O Náutico estava na zona de rebaixamento, o que o colocava como um adversário perigoso pro Vitória, já que nesse ano o time deu mole sempre com os de baixo: Sport, Fluminense, Santo André... O único de baixo que ele brocou esse ano foi o Bahia.
Apodi não jogaria. O que para muitos era um bom motivo. O ídolo anda sem moral. Os gols sofridos pelo seu lado irritaram os seus súditos.
– Vai ser bom pra ele, pra amadurecer – disse um torcedor de óculos escuros e bigodinho.
E Nino Paraíba, que entrou no seu lugar, já chegou amadurecido e acertou um cruzamento certeiro na cabeça de Ramon. Seria o primeiro gol se o goleiro do Náutico não tivesse defendido. Na jogada seguinte, em uma arrancada digna de Apodi de jogos atrás, Nino sofreu um pênalti:
– Quem vai bater? – perguntei.
– Roger – responderam dois ao mesmo tempo.
“Vai Roger, vai Roger, vai Roger...”, torcia os rubro negros enquanto ele ia pra bola. Mas quem foi na bola foi o goleiro do Náutico. Depois que a ficha do pênalti perdido caiu, os gritos subiram:
– POOOOORRA, quem tem que bater essa merda é Ramon, porra...
– Isso é por causa da artilharia, essa disgrama...
– Tomar no c... essa porra de artilharia...
Nisso o torcedor tá certo. Se o jogo tiver três a zero ou até mesmo dois a zero, tudo bem, pensa-se na artilharia, mas no zero a zero, não, tem de pensar nos três pontos. Pênalti tem de ser Ramon.
O Vitória continuou tentando e Nino Paraíba quase fez um, em um chute de fora da área. O grito pode mudar pra “Ei, Paraíba, faz um gol pra sua torcida”.
Zero a zero. Fim do primeiro tempo.
Um a zero pro Náutico, início do segundo tempo.
Mantendo sua cota de gols no início ou no fim das etapas, o Vitória sofreu um gol logo aos dois minutos.
– Agora que esse cara vai mudar? Por que não mudou nos vestiários, porra? – perguntou o de bigode a Mancini.
Logo após as alterações, Ramon foi protagonista de uma das melhores imagens da rodada. Sofreu uma falta dura, caiu cinematograficamente, sofreu no chão e quando viu que o que te atacou foi expulso, tirou o sofrimento da cara, levantou na hora e pediu pela bola, pois precisava jogar pra empatar o jogo. Incrível como ele não erra um passe. E aos 17, numa jogada que começou dos seus pés (como quase todas), a bola parou nos pés de Nino que outra vez cruzou na medida, dessa vez pra Leandrão, que acabara de entrar. De cabeça, um a um.
“Agora vai virar”, pensei. E aos 36, num cruzamento do “velhinho” Jackson, que também acabara de entrar, Leandrão desviou e fez o segundo gol dele no jogo, virando pra dois a um.
– Ele vai fazer três e vai pedir a música do Fantástico – gritou o de bigode.
Ele não fez o terceiro, mas o Vitória fez. Nos gols mais bonitos da rodada, nenhuma emissora colocou ele, o que foi um erro absurdo. Na lista estavam os gols de:
1) Pet, do Flamengo.
2) Perea, do Grêmio.
3) Arce, do Sport.
Os três realmente fizeram gols bonitos, mas o gol do Vitória foi bonito não pela jogada final, e sim pelo conjunto da obra, pela troca de passes que começou numa ingênua cobrança de lateral, foi passando de um pra outro em toques rápidos até chegar em Berola, que deu um nó desconcertante no marcador e tocou pro velhinho que se aproximava. Jackson, três a um Vitória. Veja vídeo aqui. E gol bonito (e gol olímpico no Palmeiras) Pet aprendeu todo mundo sabe aonde.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Vitória X Flamengo (empate xumbrega)
Na manhã da quarta-feira (dia do jogo), às seis e meia, passando pelo Farol da Barra vi um ônibus de turista com torcedores do Flamengo tirando fotos do ambiente. Imagino ser um grupo que acabara de chegar de qualquer cidade do interior do Nordeste e/ou adjacências. No Barradão, hoje o estádio mais temido do Brasileirão, os turistas do Flamengo, querendo comprovar que um dia pisaram naquele imponente santuário, também não paravam de tirar fotos. Se for procurar no Orkut, vai ter um monte de foto com legendas como “Ontem eu e meu primo Beto, no jogão do Flamengo contra o Vitória” ou “É, nóis no Barradão”.
Cheguei cedo e fui pro lugar que costumo ficar. Sentei e percebi que estava cercado de turistas do Flamengo. Pra não ouvir de perto aquela música constrangedora que eles cantam em cima de uma melodia do Mamonas Assassinas, deixei a superstição de lado e fui pro outro lado do estádio.
Do outro lado só tinha rubro-negro legítimo, que por todos os cantos enxotavam os turistas do Flamengo de lá, os mandando pro outro lado do estádio. Quer ir pro jogo com a camisa do time rival, tudo bem, mas que fique junto com os seus. Um amigo que foi comigo, quando voltou do banheiro disse que encontrou dois amigos dele, turistas do Flamengo, que compraram cadeira e foram expulsos de lá, pois estavam com a camisa do time. “Eu, eu, eu, caiu na Toca se f...”.
Estádio lotado. “Ei, Apodi, faz um gol aí pra mim”, gritavam em uníssono os torcedores do Vitória, que mais tarde o crucificariam por ter tentado, por duas vezes, fazer o gol, quando era pra ter cruzado. O Flamengo não tomava gol a seis jogos e aos 13 minutos do primeiro tempo fazia mais um; num contra-ataque, a bola sobrou pro maluco lá de cabelinho estranho: um a zero Flamengo. As caravanas deliraram.
– O Vitória tem que empatar logo – gritou um torcedor.
Ramon ouviu o que ele disse e logo em seguida bateu o escanteio na cabeça de Roger. Um a um.
Mas logo depois, falta pro Flamengo e Gléguer não botou fé em Pet e só colocou um ser humano na barreira. Como Pet aprendeu no Vitória, colocou a bola pelo único espaço aberto. Pareceu um frango, mas foi apenas ingenuidade.
– Esse Gléguer é uma merda, nunca confiei nele – gritou um do meu lado.
Dois a um e explosão eufórica no espaço reservado para os genéricos.
– O Vitória tem que empatar logo, de novo – disse aquele mesmo torcedor, de novo.
E Ramon, de novo, ouviu o que ele disse e pegou a bola pra bater uma falta na entrada da área. Bruno até botou fé e entupiu a barreira de gente, mas não adiantou. Golaço. Depois do gol Bruno ainda ficou parado por VINTE E OITO SEGUNDOS, tentando entender o que aconteceu. Veja CLICANDO AQUI. Dois a dois.
– Agora o Vitória tem que virar logo – disse aquele torcedor.
Ramon, comprovando a boa fase e a boa audição, num contra-ataque fulminante recebeu um passe com carinho e com afeto de Gláucio e fez três a dois Vitória.
Lembrei de um jogo no Barradão, em meados dos anos 90, um ano depois de Ramon nos deixar, quando um torcedor disse “ai, que saudade de Ramon”. Quase 15 anos depois, aos 37 anos, ele continua o mesmo atleta.
O Flamengo não tomava gols a seis jogos, mas bastou um primeiro tempo no Barradão pra tomar três. “Eu, eu, eu , caiu na Toca se f...”, gritavam os rubro-negros originais.
O segundo tempo foi mais morno, com o juiz e o Flamengo tentando e o Vitória contra-atacando. Numa cobrança de falta, Pet não levou fé em Gléguer e colocou a bola no cantinho, mas Gléguer dessa vez estava ligado e fez uma defesa espetacular. “Uh, é paredão, o goleiro do Leão”, gritava a torcida, inclusive o torcedor do meu lado que mais cedo o crucificou.
– Quanto tempo tem? – perguntou um.
– Quarenta – respondi.
– Bora, Vitória – disse ele.
Depois de um tempo, olhei pro relógio mais uma vez. Quarenta e quatro. “Bora, Vitória”, pensei. Mas aos quarenta e seis, as caravanas comemoraram. Num cruzamento a bola sobrou limpa pra Zé Roberto só empurrar.
– Se fosse Viáfara ele se antecipava – gritou o torcedor.
Se o empate em três a três com o Cruzeiro teve sabor de triunfo, o empate em três a três com o Flamengo foi o inverso. Os turistas do Flamengo foram à loucura, o que é até aceitável, pois empatar com o Vitória no Barradão deve ser motivo de alegria pra qualquer time.
Cheguei cedo e fui pro lugar que costumo ficar. Sentei e percebi que estava cercado de turistas do Flamengo. Pra não ouvir de perto aquela música constrangedora que eles cantam em cima de uma melodia do Mamonas Assassinas, deixei a superstição de lado e fui pro outro lado do estádio.
Do outro lado só tinha rubro-negro legítimo, que por todos os cantos enxotavam os turistas do Flamengo de lá, os mandando pro outro lado do estádio. Quer ir pro jogo com a camisa do time rival, tudo bem, mas que fique junto com os seus. Um amigo que foi comigo, quando voltou do banheiro disse que encontrou dois amigos dele, turistas do Flamengo, que compraram cadeira e foram expulsos de lá, pois estavam com a camisa do time. “Eu, eu, eu, caiu na Toca se f...”.
Estádio lotado. “Ei, Apodi, faz um gol aí pra mim”, gritavam em uníssono os torcedores do Vitória, que mais tarde o crucificariam por ter tentado, por duas vezes, fazer o gol, quando era pra ter cruzado. O Flamengo não tomava gol a seis jogos e aos 13 minutos do primeiro tempo fazia mais um; num contra-ataque, a bola sobrou pro maluco lá de cabelinho estranho: um a zero Flamengo. As caravanas deliraram.
– O Vitória tem que empatar logo – gritou um torcedor.
Ramon ouviu o que ele disse e logo em seguida bateu o escanteio na cabeça de Roger. Um a um.
Mas logo depois, falta pro Flamengo e Gléguer não botou fé em Pet e só colocou um ser humano na barreira. Como Pet aprendeu no Vitória, colocou a bola pelo único espaço aberto. Pareceu um frango, mas foi apenas ingenuidade.
– Esse Gléguer é uma merda, nunca confiei nele – gritou um do meu lado.
Dois a um e explosão eufórica no espaço reservado para os genéricos.
– O Vitória tem que empatar logo, de novo – disse aquele mesmo torcedor, de novo.
E Ramon, de novo, ouviu o que ele disse e pegou a bola pra bater uma falta na entrada da área. Bruno até botou fé e entupiu a barreira de gente, mas não adiantou. Golaço. Depois do gol Bruno ainda ficou parado por VINTE E OITO SEGUNDOS, tentando entender o que aconteceu. Veja CLICANDO AQUI. Dois a dois.
– Agora o Vitória tem que virar logo – disse aquele torcedor.
Ramon, comprovando a boa fase e a boa audição, num contra-ataque fulminante recebeu um passe com carinho e com afeto de Gláucio e fez três a dois Vitória.
Lembrei de um jogo no Barradão, em meados dos anos 90, um ano depois de Ramon nos deixar, quando um torcedor disse “ai, que saudade de Ramon”. Quase 15 anos depois, aos 37 anos, ele continua o mesmo atleta.
O Flamengo não tomava gols a seis jogos, mas bastou um primeiro tempo no Barradão pra tomar três. “Eu, eu, eu , caiu na Toca se f...”, gritavam os rubro-negros originais.
O segundo tempo foi mais morno, com o juiz e o Flamengo tentando e o Vitória contra-atacando. Numa cobrança de falta, Pet não levou fé em Gléguer e colocou a bola no cantinho, mas Gléguer dessa vez estava ligado e fez uma defesa espetacular. “Uh, é paredão, o goleiro do Leão”, gritava a torcida, inclusive o torcedor do meu lado que mais cedo o crucificou.
– Quanto tempo tem? – perguntou um.
– Quarenta – respondi.
– Bora, Vitória – disse ele.
Depois de um tempo, olhei pro relógio mais uma vez. Quarenta e quatro. “Bora, Vitória”, pensei. Mas aos quarenta e seis, as caravanas comemoraram. Num cruzamento a bola sobrou limpa pra Zé Roberto só empurrar.
– Se fosse Viáfara ele se antecipava – gritou o torcedor.
Se o empate em três a três com o Cruzeiro teve sabor de triunfo, o empate em três a três com o Flamengo foi o inverso. Os turistas do Flamengo foram à loucura, o que é até aceitável, pois empatar com o Vitória no Barradão deve ser motivo de alegria pra qualquer time.
domingo, 20 de setembro de 2009
Vitória X Internacional (entre a ôla e o olé)
Alguém anotou a placa do trator que passou levando tudo no Barradão?
Depois do líder, era a hora de pegar o vice líder, o Internacional, considerado pela grande maioria o melhor time do país. Pode até ser, mas, nesse jogo, o melhor time do país saiu de campo mais tonto que Maguila depois do nocaute que sofreu do Hollyfield original.
A torcida do Internacional estava um tanto pequenina e mesmo assim devia ter mais gente ali do que no estádio de Pituaçu, no jogo do dia anterior, com Bahia 1 X 2 Brasiliense.
Ainda bem que tem um time nessa porra pra honrar o Estado e o Nordeste.
Pra falar do Vitória nesse jogo, nada mais justo que começar do começo, falando do número um. Não tenho dúvidas de que Viáfara é o melhor goleiro em atividade no futebol brasileiro. A defesa que ele fez no chute de D’Alessandro, aos 40 do primeiro tempo, mudou o enredo do jogo e mais uma vez me faz ter de pedir desculpas a ele por não registrar os seus feitos nos vídeos que faço para este blog. Durante o jogo ele ainda fez outras defesas espetaculares, parando os chutes de Taison, Andrezinho e Alecsandro, porém, essa foi tão absurda que deixa as outras menores.
Do ídolo Apodi só tenho três coisas pra falar: deu vários chutes perigosos contra o gol colorado (sem falar na bicicleta), marcou feito gente grande e colocou Giñazu na roda pedindo pinico.
Na verdade, para escrever com justiça sobre esse jogo, sobretudo o segundo tempo, teria de esmiuçar todos os jogadores do Vitória, sem exceção, pois todos que entraram na partida foram fundamentais e jogaram com extrema excelência. Da defesa ao ataque, o time deu uma aula de futebol. O time e a torcida. Na hora do primeiro gol, antes da cobrança de escanteio magistral de Ramon, ela já cantava em uníssono, como que prevendo que o gol sairia naquela jogada. E na alta zaga gaúcha, Uéliton subiu com o canto que vinha das arquibancadas pra fazer um a zero Vitória. Veja vídeo aqui.
O Inter saiu desesperado. Fez a primeira substituição, não conseguiu segurar o Vitória e fez o segundo penalty do jogo (e o primeiro marcado pelo árbitro mineiro Alício Pena Junior). Ramon, el maestro, lançou, mais uma vez de forma magistral, na medida pra Roger, el artilheiro, que foi derrubado. O próprio Roger cobrou e dois a zero Vitória. Veja vídeo aqui.
O Inter em seguida fez a segunda substituição e dois minutos depois fez a terceira pra tentar alguma coisa, mas poderia ter feito a quarta, a quinta e a sexta que nada adiantaria. “Eu, eu, eu, caiu na Toca se f...”, avisava a torcida rubro-negra.
A bateria da filmadora acabou e não pude registrar os últimos cinco minutos, com a torcida fazendo ôla e gritando “olé”, enquanto o Vitória fazia o Inter de bobinho, por toda a extensão do gramado.
“Arerê, o gaúcho dá o c... e grita thcê, êê...”, cantava um torcedor do Vitória em direção a um grupo de colorados, na saída do estádio, dizendo a eles que o Vitória é Campeão Gaúcho, pois esse ano brocou o Grêmio, o Internacional e o Juventude.
Enquanto isso, do outro lado da cidade...
Liguei pra um amigo meu torcedor do Bahia, mas o celular dele estava na caixa.
Tem estado muito na caixa ultimamente.
Depois do líder, era a hora de pegar o vice líder, o Internacional, considerado pela grande maioria o melhor time do país. Pode até ser, mas, nesse jogo, o melhor time do país saiu de campo mais tonto que Maguila depois do nocaute que sofreu do Hollyfield original.
A torcida do Internacional estava um tanto pequenina e mesmo assim devia ter mais gente ali do que no estádio de Pituaçu, no jogo do dia anterior, com Bahia 1 X 2 Brasiliense.
Ainda bem que tem um time nessa porra pra honrar o Estado e o Nordeste.
Pra falar do Vitória nesse jogo, nada mais justo que começar do começo, falando do número um. Não tenho dúvidas de que Viáfara é o melhor goleiro em atividade no futebol brasileiro. A defesa que ele fez no chute de D’Alessandro, aos 40 do primeiro tempo, mudou o enredo do jogo e mais uma vez me faz ter de pedir desculpas a ele por não registrar os seus feitos nos vídeos que faço para este blog. Durante o jogo ele ainda fez outras defesas espetaculares, parando os chutes de Taison, Andrezinho e Alecsandro, porém, essa foi tão absurda que deixa as outras menores.
Do ídolo Apodi só tenho três coisas pra falar: deu vários chutes perigosos contra o gol colorado (sem falar na bicicleta), marcou feito gente grande e colocou Giñazu na roda pedindo pinico.
Na verdade, para escrever com justiça sobre esse jogo, sobretudo o segundo tempo, teria de esmiuçar todos os jogadores do Vitória, sem exceção, pois todos que entraram na partida foram fundamentais e jogaram com extrema excelência. Da defesa ao ataque, o time deu uma aula de futebol. O time e a torcida. Na hora do primeiro gol, antes da cobrança de escanteio magistral de Ramon, ela já cantava em uníssono, como que prevendo que o gol sairia naquela jogada. E na alta zaga gaúcha, Uéliton subiu com o canto que vinha das arquibancadas pra fazer um a zero Vitória. Veja vídeo aqui.
O Inter saiu desesperado. Fez a primeira substituição, não conseguiu segurar o Vitória e fez o segundo penalty do jogo (e o primeiro marcado pelo árbitro mineiro Alício Pena Junior). Ramon, el maestro, lançou, mais uma vez de forma magistral, na medida pra Roger, el artilheiro, que foi derrubado. O próprio Roger cobrou e dois a zero Vitória. Veja vídeo aqui.
O Inter em seguida fez a segunda substituição e dois minutos depois fez a terceira pra tentar alguma coisa, mas poderia ter feito a quarta, a quinta e a sexta que nada adiantaria. “Eu, eu, eu, caiu na Toca se f...”, avisava a torcida rubro-negra.
A bateria da filmadora acabou e não pude registrar os últimos cinco minutos, com a torcida fazendo ôla e gritando “olé”, enquanto o Vitória fazia o Inter de bobinho, por toda a extensão do gramado.
“Arerê, o gaúcho dá o c... e grita thcê, êê...”, cantava um torcedor do Vitória em direção a um grupo de colorados, na saída do estádio, dizendo a eles que o Vitória é Campeão Gaúcho, pois esse ano brocou o Grêmio, o Internacional e o Juventude.
Enquanto isso, do outro lado da cidade...
Liguei pra um amigo meu torcedor do Bahia, mas o celular dele estava na caixa.
Tem estado muito na caixa ultimamente.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Vitória X Palmeiras (valeu, São Marcos)
No meio da semana eu já tinha ido ao jogo da seleção e durante a partida cheguei a conclusão de que um jogo do Vitória é bem mais emocionante. Algumas coisas são até semelhantes, pois em ambas tem torcedor do Bahia fazendo papel de otário.
No jogo contra o Chile, sentei colado com a torcida chilena e a torcida do Bahia, que por estar vestida com as mesmas cores do Chile, era motivo de piada por parte dos hermanos:
– Vocês são chilenos? – perguntava um.
Como ali era a única forma do tricolor baiano aparecer pro Brasil, eles tentaram durante o jogo um grito de “Bahia”, mas foram humilhantemente calados pelas vaias que ecoaram pelo estádio de Pituaçu.
No Barradão eles são mais covardes e foram de verde. Revoltados pela humilhação sofrida no dia anterior, quando tomaram de 4 x 1 da Portuguesa, os torcedores do Bahia foram torcer pro Palmeiras, acreditando que assim poderiam sentir um pouquinho do doce sabor da vitória. Tentaram de novo ecoar alguns gritos, porém, mais uma vez, foram abafados pela massa rubro-negra que enchia o estádio.
Jogo contra o líder do campeonato é sempre apreensivo, mas no banheiro, mijando antes do jogo, enquanto um torcedor do Palmeiras, ou melhor, do Bahia, mijava, um outro rubro-negro disse:
– Esse palmeirense tá aqui mijando, mas tem um palmeirense que sempre que joga contra o Vitória se caga todo...
– Quem é? – perguntou um outro anônimo.
– Marcos – respondeu, gerando risada de todos, menos do torcedor indefinido.
O fato do goleiro palmeirense se cagar contra o Vitória (lembrando o 7 x 2 e o rebaixamento anos atrás) geraria outras risadas aos 19 minutos do primeiro tempo. Ramon cruzou, ele foi tirar de forma estabanada, mirou na moleira de Uéliton e um a zero Vitória. Veja o vídeo exclusivo aqui.
O Vitória, que antes do gol já tinha metido uma bola na trave com Roger, continuou pressionando e aos 36 minutos, o nome do time nessa fase da competição perdeu o gol mais feito de todos os babas do fim de semana. Na jogada, Marcos cagou de novo, dessa vez numa simples saída de bola, e a dita cuja sobrou pra Berola que tentou limpa-lo, mas, talvez pelo goleiro já estar todo melado, não conseguiu.
– Que porra! Lá no meu baba, que eu PAGO pra jogar, se eu perder um gol desse eu sou tirado na hora. Esse cara GANHA pra isso e perde o gol?! Putaquepariu, vá tomar no c... – gritava um torcedor do meu lado, fortalecendo as palavras em caixa alta.
Pior que ter perdido esse gol foi tomar um logo depois, o que fez a torcida se irritar mais ainda desse gol perdido. Mais até do que com o gol sofrido:
– Se tivesse feito dois a zero o jogo era outro... Era pra chegar chutando. Porra! – reclamava o mesmo, que fez esse discurso durante todo o intervalo.
Um a um e fim do primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o Palmeiras parecia querer ganhar. Voltou melhor, mas como o goleiro do Vitória não se caga diante deles, defendeu as duas jogadas dos paulistas. Depois disso, pra desespero dos tricolores, só deu Vitória e aos 25 minutos a bola sobrou pro cara que tinha perdido o gol feito e, dessa vez, ele não repetiu o erro. Neto Berola, dois a um Vitória.
Logo depois, como se só estivesse ali até concertar o erro, Berola saiu do jogo dando lugar a Derlei, que estreava. Aos 35 ele mandou perto, mas aos 39 mandou pra longe. Pra longe do alcance de Marcos, que até salvou o que seria um gol olímpico de Ramon, mas ficou ajoelhado dentro do gol, vendo o estreante fazer o terceiro rubro-negro.
“É, o Vitória é foda”, pensou o goleiro alviverde.
Depois o Palmeiras fez um golzinho sem graça, mas muitos tricolores já deixavam o estádio.
Vitória 3 X 2 Palmeiras.
Perder em casa, em um jogo da segunda divisão, é uma coisa.
Ser humilhado em casa com um chocolate, em um jogo da segunda divisão, com o quarto gol de cobertura, é outra coisa.
Ganhar em casa, em um jogo da primeira divisão é uma coisa.
Ganhar do líder, em um jogo da primeira divisão, no mesmo fim de semana que o outro é humilhado com um chocolate, com o quarto gol de cobertura, é outra coisa.
Moro do lado de um escola infantil e nessa segunda-feira, às sete da manhã, os gritos de “nêêêêêêgooooo, nêêêêêêgooooo” entoados pelas crianças soavam como uma divertida melodia. Fim de semana acachapante.
No jogo contra o Chile, sentei colado com a torcida chilena e a torcida do Bahia, que por estar vestida com as mesmas cores do Chile, era motivo de piada por parte dos hermanos:
– Vocês são chilenos? – perguntava um.
Como ali era a única forma do tricolor baiano aparecer pro Brasil, eles tentaram durante o jogo um grito de “Bahia”, mas foram humilhantemente calados pelas vaias que ecoaram pelo estádio de Pituaçu.
No Barradão eles são mais covardes e foram de verde. Revoltados pela humilhação sofrida no dia anterior, quando tomaram de 4 x 1 da Portuguesa, os torcedores do Bahia foram torcer pro Palmeiras, acreditando que assim poderiam sentir um pouquinho do doce sabor da vitória. Tentaram de novo ecoar alguns gritos, porém, mais uma vez, foram abafados pela massa rubro-negra que enchia o estádio.
Jogo contra o líder do campeonato é sempre apreensivo, mas no banheiro, mijando antes do jogo, enquanto um torcedor do Palmeiras, ou melhor, do Bahia, mijava, um outro rubro-negro disse:
– Esse palmeirense tá aqui mijando, mas tem um palmeirense que sempre que joga contra o Vitória se caga todo...
– Quem é? – perguntou um outro anônimo.
– Marcos – respondeu, gerando risada de todos, menos do torcedor indefinido.
O fato do goleiro palmeirense se cagar contra o Vitória (lembrando o 7 x 2 e o rebaixamento anos atrás) geraria outras risadas aos 19 minutos do primeiro tempo. Ramon cruzou, ele foi tirar de forma estabanada, mirou na moleira de Uéliton e um a zero Vitória. Veja o vídeo exclusivo aqui.
O Vitória, que antes do gol já tinha metido uma bola na trave com Roger, continuou pressionando e aos 36 minutos, o nome do time nessa fase da competição perdeu o gol mais feito de todos os babas do fim de semana. Na jogada, Marcos cagou de novo, dessa vez numa simples saída de bola, e a dita cuja sobrou pra Berola que tentou limpa-lo, mas, talvez pelo goleiro já estar todo melado, não conseguiu.
– Que porra! Lá no meu baba, que eu PAGO pra jogar, se eu perder um gol desse eu sou tirado na hora. Esse cara GANHA pra isso e perde o gol?! Putaquepariu, vá tomar no c... – gritava um torcedor do meu lado, fortalecendo as palavras em caixa alta.
Pior que ter perdido esse gol foi tomar um logo depois, o que fez a torcida se irritar mais ainda desse gol perdido. Mais até do que com o gol sofrido:
– Se tivesse feito dois a zero o jogo era outro... Era pra chegar chutando. Porra! – reclamava o mesmo, que fez esse discurso durante todo o intervalo.
Um a um e fim do primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o Palmeiras parecia querer ganhar. Voltou melhor, mas como o goleiro do Vitória não se caga diante deles, defendeu as duas jogadas dos paulistas. Depois disso, pra desespero dos tricolores, só deu Vitória e aos 25 minutos a bola sobrou pro cara que tinha perdido o gol feito e, dessa vez, ele não repetiu o erro. Neto Berola, dois a um Vitória.
Logo depois, como se só estivesse ali até concertar o erro, Berola saiu do jogo dando lugar a Derlei, que estreava. Aos 35 ele mandou perto, mas aos 39 mandou pra longe. Pra longe do alcance de Marcos, que até salvou o que seria um gol olímpico de Ramon, mas ficou ajoelhado dentro do gol, vendo o estreante fazer o terceiro rubro-negro.
“É, o Vitória é foda”, pensou o goleiro alviverde.
Depois o Palmeiras fez um golzinho sem graça, mas muitos tricolores já deixavam o estádio.
Vitória 3 X 2 Palmeiras.
Perder em casa, em um jogo da segunda divisão, é uma coisa.
Ser humilhado em casa com um chocolate, em um jogo da segunda divisão, com o quarto gol de cobertura, é outra coisa.
Ganhar em casa, em um jogo da primeira divisão é uma coisa.
Ganhar do líder, em um jogo da primeira divisão, no mesmo fim de semana que o outro é humilhado com um chocolate, com o quarto gol de cobertura, é outra coisa.
Moro do lado de um escola infantil e nessa segunda-feira, às sete da manhã, os gritos de “nêêêêêêgooooo, nêêêêêêgooooo” entoados pelas crianças soavam como uma divertida melodia. Fim de semana acachapante.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Vitória X Cruzeiro (empate vitorioso)
Chuva da porra, horário de filha da puta, time sem emplacar, amigo desistindo de ir, mulher insistindo pra não ir... mas eu fui. Às 18 em ponto parei meu carro no estacionamento e fiquei esperando o temporal passar. Deu 18:15 e a chuva só aumentou. O rádio dizia que o campo estava encharcado. “Se a chuva não passar, vou voltar pra casa”, pensei. Deu 18:20, a chuva não passou e a rádio entrevistou um torcedor de dentro do estádio:
– E aí, muita chuva, né? – perguntou o repórter.
– Rapaz, muita chuva, mas eu queria pedir ao torcedor do Vitória que estiver me ouvindo agora, que ele venha pro jogo, que enfrente a chuva, porque saiba que o Vitória tá nessa situação porque ele joga na primeira divisão do campeonato brasileiro, então só tem jogo difícil e tem que ser assim, porque a coisa é na raça, pois pra tá aqui é pra jogar com os melhores, com Internacional, com Flamengo, com Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians... então, torcedor, você que tá me ouvindo, venha... – o repórter ficou mudo e eu abri a porta do carro.
Coloquei a filmadora debaixo do meu eficiente casaco de chuva e fiquei na fila do nada eficiente Sou Mais Vitória. O estádio bem mais vazio que o habitual e ainda assim tinha fila.
Entrei no estádio e a chuva, suavemente, passou.
Mesmo entrando com o jogo já em andamento, fui ao banheiro. Não consigo ver o jogo com vontade de mijar. Mijei, sentei e gol do Cruzeiro. Três minutos de jogo. No lamaçal, jogadores escorregando, drible doido surtindo efeito, um maluco chutou, Viáfara fez seu milagre nosso de cada jogo, a defesa fez sua merda nossa de cada jogo, a bola sobrou pra outro maluco que, livre, quase não precisou chutar, pois a bola bateu nele e foi entrando. Um a zero Cruzeiro. A nação rubro-negra não se intimidou e deu apoio aos seus soldados:
– É primeira divisão, porra, é isso mesmo, vamo virar essa porra – gritou o cara do meu lado.
Quando ele se sentou, perguntei:
– E aí, man, beleza... Por acaso foi você quem deu uma entrevista no rádio agora a pouco?
– Não, porquê?
– Nada não...
E o Vitória partiu pra cima. Nino Paraíba teve a difícil missão de substituir um ídolo em um jogo difícil e se saiu muito bem. Rápido como Apodi, deu canseira na boa defesa do Cruzeiro. O Vitória foi com tudo: pelo meio, pelo lado esquerdo, pelo lado direito, de falta, de escanteio, de cabeça, de gol impedido, com Ramon, Leandro, Roger, Neto Berola (que acredito que vai ser o nome do Vitória nessa fase da competição), mas a bola não entrava.
– Esse Roger é uma merda. Que porra... Ele come quem nessa direção? Só pode comer alguém? – desabafou um abafado, impaciente com os constantes gols perdidos de Roger.
Fim do primeiro tempo. Um a zero pro Cruzeiro. Pensei como seria o dia seguinte, a segunda-feira, com meus amigos do trabalho felizes com o Bahia. Quando o Bahia perdeu o CampeoNeto Baiano (pela oitava vez seguida), eles fingiram desprezo; aí a merda ganha um joguinho na segunda divisão e eles fazem carreata. Imaginei como seria o dia seguinte se aquele placar de um a zero persistisse.
Começou o segundo tempo e o Vitória continuou melhor em campo. Mas foi o Cruzeiro quem fez o segundo gol. Pênalti, gol e dois a zero.
“Dá pra empatar”, pensei com fé e quando vi a bola cruzar na área, bem na minha frente (veja aqui no vídeo exclusivo), vi que ela ia pra cabeça de Roger. Lembrei do gol contra o Flamengo no Engenhão nesse ano e pensei “esse ele vai fazer” e fez. Dois a um, três minutos depois do dois a zero. Faltavam ainda 25 minutos de jogo. “Dá pra empatar”, pensei de novo. E até virar...
O Vitória continuou indo pra cima e o Cruzeiro só tentando os contra-ataques. O Cruzeiro chegou três vezes ao ataque e fez gol em todos. Aos 31, três a um. Foi um banho de água fria, principalmente pelo fato da chuva ter voltado com tudo logo depois desse gol.
Faltavam 14 minutos. Era o mesmo placar pelo qual o Bahia ganhara no dia anterior, também contra um time azul e branco. Pensei até em faltar o trabalho. Se o jogo fosse fora de casa, vá lá... Mas no Barradão é foda.
Aos 38 minutos, a chuva, que passou o jogo todo quieta, anunciava o final melancólico. Faltavam apenas sete minutos e dois gols para pelo menos manter a dignidade. Com a chuva que caía, eu não poderia mais filmar nada para não molhar a máquina e achei melhor ir embora. Desanimado, subi as escadas em direção à saída. Uns dez passos depois que saí do estádio, ouvi o “grande grito” vindo de dentro: GOOOLLLLLL. Primeira vez que eu ouvia um gol de fora do Barradão. Até foi emocionante, mas perguntei o tempo a um torcedor que ouvia pelo rádio, ele respondeu “41”. Um outro que nos ouvia, gritou, revoltado:
– E isso é hora de fazer gol? Perde vinte gols durante o jogo e só faz um gol agora? Que porra!
A chuva engrossou ainda mais, fui andando sozinho em direção ao meu carro, pulando as lamas, cruzando os carros engarrafados e meditando “bora, Vitória, faz mais um gol, só mais um, só mais um, só mais um...”.
Os gritos foram chegando aos poucos, em ondas, até que me dei conta de que só podia ter sido o terceiro gol do Vitória. E era. O buzinaço começou e um cara de uma camionete abriu o vidro só pra me dizer “gol de Roger, gol de Roger”, enquanto a chuva encharcava o interior de seu carro. Gol não: golaço. Desconfio seriamente que pedi tanto “só mais um” que foi por isso que o Vitória não virou o jogo. Se Roger faz aquele quarto gol...
Mas foi um três a três com gosto de vitória, com perdão do trocadilho.
Primeira divisão é assim. Jogo de gente grande. E time grande.
– E aí, muita chuva, né? – perguntou o repórter.
– Rapaz, muita chuva, mas eu queria pedir ao torcedor do Vitória que estiver me ouvindo agora, que ele venha pro jogo, que enfrente a chuva, porque saiba que o Vitória tá nessa situação porque ele joga na primeira divisão do campeonato brasileiro, então só tem jogo difícil e tem que ser assim, porque a coisa é na raça, pois pra tá aqui é pra jogar com os melhores, com Internacional, com Flamengo, com Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians... então, torcedor, você que tá me ouvindo, venha... – o repórter ficou mudo e eu abri a porta do carro.
Coloquei a filmadora debaixo do meu eficiente casaco de chuva e fiquei na fila do nada eficiente Sou Mais Vitória. O estádio bem mais vazio que o habitual e ainda assim tinha fila.
Entrei no estádio e a chuva, suavemente, passou.
Mesmo entrando com o jogo já em andamento, fui ao banheiro. Não consigo ver o jogo com vontade de mijar. Mijei, sentei e gol do Cruzeiro. Três minutos de jogo. No lamaçal, jogadores escorregando, drible doido surtindo efeito, um maluco chutou, Viáfara fez seu milagre nosso de cada jogo, a defesa fez sua merda nossa de cada jogo, a bola sobrou pra outro maluco que, livre, quase não precisou chutar, pois a bola bateu nele e foi entrando. Um a zero Cruzeiro. A nação rubro-negra não se intimidou e deu apoio aos seus soldados:
– É primeira divisão, porra, é isso mesmo, vamo virar essa porra – gritou o cara do meu lado.
Quando ele se sentou, perguntei:
– E aí, man, beleza... Por acaso foi você quem deu uma entrevista no rádio agora a pouco?
– Não, porquê?
– Nada não...
E o Vitória partiu pra cima. Nino Paraíba teve a difícil missão de substituir um ídolo em um jogo difícil e se saiu muito bem. Rápido como Apodi, deu canseira na boa defesa do Cruzeiro. O Vitória foi com tudo: pelo meio, pelo lado esquerdo, pelo lado direito, de falta, de escanteio, de cabeça, de gol impedido, com Ramon, Leandro, Roger, Neto Berola (que acredito que vai ser o nome do Vitória nessa fase da competição), mas a bola não entrava.
– Esse Roger é uma merda. Que porra... Ele come quem nessa direção? Só pode comer alguém? – desabafou um abafado, impaciente com os constantes gols perdidos de Roger.
Fim do primeiro tempo. Um a zero pro Cruzeiro. Pensei como seria o dia seguinte, a segunda-feira, com meus amigos do trabalho felizes com o Bahia. Quando o Bahia perdeu o CampeoNeto Baiano (pela oitava vez seguida), eles fingiram desprezo; aí a merda ganha um joguinho na segunda divisão e eles fazem carreata. Imaginei como seria o dia seguinte se aquele placar de um a zero persistisse.
Começou o segundo tempo e o Vitória continuou melhor em campo. Mas foi o Cruzeiro quem fez o segundo gol. Pênalti, gol e dois a zero.
“Dá pra empatar”, pensei com fé e quando vi a bola cruzar na área, bem na minha frente (veja aqui no vídeo exclusivo), vi que ela ia pra cabeça de Roger. Lembrei do gol contra o Flamengo no Engenhão nesse ano e pensei “esse ele vai fazer” e fez. Dois a um, três minutos depois do dois a zero. Faltavam ainda 25 minutos de jogo. “Dá pra empatar”, pensei de novo. E até virar...
O Vitória continuou indo pra cima e o Cruzeiro só tentando os contra-ataques. O Cruzeiro chegou três vezes ao ataque e fez gol em todos. Aos 31, três a um. Foi um banho de água fria, principalmente pelo fato da chuva ter voltado com tudo logo depois desse gol.
Faltavam 14 minutos. Era o mesmo placar pelo qual o Bahia ganhara no dia anterior, também contra um time azul e branco. Pensei até em faltar o trabalho. Se o jogo fosse fora de casa, vá lá... Mas no Barradão é foda.
Aos 38 minutos, a chuva, que passou o jogo todo quieta, anunciava o final melancólico. Faltavam apenas sete minutos e dois gols para pelo menos manter a dignidade. Com a chuva que caía, eu não poderia mais filmar nada para não molhar a máquina e achei melhor ir embora. Desanimado, subi as escadas em direção à saída. Uns dez passos depois que saí do estádio, ouvi o “grande grito” vindo de dentro: GOOOLLLLLL. Primeira vez que eu ouvia um gol de fora do Barradão. Até foi emocionante, mas perguntei o tempo a um torcedor que ouvia pelo rádio, ele respondeu “41”. Um outro que nos ouvia, gritou, revoltado:
– E isso é hora de fazer gol? Perde vinte gols durante o jogo e só faz um gol agora? Que porra!
A chuva engrossou ainda mais, fui andando sozinho em direção ao meu carro, pulando as lamas, cruzando os carros engarrafados e meditando “bora, Vitória, faz mais um gol, só mais um, só mais um, só mais um...”.
Os gritos foram chegando aos poucos, em ondas, até que me dei conta de que só podia ter sido o terceiro gol do Vitória. E era. O buzinaço começou e um cara de uma camionete abriu o vidro só pra me dizer “gol de Roger, gol de Roger”, enquanto a chuva encharcava o interior de seu carro. Gol não: golaço. Desconfio seriamente que pedi tanto “só mais um” que foi por isso que o Vitória não virou o jogo. Se Roger faz aquele quarto gol...
Mas foi um três a três com gosto de vitória, com perdão do trocadilho.
Primeira divisão é assim. Jogo de gente grande. E time grande.
domingo, 16 de agosto de 2009
Vitória X Coritiba (Sulamericana)
Jogo às 19:15 de uma quinta-feira é sacanagem, mas era também a estréia do Vitória em uma competição internacional. Consegui sair às 18:50 do trabalho e só entrei no Barradão aos 25 do primeiro tempo.
Aproveitando que já estava atrasado, aproveitei o fraco movimento no stand do “Sou mais Vitória” e finalmente peguei minha carteira. A camisa oficial, garantiu a funcionária, chegaria, sem falta, em setembro. Fiz a carteira em fevereiro.
Procurando lugar, percebi que o Vitória começou mal o jogo. Em uma tentativa frustrada de contra-ataque, os torcedores perderam a paciência:
– Que é que tá acontecendo com esse Vitória hoje? – gritou um bigodudo.
– Que porra é essa, Vitória? – gritou um careca, amigo do bigodudo.
Sentei atrás de um grupo que não parava de falar. Sentei de propósito para ouvir a conversa. Estádio vazio é bom pra isso.
¬– Vitória tá mal, é? – perguntei.
– Mal? Se tivesse mal tava bom. O Vitória tá um cu...
Outro fator bom do estádio vazio foi que, em uma bola no meio campo, Willian dominou sem perceber que tinha um marcador do Coritiba atrás dele. A torcida junta gritou “LADRÃO”. Willian na hora tocou a bola.
Em outro lance, Apodi estava marcando perto da arquibancada e conseguiu desarmar a jogada, botando a bola pra fora. O careca gritou:
– Boa, Apodi, seu lugar é aí, porra...
Apodi, na hora, olhou na direção da gente.
“Porra, ele ouviu, ele ouviu...”, disseram vários ao mesmo tempo.
O Vitória criou algumas jogadas no final do primeiro tempo. Roger perdeu um gol debaixo da trave e os torcedores, como em todos os temas sobre futebol, não se entendem:
– Ele é muito lento – disse o bigodudo.
Um gordinho defendeu:
– Rapaz, o cara é bom, não é à toa que ele fez nove gols. Isso aqui é primeira divisão, fazer nove gols na primeira divisão não é pra qualquer um...
– Fez nove mas perdeu noventa...
Apodi também tentou chutando de fora, mas o goleiro espalmou e o primeiro tempo terminou zero a zero.
Pro segundo tempo, fui filmar perto do gol do ataque do Vitória. Colado no alambrado estavam dezenas de crianças. Aquelas criaturas inocentes e engraçadas infernizavam Eduardo, o goleiro do Coritiba, que se aquecia pro segundo tempo. “Vai tomar frango”, “Viado” e “Cabeça de rola” era o que o pobre rapaz mais ouvia.
E no primeiro minuto, ele tomou um. Não foi um frango, mas foi gol. Um a zero Vitória. Veja vídeo aqui.
Um cara me viu filmado, se aproximou e começou a falar:
– Rapaz, eu acho que tem que colocar Bida no lugar de Willian e Neto Berola no lugar de Jackson. Tô falando isso porque o torcedor não é burro. Eu jogo bola, você joga bola... A gente entende, né não?
Willian entrou pela esquerda e chutou forte. O goleiro defendeu. Em outro contra-ataque, Jackson chegou atrasado.
O cara ficou pirado:
– Que burrice da porra, viu Ricardo? – disse, gritando para Ricardo Silva, o técnico do Vitória nessa partida. Ele continuou: – Deixar de botar um cara de 20 anos pra colocar um de 40 é foda. Não tá vendo que o ataque tá sem velocidade?
Em outro momento, Gléguer falhou e, mesmo tendo sido o herói do último jogo, o torcedor me faz crer que se Cristo voltasse, que ele seria novamente crucificado:
– Esse Gléguer nunca me passou confiança – vociferava ele, virando pra mim, dizendo: – Esse time vai ter que melhorar. Dando 160 mil reais por mês pra Mancini, esse time vai ter que melhorar...
A torcida toda estava impaciente com Jackson. Ele perdia uma bola e a torcida pedia sua saída. E isso de pegar no pé de Jackson não foi a primeira vez que aconteceu no Barradão, assim como não foi a primeira vez que aconteceu de, justamente nesse momento, Jackson fazer um gol: uma arrancada digna de um garoto que terminou com a bola no canto esquerdo do gol, mostrando pra torcida que o que importa no futebol é a raça. Dois a zero, um bom placar para o jogo de volta.
Depois Jackson ainda quase fez outro, chutando de longe no canto direito, fazendo Eduardo se esticar todo.
Na subida das escadas, ido embora, muitos diziam:
– O velhinho é foda... Eu te falei, o velhinho tem que ser titular...
Aproveitando que já estava atrasado, aproveitei o fraco movimento no stand do “Sou mais Vitória” e finalmente peguei minha carteira. A camisa oficial, garantiu a funcionária, chegaria, sem falta, em setembro. Fiz a carteira em fevereiro.
Procurando lugar, percebi que o Vitória começou mal o jogo. Em uma tentativa frustrada de contra-ataque, os torcedores perderam a paciência:
– Que é que tá acontecendo com esse Vitória hoje? – gritou um bigodudo.
– Que porra é essa, Vitória? – gritou um careca, amigo do bigodudo.
Sentei atrás de um grupo que não parava de falar. Sentei de propósito para ouvir a conversa. Estádio vazio é bom pra isso.
¬– Vitória tá mal, é? – perguntei.
– Mal? Se tivesse mal tava bom. O Vitória tá um cu...
Outro fator bom do estádio vazio foi que, em uma bola no meio campo, Willian dominou sem perceber que tinha um marcador do Coritiba atrás dele. A torcida junta gritou “LADRÃO”. Willian na hora tocou a bola.
Em outro lance, Apodi estava marcando perto da arquibancada e conseguiu desarmar a jogada, botando a bola pra fora. O careca gritou:
– Boa, Apodi, seu lugar é aí, porra...
Apodi, na hora, olhou na direção da gente.
“Porra, ele ouviu, ele ouviu...”, disseram vários ao mesmo tempo.
O Vitória criou algumas jogadas no final do primeiro tempo. Roger perdeu um gol debaixo da trave e os torcedores, como em todos os temas sobre futebol, não se entendem:
– Ele é muito lento – disse o bigodudo.
Um gordinho defendeu:
– Rapaz, o cara é bom, não é à toa que ele fez nove gols. Isso aqui é primeira divisão, fazer nove gols na primeira divisão não é pra qualquer um...
– Fez nove mas perdeu noventa...
Apodi também tentou chutando de fora, mas o goleiro espalmou e o primeiro tempo terminou zero a zero.
Pro segundo tempo, fui filmar perto do gol do ataque do Vitória. Colado no alambrado estavam dezenas de crianças. Aquelas criaturas inocentes e engraçadas infernizavam Eduardo, o goleiro do Coritiba, que se aquecia pro segundo tempo. “Vai tomar frango”, “Viado” e “Cabeça de rola” era o que o pobre rapaz mais ouvia.
E no primeiro minuto, ele tomou um. Não foi um frango, mas foi gol. Um a zero Vitória. Veja vídeo aqui.
Um cara me viu filmado, se aproximou e começou a falar:
– Rapaz, eu acho que tem que colocar Bida no lugar de Willian e Neto Berola no lugar de Jackson. Tô falando isso porque o torcedor não é burro. Eu jogo bola, você joga bola... A gente entende, né não?
Willian entrou pela esquerda e chutou forte. O goleiro defendeu. Em outro contra-ataque, Jackson chegou atrasado.
O cara ficou pirado:
– Que burrice da porra, viu Ricardo? – disse, gritando para Ricardo Silva, o técnico do Vitória nessa partida. Ele continuou: – Deixar de botar um cara de 20 anos pra colocar um de 40 é foda. Não tá vendo que o ataque tá sem velocidade?
Em outro momento, Gléguer falhou e, mesmo tendo sido o herói do último jogo, o torcedor me faz crer que se Cristo voltasse, que ele seria novamente crucificado:
– Esse Gléguer nunca me passou confiança – vociferava ele, virando pra mim, dizendo: – Esse time vai ter que melhorar. Dando 160 mil reais por mês pra Mancini, esse time vai ter que melhorar...
A torcida toda estava impaciente com Jackson. Ele perdia uma bola e a torcida pedia sua saída. E isso de pegar no pé de Jackson não foi a primeira vez que aconteceu no Barradão, assim como não foi a primeira vez que aconteceu de, justamente nesse momento, Jackson fazer um gol: uma arrancada digna de um garoto que terminou com a bola no canto esquerdo do gol, mostrando pra torcida que o que importa no futebol é a raça. Dois a zero, um bom placar para o jogo de volta.
Depois Jackson ainda quase fez outro, chutando de longe no canto direito, fazendo Eduardo se esticar todo.
Na subida das escadas, ido embora, muitos diziam:
– O velhinho é foda... Eu te falei, o velhinho tem que ser titular...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Vitória X Fluminense (tudo de novo)
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Antes de falar do jogo, uma curiosidade: descobri que no álbum de figurinhas do campeonato brasileiro deste ano, que o Bahia, diferente de outros times, só teve direito a uma página.
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O caminho ao estádio estava vazio. O Dia dos Pais (e as últimas derrotas do time) fez muitos torcedores não saírem de casa. Eu já não pude ir ao jogo contra o São Paulo, pois, mesmo sendo sábado, eu estava trabalhando. Desconfio que deu azar já que foi a primeira derrota no Barradão nesse campeonato. Tinha que ir nesse.
Fui ler o texto que fiz para o jogo Vitória X Fluminense do ano passado e achei que podia copiar e colar aqui. Muitas semelhanças entre os jogos: foi num dia de sol forte, o Vitória jogou com o uniforme número dois, o Fluminense estava na zona de rebaixamento, o Vitória saiu na frente, o Fluminense virou...
No jogo desse fim de semana, Roger deu o passe pra um gol, fez o outro, furou feio em um chute, foi fominha em outro lance, chegou lento em outra jogada... E Apodi tentou, Leandro Domingues tentou, Ramon entrou... Mas o jogo, também como no ano passado, acabou 2 x 2. Veja o vídeo aqui.
– Começou a crise – disseram os tricolores que trabalham comigo, na segunda-feira, um dia depois desse empate com o Fluminense.
Renato Gaúcho, hoje técnico do Fluminense, em 1989 disse que aqui na Bahia só tinha índio. Em compensação levou um ovo de mira laser na moleira. Veja vídeo aqui. E o torcedor do Bahia, como sempre mulher de malandro, ainda vai ao Barradão torcer pra ele. Vi muitos por lá, infiltrados, com crise de abstinência por um jogo da primeira divisão.
No dia do jogo contra o São Paulo, ficamos trabalhando ouvindo o jogo pela internet. Quando o São Paulo fez o gol, houve uma efusiva comemoração por parte da parte tricolor da sala. Eu e André, os únicos rubro-negros, fomos compreensivos com eles e deixamos que festejassem.
No sábado seguinte, trabalhando de novo, foi a vez de ouvir na internet Vila Nova X Bahia. Gol do Vila Nova e a parte rubro-negra humilhou os tricolores da sala ficando em completo silêncio. Eles também ficaram em silêncio, cabisbaixos... Aí eu olhei pra André e dei uma risadinha discreta que foi percebida pelos tricolores. Os caras então perderam o controle:
– Que é que esse torcedor do Vitória quer, meu Deus? – dizia um, menosprezando.
– Perderam de um a zero do São Paulo em casa, não podem falar nada – disse outro, sem senso de proporção.
– Sou bi, sou bi e você é o quê? – perguntou um, em completo desespero.
Respondi a ele que eu era hetero, mas que tudo bem, não tenho preconceitos...
E tudo isso porque eu dei uma risadinha.
Como já falei uma vez aqui nesse blog, inclusive no texto do ano passado do jogo contra o Fluminense, não filmo o ataque adversário. Faço isso por superstição (e pra economizar a fita e a bateria da filmadora), o que é muitas vezes injusto com o goleiro Viáfara, pois nunca registro os seus feitos. Um filho de um amigo meu tem dois colegas na escola que eram Bahia, mas que viraram Vitória por causa de Viáfara e Apodi.
Mas dessa vez a injustiça será com o goleiro que o substitui, Gléguer. Vale a lembrança das fantásticas defesas que fez durante o jogo todo, sobretudo, aos 48 do segundo tempo. Essas, além de espetaculares, valeram tanto quanto os dois gols do Vitória no jogo. O jogo acabou logo em seguida e Gléguer foi injustiçado por toda a torcida, que vaiava o time. Era pra ter aplaudido.
O campeonato é longo. É o campeonato brasileiro da primeira divisão, todo jogo é difícil, portanto, para mim, um empate em casa, faltando metade do campeonato, passa longe de ser algo desesperador. Mas mesmo assim Capergiani foi demitido. Para muitos ali no Barradão, para a imprensa que fatura com isso e para o pobre torcedor do Bahia, o empate em casa era motivo de crise no Vitória.
Quando acabei de escrever esse texto, descobri que o jogo Bahia X Ponte Preta acabou 2 x 2. Empatou em casa e está a um ponto da zona do rebaixamento para a 3º Divisão.
Cheguei ao trabalho e pra respeitar a dor dos meu colegas, não fiquei em silêncio e perguntei com uma certa dose de misericórdia:
– E esse Bahia, hein?
São meus amigos, gosto deles e achei que o silêncio seria muita humilhação.
Antes de falar do jogo, uma curiosidade: descobri que no álbum de figurinhas do campeonato brasileiro deste ano, que o Bahia, diferente de outros times, só teve direito a uma página.
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O caminho ao estádio estava vazio. O Dia dos Pais (e as últimas derrotas do time) fez muitos torcedores não saírem de casa. Eu já não pude ir ao jogo contra o São Paulo, pois, mesmo sendo sábado, eu estava trabalhando. Desconfio que deu azar já que foi a primeira derrota no Barradão nesse campeonato. Tinha que ir nesse.
Fui ler o texto que fiz para o jogo Vitória X Fluminense do ano passado e achei que podia copiar e colar aqui. Muitas semelhanças entre os jogos: foi num dia de sol forte, o Vitória jogou com o uniforme número dois, o Fluminense estava na zona de rebaixamento, o Vitória saiu na frente, o Fluminense virou...
No jogo desse fim de semana, Roger deu o passe pra um gol, fez o outro, furou feio em um chute, foi fominha em outro lance, chegou lento em outra jogada... E Apodi tentou, Leandro Domingues tentou, Ramon entrou... Mas o jogo, também como no ano passado, acabou 2 x 2. Veja o vídeo aqui.
– Começou a crise – disseram os tricolores que trabalham comigo, na segunda-feira, um dia depois desse empate com o Fluminense.
Renato Gaúcho, hoje técnico do Fluminense, em 1989 disse que aqui na Bahia só tinha índio. Em compensação levou um ovo de mira laser na moleira. Veja vídeo aqui. E o torcedor do Bahia, como sempre mulher de malandro, ainda vai ao Barradão torcer pra ele. Vi muitos por lá, infiltrados, com crise de abstinência por um jogo da primeira divisão.
No dia do jogo contra o São Paulo, ficamos trabalhando ouvindo o jogo pela internet. Quando o São Paulo fez o gol, houve uma efusiva comemoração por parte da parte tricolor da sala. Eu e André, os únicos rubro-negros, fomos compreensivos com eles e deixamos que festejassem.
No sábado seguinte, trabalhando de novo, foi a vez de ouvir na internet Vila Nova X Bahia. Gol do Vila Nova e a parte rubro-negra humilhou os tricolores da sala ficando em completo silêncio. Eles também ficaram em silêncio, cabisbaixos... Aí eu olhei pra André e dei uma risadinha discreta que foi percebida pelos tricolores. Os caras então perderam o controle:
– Que é que esse torcedor do Vitória quer, meu Deus? – dizia um, menosprezando.
– Perderam de um a zero do São Paulo em casa, não podem falar nada – disse outro, sem senso de proporção.
– Sou bi, sou bi e você é o quê? – perguntou um, em completo desespero.
Respondi a ele que eu era hetero, mas que tudo bem, não tenho preconceitos...
E tudo isso porque eu dei uma risadinha.
Como já falei uma vez aqui nesse blog, inclusive no texto do ano passado do jogo contra o Fluminense, não filmo o ataque adversário. Faço isso por superstição (e pra economizar a fita e a bateria da filmadora), o que é muitas vezes injusto com o goleiro Viáfara, pois nunca registro os seus feitos. Um filho de um amigo meu tem dois colegas na escola que eram Bahia, mas que viraram Vitória por causa de Viáfara e Apodi.
Mas dessa vez a injustiça será com o goleiro que o substitui, Gléguer. Vale a lembrança das fantásticas defesas que fez durante o jogo todo, sobretudo, aos 48 do segundo tempo. Essas, além de espetaculares, valeram tanto quanto os dois gols do Vitória no jogo. O jogo acabou logo em seguida e Gléguer foi injustiçado por toda a torcida, que vaiava o time. Era pra ter aplaudido.
O campeonato é longo. É o campeonato brasileiro da primeira divisão, todo jogo é difícil, portanto, para mim, um empate em casa, faltando metade do campeonato, passa longe de ser algo desesperador. Mas mesmo assim Capergiani foi demitido. Para muitos ali no Barradão, para a imprensa que fatura com isso e para o pobre torcedor do Bahia, o empate em casa era motivo de crise no Vitória.
Quando acabei de escrever esse texto, descobri que o jogo Bahia X Ponte Preta acabou 2 x 2. Empatou em casa e está a um ponto da zona do rebaixamento para a 3º Divisão.
Cheguei ao trabalho e pra respeitar a dor dos meu colegas, não fiquei em silêncio e perguntei com uma certa dose de misericórdia:
– E esse Bahia, hein?
São meus amigos, gosto deles e achei que o silêncio seria muita humilhação.
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