádio uma hora antes e mesmo assim paramos o carro lá na casa da porra. No Barradão é muito mais fácil. Dez reais o preço do estacionamento. No Barradão é muito mais barato. Diversos motoristas chiavam. Resignados, pagamos o dinheiro e fomos em direção ao estádio. Um torcedor do Bahia colou na gente e começou a tagarelar:
– Rapaz, essas porra é melhor pagar logo. Num já sabe que se não pagar eles arranham o carro?
– É foda – dissemos juntos, quase ao mesmo tempo.
Ele continuou:
– Eu sei que ele não vai tomar conta do carro, mas se não pagar é pior...
– É foda – repetimos.
– Eu mesmo não gosto de dizer que sou policial, mas um dia eu perguntei ao guardador se ele ia olhar meu carro e ele disse que sim e eu então algemei ele na porta e falei “agora eu sei que você vai tomar conta” – disse o policial tricolor, que gosta de de dizer que é policial, dando risada da sua façanha.
– Hehehe... – rimos forçado, ao mesmo tempo.
Depois ele fez um discurso enaltecendo a tranqüilidade do futebol baiano, onde rubro-negros e tricolores chegam juntos ao estádio. Não sabia ele que a madeira ainda ia gemer (ou já tava gemendo), entre retardados tricolores e imbecis rubro-negros... Continuamos andando e após um tempo sem conversa, ele disse:
– E meu Bahia hoje vai brocar.

Nessa hora ficamos em silencio, respeitando o sonho do Bruce Willis nagô.
Passamos a andar um pouco afastado e meu amigo comentou:
– Será que vou conseguir ingresso?
O torcedor policial ouviu e respondeu:
– Vendi o de meu filho por oitenta conto.
¬– Oitenta? – perguntamos, espantados.
– Ô... O cara perguntou quanto era, eu disse oitenta pra ver se colava, ele comeu a pilha e vendi...
Continuamos em silencio e apos alguns passos, eu perguntei:
– Seu filho tem quantos anos?
– Catorze – respondeu ele.

PUTAQUEPARIU. Que marca de torcedor é essa? O cara vendeu a emoção do filho por oitenta reais! Realmente a torcida do Bahia está se acabando. De frente pro estádio, isso se comprovou. O número de rubro-negros era esmagador. Paramos para atravessar a rua. Era hora de nos separar.
– Qualquer coisa, é só falar, meu nome é Hélio, mas sou conhecido na corporação por Andrade.
Apertei sua mão e fui embora. Enquanto atravessava a larga avenida, lembrei mais uma vez da venda do ingresso do filho. Olhei pra trás e lá estava Andrade andando sozinho. Gritei pra ele:
– Andrade?
Ele gritou de volta:
– Oi.
– Quem vai brocar é o Vitória.

O primeiro tempo só não foi mais chato que torcedor do Bahia bêbado por causa de Viáfara. Foi a sua única participação no jogo. Numa bola recuada pra ele, o atacante (ou algo semelhante) do Bahia foi correndo para fazer pressão em cima e o goleiro rubro-negro deu o velho drible de baba de fim de semana: fingiu que ia dar um chutão, o tricolor acreditou e uepaaaaa, levou um olé, passando batido pela linha de fundo. Depois disso, Viáfara assistiu ao clássico de camarote. Era seu direito.

Com o gramado parecendo o solo lunar, ficava difícil a bola rolar. Aliás, o estádio de Pituaçu todo é ruim, o que talvez explique o fato dos tricolores gostarem dele, já que há muito tempo eles estão acostumados com merda. As cadeiras são coladas umas nas outras, nos quatro lados. É todo mundo espremido. Pra andar tem de pisar nos acentos. No Barradão é bem melhor, pois o cara da frente fica quase a um metro de distancia de você. Lá, talvez por essa dificuldade de locomoção, raramente passa um ambulante. Fiquei o primeiro tempo com sede. Quando achei um que vendia água, o cara se fudeu todo pra chegar onde eu estava.
– Esse estádio é uma merda, né não? – disse pra ele, quando se aproximou.
– Porra, o Barradao é bem melhor – respondeu ele.

Acabou em zero a zero, com o Vitória, apesar de ruim, superior.

Antes do segundo tempo começar, Pituaçu mostrou mais de sua força. Caixas de som espalhadas por diversos postes do estádio foram ligadas. O som estridente e mal equalizado ecoava pelos quatro cantos a música “Rebolation” do grupo de pagode Parangolé. No Barradão é bem melhor. Não tem caixas de som.

O segundo tempo começou e com ele a velha e boa superioridade rubro-negra. Logo aos cinco minutos, o atacante Scwhenck, carinhosamente apelidado de Shrek pela torcida, só fez empurrar a bola pra dentro depois de um bate rebate na pequena área. Ramon bateu o escanteio, Wallace cabeceou magistralmente, a bola entrou, o juiz não marcou, o goleiro do Bahia se embananou todo, a bola sobrou pra Shrek que explodiu as redes de Pituaçu. Um a zero. A-ha, u-hu, Pituaçu (também) é nosso.
Depois do jogo o arbitro registrou o gol pra Wallace, porém, duvido que se Shrek não tivesse bicado pra dentro ele teria dado o gol. Pra mim, gol dele.

Os tricolores, que já estavam murchos antes do gol, se encolheram e ficaram caladinhos. O time deles, que estava murcho antes do gol, tentou crescer, mas batia de frente com a inoperância do seu elenco.

E o Vitória administrou o jogo com Nino Paraíba correndo pela lateral feito um doido o que me fez gritar “vai, Apodi”. Apesar do paraibano estar se saindo bem, sinto saudades do maluco beleza.

Índio, o cara que fez quatro gols num Ba X Vi, o que confirma o que Renato Gaúcho disse, que aqui a terra é dele, tentou fazer o seu, mas não conseguiu. Porém, deu o passe para o cara que a imprensa chamava (pelo terceiro ano consecutivo) de velho e acabado. Prestes a fazer 38 anos, depois de jogar os 90 minutos, aos 46 do segundo tempo, Ramon mandou a bola pra dentro, fazendo a torcida do Bahia sumir de vez. Dois a zero.

Fora do estádio, a torcida do Vitória só comemorava enquanto a do Bahia assistia. Até que enfim alguma coisa parecida com o Barradão.

Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Vitória X Barueri (o Barradão voltou)

O “vou-não-vou” foi inevitável, mas acabei cedendo ao pensamento de que se eu não fosse o Vitória perderia.

Antes do jogo recebi alguns amigos em casa. Um que é torcedor do Bahia comentou:
– Se o Vitória não ganhar hoje tá lenhado, hein?
Interessante como de uma hora pra outra eles voltaram a falar de futebol, aliviados pela conquista de permanecerem na Série B.
Repliquei dizendo que o contrario também podia acontecer, de o Vitória ganhar e ficar tranqüilo...
– Tá difícil disso acontecer – disse ele, com a urucubaca típica dos rebaixados.

Esse diálogo foi decisivo pra eu ir ao Barradão.

Apesar de eu não ter feito texto nem vídeo do jogo contra o Avaí, eu estava lá.
Como para aquele jogo eu achei que só valia ressaltar duas coisas, preferi ficar quieto. E as duas coisas são:
1) Algumas vezes gosto de captar imagens atrás do gol adversário, colado no alambrado, e muitas vezes a polícia impede. Dessa vez, um torcedor bradou apontando pro chão onde estavam os números dos “assentos” e dizendo:
– Eu paguei o ingresso e aqui é um lugar do estádio que eu posso ficar, sim... Aqui o número, isso aqui é um assento, tá numerado, é pro torcedor ficar... – dizia ele.
Apesar da explicação bastante plausível, não adiantou, o policial que comandava aquele pelotão estava de mau humor e irritadiço.
– Com essa mágoa na cara, o senhor deve ser Bahia – disse o torcedor corajoso.
Um policial subalterno do lado riu disfarçado, de canto de boca. Aquele devia ser Vitória.

2) O acarajé do Barradão. Comi pela primeira vez. Meu pai sempre comia, mas eu sempre recusava. Provei no jogo contra o Avaí e constatei que é um dos melhores acarajés que já comi, apesar da baiana de acarajé assumir pra mim que é torcedora do finado.

Ao contrário do que diziam, a torcida do Vitória compareceu ao estádio. O mantra que se ouvia por todo o estádio era “o Vitória tem que ganhar hoje, o Vitória tem que ganhar hoje...”. O grito de gol estava entalado na garganta do torcedor. Cinco derrotas seguidas, cinco partidas sem fazer um gol sequer. E parecia que levaria mais um. O time começou mal e o Barueri aproveitava os passes errados para contra-atacar com extrema velocidade. Viáfara e Fábio Ferreira fizeram as suas partes. O meio-campo não se entendia assim como os torcedores. Um torcedor bêbado do meu lado reclamava de Ramon e Roger sem parar. Um outro reclamava de Bida, outro de Leandrinho, outro de Berola... Um chegou a pedir Leandrão.

No final do primeiro tempo o time melhorou e o juiz (mais uma vez) não marcou um pênalti pro Vitória. Depois, um gol fez o grito sair da garganta, mas o juiz anulou, dessa vez com razão. Era mais um impedimento do ataque do Vitória. Dessa vez foi o zagueiro Fábio Ferreira, que chegou no Vitória desacreditado mas que tem jogado muito bem. Saiu comemorando com vontade, sem saber que seu gol fora anulado. Merece fazer o dele.

Posteriormente o Vitória colocou uma bola na trave e teve outras inúmeras chances de fazer um, dois ou três gols, bombardeando a defesa adversária, mas não fez. Veja aqui no vídeo exclusivo. Primeiro tempo zero a zero. O grito teria de esperar...

– Segundo tempo é bom que o Vitória ataca pro lado de cá... Esse lado é enladeirado – disse um torcedor.

E logo aos dois minutos, Leandro Domingues aproveitou um cruzamento (dele, Fábio Ferreira) e entre os zagueiros esticou a perna e cutucou a bola pra dentro. O famoso totózinho. Olhei pro juiz primeiro pra confirmar antes de comemorar. Um a zero Vitória. Sai pra lá urucubaca.
– Num falei? Esse lado é enladeirado, o ataque chega rápido.

Logo depois, aos 10 minutos, um lance que tem se tornado raro: um cruzamento bem feito encontrou Roger em uma rara posição regular, que num momento raro de eficiência cabeceou de forma espetacular. No seu caminho para o gol, do meu angulo, achei que a bola ia pra fora, mas foi pra fora do alcance da urucubaca. Golaço de cabeça. Dois a zero Vitória.
– Num falei? Esse lado é enladeirado, ajuda o Vitória que já tá ligado no movimento... – repetia o torcedor.

O jogo permaneceu assim até o final, quando o Vitória tomou aquele “gol-no-finalzinho” nosso de cada jogo. Dois a um. Ainda restavam três minutos de emoção, com uma bola parada cruzada na área rubro-negra, mas aos 48, finalmente, o alívio. Quarenta e sete pontos e a permanência na luta pela vaga da Sulamericana.

Liguei pros amigos tricolores e, como de praxe nesse ano, nenhum atendeu. Os urucubacas estavam putos.

Já que o ano já acabou pra eles, podemos fazer aqui um breve retrospecto: Paulo Carneiro (o rubro-negro do ano) entrou, o Bahia ganhou do Esporte Clube Ipitanga e a torcida disse “agora vai”; ganhou do Camaçari Futebol Clube e eles disseram “agora já foi”; ganharam do Vitória em pleno Barradão e eles disseram “agora já é”. Um amigo meu do trabalho disse, prazeroso:
– O cara da rádio falou que Paulo Carneiro comemorou nos gols do Bahia.
Mas aí o CampeoNeto Baiano continuou, eles foram pra final com o Vitória, perderam o primeiro jogo em casa, empataram o segundo, ficaram sem título pelo oitavo ano consecutivo, começou o Brasileiro, eles começaram a dar o costumeiro vexame e a torcida do Vitória disse: “agora já ia”.

Mas a torcida do Bahia tem algo pra se orgulhar, pois foi considerada a torcida mais otimista do ano pela frase "se o Bahia ganhar os 12 jogos que faltam ele sobe".

Depois do jogo contra o Barueri, de dentro do carro, indo pra casa, avistei um ser com a camisa do Bahia andando pela rua. Ao passar por ele, gritei "segunda divisão" e ele fez "u-hu". Deve ter achado que eu era Bahia e que eu estava comemorando...

sábado, 7 de novembro de 2009

Vitória no Barradão e em outros campos

O prestigiado portal Yougol fez uma entrevista com este que vos escreve sobre o blog, os vídeos e o Vitória.
Para ler, clique no link www.yougol.wordpress.com

sábado, 31 de outubro de 2009

Vitória X Corinthians (tudo muito estranho)

Depois de ouvir as mais diferenciadas resenhas de jornalistas, blogueiros, apresentadores de TV, jogadores e torcedores, a única coisa que posso dizer desse jogo é que foi um jogo muito estranho. A vibe que emanava no Barradão estava estranha. O Corinthians e sua torcida têm uma energia estranha da porra. Sai pra lá.

Uma semana antes do jogo, perguntei ao meu sobrinho jogador do infantil do Bahia (e torcedor do mesmo) se ele queria ir ao Barradão.
– Eu não... – respondeu ele.
Estava traumatizado. Esse ano foi duas vezes ao Barradão e nas duas viu o Vitória ganhar. Uma a zero no Grêmio e seis a dois no Santos.
– É contra o Corinthians, Ronaldo vem – insisti. – Indo pra Pituaçu, quando você vai ver um jogo desse? – perguntei.
Ele não soube responder e disse que iria.

Dentro do estádio ele me disse que viu Ronaldo no Fazendão:
– O cara é gordão e ele treina com um uniforme diferente de todos os outros jogadores... – se impressionou.

Um torcedor do meu lado talvez também tenha culpa na vibe negativa. Uma hora antes da partida começar ele já tava dizendo que Leandrão era uma merda.
– E você queria quem? Roger? – perguntou o do seu lado.
– Claro, bem melhor que Leandrão. Leandrão é uma merda, você vai ver.

E foi o primeiro tempo mais xumbrega desse ano no Barradão. O Corinthians inteligentemente entrou respeitando o Vitória enquanto o Vitória, erroneamente, entrou respeitando o Corinthians. Nem nos jogos do Campeonato Baiano, onde o Vitória é obrigado a jogar com times pequenos como Camaçari, Juazeiro, Bahia e Itabuna, teve um primeiro tempo assim. Jogo estranho da porra. Ronaldo ainda saiu reclamando do gramado. Gordo feito um porco gordo, não percebeu que era ele quem fazia os buracos ao pastar pelo campo, apesar de sabermos que porcos não pastam, chafurdam. Zero a zero.

E o segundo tempo começou e a energia estranha permanecia. O baixo astral ia e voltava, da torcida pro gramado, do gramado pra torcida. Negócio estranho da porra. Apesar do Corinthians ter vindo pra empatar, o Vitória parecia zonzo em campo. Até Viáfara estava falhando. Tudo foi muito estranho. Aos 21 minutos a zaga do Vitória se estranhou e deixou o argentino entrar sozinho e fazer um a zero. Placar que permaneceu até o fim graças a Roger, que entrou no lugar de Leandrão e perdeu um gol imperdível aos 49 minutos.
– Se fosse Leandrão fazia – gritou um torcedor.

E graças também aos árbitros que anularam um gol legítimo e não marcaram
pênalti(s) legítimo(s) a favor do Vitória. Era a primeira partida do senhor Márcio Chagas da Silva (RS) na primeira divisão. Muito estranho.
Ele ainda é considerado pelo comentarista de árbitro da Globo o melhor árbitro do Campeonato gaúcho de 2009. Muito estranho. Ou não.

Como diz um amigo meu:
– Com o juiz do lado, até o Bahia ganha.
Se bem que nem sei...

Para ver o vídeo do jogo, clique aqui.

E finalmente, depois de oito meses de espera, recebi a camisa oficial do time que foi prometida junto com a compra do Sou Mais Vitória. Fui buscar no Barradão na quinta-feira, um dia depois do jogo estranho.
– É no departamento de marketing – me disse o segurança.
Bati na porta e entrei. A sala era bem pequena:
– Vim buscar a camisa...
– Posso ver sua carteirinha? – me perguntou o cara que estava atrás de um laptop.
Ele pegou e me mandou segui-lo. Entramos em outra salinha com uma série de camisas espalhadas.
– Escolha a que você quiser: manga longa, manga curta, a vermelha e preta, a branca, a comemorativa... – disse ele.
Olhei todas e perguntei:
– Tem alguma sem o patrocínio?
Ele pensou um pouco e disse que não.
Camisa feia da porra. Não entendo (e como torcedor não admito) como a merda da marca de um patrocinador tenha mais peso que o ESCUDO do time. Departamento de Marketing estranho da porra. Se a marca da Insinuante tem que aparecer junto com outras cinco, que se contrate então um design profissional pra balancear as coisas, principalmente as cores. Da forma que está, o uniforme não carrega nenhuma identidade consigo e isso, de uma forma ou de outra, interfere no gramado. Sem identidade, ninguém respeita. Se um estrangeiro ver o time do Vitória na televisão não vai saber o que é escudo e o que é patrocinador. Camisa feia da porra. Comentei isso com o cara do departamento de marketing mas acho que ele achou que eu tava falando mal do Vitória e ficou meio pirado, tentando defender com argumentos esdrúxulos o porquê daquele carnaval de cores e símbolos na camisa, dizendo que aquilo era o certo. As cores da Insinuante ainda são vermelho e verde, e verde todos sabem que é a junção do amarelo com azul, e quem tem azul no uniforme é o time da putaquepariu.
Vou comprar uma televisão nova e só por isso vou na Ricardo Elektro que ainda divide em 17 vezes.

– Tem a camisa de Viáfara? – perguntei.
Ele riu com prazer, ao dizer que não. Que foi a primeira a acabar.
– E a de Apodi?
Ele riu de novo:
– Foi a segunda a acabar.

Esse diálogo bateu certinho com a pesquisa do IPEM para saber quem era o ídolo do Vitória no ano de 2009. O resultado foi:
1º Viáfara.
2º Apodi.
3º Paulo Carneiro.

– Tem a de Ramon, a de Vanderson, a de Uélinton, Roger, Leandrinho? – perguntei uma por uma e ele foi se regozijando ao dizer que todas tinham acabado.
Departamento de marketing estranho da porra.

– Essas camisas estão sendo distribuídas desde o mês passado, você tem que acompanhar o site do Sou Mais Vitória... Se acompanhasse iria saber e iria encontrar todas essas que pediu.

Então me responda Departamento de Marketing:
POR QUE PORRA VOCÊS PEDEM NOSSO E-MAIL NA FICHA DE INSCRIÇÃO?

Imagino que seria pra mandar:
“Caro associado rubro-negro, a camisa que prometemos no início do Campeonato Baiano, que chegaria em sua casa pelo Correio e até hoje, oito meses depois, ainda não entregamos já está disponível. É só vir ao Barradão em horário comercial e retirar a sua”.

Mas não é assim que funciona. O associado do Sou Mais Otário tem que ficar ligando, perguntando, se humilhando, entrando no site, pra conseguir saber das coisas. DEPARTAMENTO DE MARKETING ESTRANHO DA PORRA.

A minha camisa oficial, que acho feia pra caralho, mais feia que o jogo Vitória X Corinthians, mais feia que os travecos que Ronaldo pegou, está à venda. Na loja oficial ela custa R$129. Dê seu preço e venha buscar. Tamanho G.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vitória X Náutico (o de cima sobe, o de baixo desce)

O Náutico estava na zona de rebaixamento, o que o colocava como um adversário perigoso pro Vitória, já que nesse ano o time deu mole sempre com os de baixo: Sport, Fluminense, Santo André... O único de baixo que ele brocou esse ano foi o Bahia.

Apodi não jogaria. O que para muitos era um bom motivo. O ídolo anda sem moral. Os gols sofridos pelo seu lado irritaram os seus súditos.
– Vai ser bom pra ele, pra amadurecer – disse um torcedor de óculos escuros e bigodinho.
E Nino Paraíba, que entrou no seu lugar, já chegou amadurecido e acertou um cruzamento certeiro na cabeça de Ramon. Seria o primeiro gol se o goleiro do Náutico não tivesse defendido. Na jogada seguinte, em uma arrancada digna de Apodi de jogos atrás, Nino sofreu um pênalti:
– Quem vai bater? – perguntei.
– Roger – responderam dois ao mesmo tempo.
“Vai Roger, vai Roger, vai Roger...”, torcia os rubro negros enquanto ele ia pra bola. Mas quem foi na bola foi o goleiro do Náutico. Depois que a ficha do pênalti perdido caiu, os gritos subiram:
– POOOOORRA, quem tem que bater essa merda é Ramon, porra...
– Isso é por causa da artilharia, essa disgrama...
– Tomar no c... essa porra de artilharia...
Nisso o torcedor tá certo. Se o jogo tiver três a zero ou até mesmo dois a zero, tudo bem, pensa-se na artilharia, mas no zero a zero, não, tem de pensar nos três pontos. Pênalti tem de ser Ramon.

O Vitória continuou tentando e Nino Paraíba quase fez um, em um chute de fora da área. O grito pode mudar pra “Ei, Paraíba, faz um gol pra sua torcida”.
Zero a zero. Fim do primeiro tempo.
Um a zero pro Náutico, início do segundo tempo.
Mantendo sua cota de gols no início ou no fim das etapas, o Vitória sofreu um gol logo aos dois minutos.

– Agora que esse cara vai mudar? Por que não mudou nos vestiários, porra? – perguntou o de bigode a Mancini.
Logo após as alterações, Ramon foi protagonista de uma das melhores imagens da rodada. Sofreu uma falta dura, caiu cinematograficamente, sofreu no chão e quando viu que o que te atacou foi expulso, tirou o sofrimento da cara, levantou na hora e pediu pela bola, pois precisava jogar pra empatar o jogo. Incrível como ele não erra um passe. E aos 17, numa jogada que começou dos seus pés (como quase todas), a bola parou nos pés de Nino que outra vez cruzou na medida, dessa vez pra Leandrão, que acabara de entrar. De cabeça, um a um.
“Agora vai virar”, pensei. E aos 36, num cruzamento do “velhinho” Jackson, que também acabara de entrar, Leandrão desviou e fez o segundo gol dele no jogo, virando pra dois a um.
– Ele vai fazer três e vai pedir a música do Fantástico – gritou o de bigode.
Ele não fez o terceiro, mas o Vitória fez. Nos gols mais bonitos da rodada, nenhuma emissora colocou ele, o que foi um erro absurdo. Na lista estavam os gols de:
1) Pet, do Flamengo.
2) Perea, do Grêmio.
3) Arce, do Sport.
Os três realmente fizeram gols bonitos, mas o gol do Vitória foi bonito não pela jogada final, e sim pelo conjunto da obra, pela troca de passes que começou numa ingênua cobrança de lateral, foi passando de um pra outro em toques rápidos até chegar em Berola, que deu um nó desconcertante no marcador e tocou pro velhinho que se aproximava. Jackson, três a um Vitória. Veja vídeo aqui. E gol bonito (e gol olímpico no Palmeiras) Pet aprendeu todo mundo sabe aonde.