Freqüento regularmente o Vale do Capão, na Chapada Diamantina e, desde que fui lá pela primeira vez, nos idos dos anos 90, fico hospedado no Sempre Viva, um camping-pousada de propriedade de Lili. Lili é nativo do Vale e, além da pousada, também é dono de um mercadinho, de um restaurante, de terrenos e diversos outros negócios. E, como a maioria dos moradores da região, assim como do interior de todo o estado da Bahia, ele não torce nem pro finado Bahia nem pro Vitória.
– Como a imagem que chega aqui vem da parabólica, só captamos o sinal do Rio e de São Paulo, daí nunca vemos os jogos da dupla baiana – justifica ele, que é são-paulino.
Em 2008, ano da volta do Vitória para a primeira divisão do Brasileirão, eu estava indo pra todos os jogos e o time não havia perdido nenhuma partida no Barradão. Até que chegou o jogo contra o São Paulo e eu não pude ir por motivo de força maior. Um cantor do Rio de Janeiro chamado Baia iria se apresentar em Salvador e, pra economizar os custos, viria sem banda, usando músicos locais. Fui escalado pra ser o baterista e um dos ensaios foi justamente no horário do jogo. O Vitória perdeu o jogo e a invencibilidade em casa.
Em 2009 eu estava indo pra todos os jogos e o time não havia perdido nenhuma partida no Barradão. Até que chegou o jogo contra o São Paulo e eu não pude ir por motivo de força maior. Trabalhava numa agencia de propaganda e a equipe de criação teve de trabalhar o fim de semana todo para finalizar uma campanha. Passei o domingo na agencia, ouvindo o jogo pela rádio, ao lado de diversos infelizes torcedores do Bahia. O Vitória perdeu o jogo e a invencibilidade em casa.
Em 2010 eu estava indo pra todos os jogos e o time não havia perdido nenhuma partida no Barradão. Até que chegaria o jogo contra o São Paulo e, mais uma vez, eu não poderia ir por motivo de força maior, pois no mesmo final de semana teria a travessia de Juazeiro, pelo circuito baiano de maratonas aquáticas, nadando pelo rio São Francisco. Há anos que essa travessia não entrava no calendário, mas também há nove anos que o Vitória não ganhava do São Paulo. O último triunfo, por ironia do destino, foi quando Ricardo Gomes, atual técnico do São Paulo, era o técnico do Vitória. O placar foi o acachapante cinco a um. Quando vi que a data da travessia se chocaria com a do jogo contra o São Paulo, optei pelo futebol.
Fui com alguns amigos e fora do estádio, outra ironia. O candidato a deputado federal Juliano Matos distribuía panfletos para os torcedores, fazendo a rua ficar imunda com sua cara sorridente pelo chão. Aí vem a chuva, esses panfletos vão entupir os bueiros, vai alagar tudo e vai ser aquela imundice e aquele caos... A ironia é que esse candidato é do PV (Partido Verde).
Entrei no estádio e percebi uma pequena confusão formada, graças à novidade do Barradão. O setor para a torcida adversária agora tem uma entrada separada e isolada, isso para evitar o confronto direto entre torcedores desordeiros e, principalmente, para que o Vitória possa cobrar preços diferenciados, o que acho coerente. O cara vem torcer contra e paga a mesma coisa? Nada. Não gostou? Não venha. Mas aconteceu que alguns são-paulinos compraram ingressos “normais”, entrando pelas catracas “normais” e, quando viram que não poderiam ir para a sua torcida, tiveram de ser fortemente protegidos pela policia.
– Rá, rá, rá, se descer vai apanhar – gritavam os rubro-negros para os são-paulinos, que olhavam assustados para baixo.
Levar mulher pra estádio é sempre complicado. Ali é um lugar que naturalmente os ânimos já estão exaltados. E levar mulher pra estádio que vai vestida de periguete é pedir pra ser escaldado. Um cara, sem camisa de time, levou a namorada que chegou com duas jabulanis querendo saltar pra fora do pequeno decote e com uma calça colada também com duas jabulanis traseiras querendo pular pra fora. Os rubro-negros esqueceram um pouco os de cima e passaram a gritar “gostosa, gostosa, gostosa”. O cara ficou naquela de “peraí, galera, tá comigo, que é isso?”. A jabulosa e o desavisado saíram de cena e o “rá, rá, rá, se descer vai apanhar”, voltou.
A polícia, evitando que algo violento acontecesse, finalmente deixou que eles entrassem no curral – apelido dado pela torcida do Vitória para a passarela por onde os torcedores adversários passam – mesmo pagando menos, o que irritou muitos rubro-negros.
– Se fosse lá em São Paulo ou a gente voltava pra casa sem ver o jogo ou ia ter de tirar a camisa e ver o jogo com a torcida local, ficando quieto, sem torcer – disse um torcedor puto da vida.
Enquanto os visitantes desfilavam pela passarela, ouviam o coro “au, au, au, vai passar pelo curral”.
Nos posicionamos colado com a torcida adversária. O jogo começou e o Vitória já começou dizendo quem é que mandava ali.
– Bora, Vitória, que dessa vez eu to aqui – moleculava eu, da arquibancada.
E o Vitória tentou com chute de fora da área, de dentro da área, até que num cruzamento primoroso de Egídio, Elkeson pensou mais rápido que o zagueiro paulista e fez um a zero pro Vitória, de cabeça. Rogério Ceni nem se mexeu.
O rubro-negro continuo com fome de gol, mas não marcou. Já o São Paulo, no único vacilo do Vitória, empatou o jogo. Hernanes tabelou com Jean que chutou no canto de Viáfara. Um a um. Os tricolores paulistas e baianos deliraram com o empate.
Mas mesmo com o gol sofrido, o Vitória continuou mandando no jogo e teve chances de ampliar o placar, mas o primeiro tempo terminou um a um.
Depois do intervalo, os dois times voltaram pro campo e Rogério Ceni dessa vez ficaria perto de sua torcida.
“Puta que pariu, é o melhor goleiro do Brasil”, gritavam eles, se esquecendo que o melhor goleiro do Brasil estava do outro lado do gramado.
O segundo tempo começou e o Vitória, de novo, começou mostrando quem é que mandava naquele santuário ali. Logo aos dois minutos de jogo, em outro cruzamento rpimoro de Egídio, Schwenck cabeceou e o goleiro mais chato do Brasil ficou retadinho com o gol sofrido. Dois a um Vitória.
Filmando a cabisbaixa torcida do São Paulo avistei um pobre torcedor do defunto, colado no alambrado. Não ter time pra torcer deve ser uma merda mesmo. Apontei minha filmadora pra ele e fui em sua direção. Ele não percebeu que eu me aproximava. Enquanto eu chegava perto, um torcedor do São Paulo mandou ele vestir uma camisa do São Paulo por cima.
“Com essa urucubaca de time de segunda divisão você vai dar azar”, deve ter pensado o são-paulino, com razão. Cheguei perto dele e quando ele me viu filmando, eu disse:
– O Bahia tá acabado.
A torcida do finado tá muito nervosinha. O cara enlouqueceu.
– Va se fuder, tomar no cu, sou bi...
Ui, ui, ele é bi. E como eu já disse aqui, não tenho preconceito, mas sou hétero.
Logo depois, aos 12 minutos, após uma triangulação mortal entre Schwenck, Elkeson e Ramon, a bola sobrou redondinha pra este último. Rogério Ceni pensou que ele ia mandar a bola pra cá, mas Ramon mandou pra lá... Três a um.
– Esse jogo vai ser cinco a um de novo, esse jogo vai ser cinco a um de novo – gritava um torcedor do meu lado.
O São Paulo veio pra cima e até conseguiu um golzinho muxoxo, mas nada que preocupasse.
Já no fim do jogo, com os tricolores em silencio e sem força, dentro e fora do campo, ouvi alguém gritando:
– Ô, rapaz.
Olhei pra torcida do São Paulo e percebi que era pra mim. Era Lili. Nunca o tinha visto fora do Vale. Queria ter dado um abraço nele, mas o alambrado e a policial colada nele não deixariam. Tinha uma parte rasgada e nos demos a mão.
– Cadê, você, nunca mais foi no Capão – disse ele.
– Porra, Lili, é verdade, é que meu filho nasceu e vou ter de esperar ele crescer um pouquinho pra ir...
Ficamos conversando amenidades e nos despedimos. Mas antes, eu perguntei:
– E você saiu de lá do Capão pra ver o São Paulo perder, hein?
– Porra, com esse juiz aí... – se desculpou ele, sem perceber que o Vitória ganhou porque, talvez, de repente, dessa vez eu fui, e porque, com certeza, Nino Paraíba (esse cara é foda), Elkeson (esse também), Ramon (esse também), Viáfara (o melhor goleiro do Brasil), Ricardo Conceição, Anderson Martins, Wallace, Egídio, Vanderson, Fernando, Schwenck, Neto Coruja, Renato e Renan Oliveira jogaram pra caralho.
Veja o vídeo da partida, com direito a faniquito do torcedor do Bahia, aqui.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Vitória X Atlético PR (filme novo de Xurec)
Saí tarde do trabalho, porém, já sabia que seria assim e por isso meu pai não quis ir comigo ao Barradão.
– Eu que não vou pra chegar lá no meio do primeiro tempo – disse ele.
Quem dera eu chegar no meio do primeiro tempo... Quando eu cheguei, os dois times já estavam dentro dos vestiários.
– Sorte sua, foi um dos piores “primeiro tempo” que eu já vi. O Vitória tá péssimo – me disse um torcedor.
O burburinho era sobre o meia Ramon, que estava mal, sem criar e sem marcar...
– Tá sem ritmo, parado há muito tempo – dizia um.
– Tá velho – dizia outro.
– Se tá sem ritmo ou se tá velho não importa, o que importa é que o Vitória tem de contratar jogador... E urgente – disse um terceiro.
Fui procurar um lugar pra ficar e filmar os lances quando me lembrei da senhora do jogo passado, contra o outro Atlético, o mineiro. A encontrei, porém, onde ela estava tinha muita gente e não conseguiria boas imagens. Desci mais e me posicionei na frente de um pai que estava com sua filha. Ele na faixa dos 45, ela na faixa dos 10.
– O Vitória tá horrível – disse ela, me dando as boas vindas.
Começou o segundo tempo. O Vitória horrível veio pra cima com vontade e quase marcou, mas num contra-ataque quase tomou um gol.
– Devia ter tomado, pra tomar vergonha e acordar – disse a torcedora mirim.
– Fale isso, não... Se fazer um gol tá difícil, imagine dois – disse eu pra ela.
Como estávamos perto do alambrado, ela descia, colava nele e voltava com informações, como se tivesse visto o jogo de um ângulo exclusivo.
– Ramon tá podre, tem que colocar Renan Oliveira e Schwenck. Será que ele não percebe que o ataque é Júnior e Schwenck?
Boa pergunta.
O tempo passava, o Vitória tentava, mas o jogo continuava empatado. Elkerson era o cara. Armava as jogadas, chutava, marcava, mas a bola não entrava. O empate seria um péssimo resultado em casa.
Do lado de lá, Viáfara fazia seus milagres de cada jogo, nos deixando pensar ás vezes que tinha coisas pior que um empate.
– Se fosse Vinícius era gol – disse o pai da menina.
Ricardo Silva resolveu mudar. Tirou Ramon e colocou Renan Oliveira. Na saída de campo, Ramon foi aplaudido, o que achei uma atitude inteligente da torcida, apesar de alguns (poucos) aloprados o vaiarem. O cara já salvou o time infinitas vezes, pode decidir qualquer jogo, mas ainda assim não é suficiente. Ele tá mal, sem ritmo, mas vaiar Ramon é, pra mim, lastimável.
Ricardo Silve resolveu mudar de novo e, finalmente, colocou Schwenck, autor de três dos quatro gols contra a galinha de Minas Gerais.
Resolvi também mudar e fui ficar atrás do gol do Atlético Paranaense, onde o goleiro Neto era xingado por todos pelas excessivas ceras que fazia. Pra bater um tiro de meta era uma lentidão da porra. E o sacana do juiz não fazia nada.
– Bate logo essa porra, seu filho de uma prostitua com um padre pedófilo – disse um.
Mas o Vitória teve uma falta a seu favor. A bola seria jogada na área. Elkerson bateu e no meio do empurra-empurra Schwenck subiu mais que o zagueiro baixinho que o marcava. Antes da bola entrar, um cara do meu lado disse “gol de Schwenck”. Profecia realizada. Vitória um a zero.
O goleiro atleticano chiou, brigou com a zaga, chutou a grama, a trave, ouviu foi coisa dos torcedores e passou a cobrar tiro de meta com uma velocidade inacreditável.
No final, o Atlético quase fez o gol de empate, o que seria um resultado deprimente, mas o melhor goleiro do Brasil estava em campo. É incrível o que esse cara consegue fazer. Antes de entrar em campo ainda deu uma entrevista de arrepiar:
– Viáfara, você que ficou de fora desses últimos jogos, quando você assiste as partidas você se envolve? – perguntou o repórter.
– Você tem que entender uma coisa: eu não sou só um atleta do Vitória; eu sou, sobretudo, um torcedor do Vitória – disse ele, com seu clássico sotaque.
Realmente é uma pena eu não filmar os feitos desse cara nos gramados.
Para ver o vídeo dessa partida clique aqui.
– Eu que não vou pra chegar lá no meio do primeiro tempo – disse ele.
Quem dera eu chegar no meio do primeiro tempo... Quando eu cheguei, os dois times já estavam dentro dos vestiários.
– Sorte sua, foi um dos piores “primeiro tempo” que eu já vi. O Vitória tá péssimo – me disse um torcedor.
O burburinho era sobre o meia Ramon, que estava mal, sem criar e sem marcar...
– Tá sem ritmo, parado há muito tempo – dizia um.
– Tá velho – dizia outro.
– Se tá sem ritmo ou se tá velho não importa, o que importa é que o Vitória tem de contratar jogador... E urgente – disse um terceiro.
Fui procurar um lugar pra ficar e filmar os lances quando me lembrei da senhora do jogo passado, contra o outro Atlético, o mineiro. A encontrei, porém, onde ela estava tinha muita gente e não conseguiria boas imagens. Desci mais e me posicionei na frente de um pai que estava com sua filha. Ele na faixa dos 45, ela na faixa dos 10.
– O Vitória tá horrível – disse ela, me dando as boas vindas.
Começou o segundo tempo. O Vitória horrível veio pra cima com vontade e quase marcou, mas num contra-ataque quase tomou um gol.
– Devia ter tomado, pra tomar vergonha e acordar – disse a torcedora mirim.
– Fale isso, não... Se fazer um gol tá difícil, imagine dois – disse eu pra ela.
Como estávamos perto do alambrado, ela descia, colava nele e voltava com informações, como se tivesse visto o jogo de um ângulo exclusivo.
– Ramon tá podre, tem que colocar Renan Oliveira e Schwenck. Será que ele não percebe que o ataque é Júnior e Schwenck?
Boa pergunta.
O tempo passava, o Vitória tentava, mas o jogo continuava empatado. Elkerson era o cara. Armava as jogadas, chutava, marcava, mas a bola não entrava. O empate seria um péssimo resultado em casa.
Do lado de lá, Viáfara fazia seus milagres de cada jogo, nos deixando pensar ás vezes que tinha coisas pior que um empate.
– Se fosse Vinícius era gol – disse o pai da menina.
Ricardo Silva resolveu mudar. Tirou Ramon e colocou Renan Oliveira. Na saída de campo, Ramon foi aplaudido, o que achei uma atitude inteligente da torcida, apesar de alguns (poucos) aloprados o vaiarem. O cara já salvou o time infinitas vezes, pode decidir qualquer jogo, mas ainda assim não é suficiente. Ele tá mal, sem ritmo, mas vaiar Ramon é, pra mim, lastimável.
Ricardo Silve resolveu mudar de novo e, finalmente, colocou Schwenck, autor de três dos quatro gols contra a galinha de Minas Gerais.
Resolvi também mudar e fui ficar atrás do gol do Atlético Paranaense, onde o goleiro Neto era xingado por todos pelas excessivas ceras que fazia. Pra bater um tiro de meta era uma lentidão da porra. E o sacana do juiz não fazia nada.
– Bate logo essa porra, seu filho de uma prostitua com um padre pedófilo – disse um.
Mas o Vitória teve uma falta a seu favor. A bola seria jogada na área. Elkerson bateu e no meio do empurra-empurra Schwenck subiu mais que o zagueiro baixinho que o marcava. Antes da bola entrar, um cara do meu lado disse “gol de Schwenck”. Profecia realizada. Vitória um a zero.
O goleiro atleticano chiou, brigou com a zaga, chutou a grama, a trave, ouviu foi coisa dos torcedores e passou a cobrar tiro de meta com uma velocidade inacreditável.
No final, o Atlético quase fez o gol de empate, o que seria um resultado deprimente, mas o melhor goleiro do Brasil estava em campo. É incrível o que esse cara consegue fazer. Antes de entrar em campo ainda deu uma entrevista de arrepiar:
– Viáfara, você que ficou de fora desses últimos jogos, quando você assiste as partidas você se envolve? – perguntou o repórter.
– Você tem que entender uma coisa: eu não sou só um atleta do Vitória; eu sou, sobretudo, um torcedor do Vitória – disse ele, com seu clássico sotaque.
Realmente é uma pena eu não filmar os feitos desse cara nos gramados.
Para ver o vídeo dessa partida clique aqui.
sábado, 29 de maio de 2010
Vitória X Atlético MG (na cocó)
Fui renovar o Sou Mais Vitória no dia do jogo contra o Atlético MG. Cheguei na loja do Capemi dentro do horário comercial normal, exatamente às 15h.
– Já encerramos – disse a atendente.
– Hein?
– Já encerramos – repetiu ela.
– Como assim? São três horas da tarde... – perguntei.
– Dia de jogo a gente encerra mais cedo, olha ali o aviso na porta.
Realmente tinha um aviso na porta, mas eu disse a ela que eu não tinha o hábito de ficar passando pela porta da loja do Vitória regularmente para ver os avisos deixados nela; pelo contrario, nunca vou ao Capemi.
– Por que não coloca essa informação no site, então? – questionei, já nervoso.
– O site tá fora do ar.
– Não, senhora, o site tá no ar. No endereço do E.C. Vitória tem um link pro Sou Mais Vitória que abre uma página com os pacotes e seus preços, e nessa página não tem nada sobre os horários.
Ela aceitou:
– É, realmente é uma falha nossa... Mas já encerramos por hoje.
Questionei o porquê desse absurdo e recebi a resposta que em dia do jogo os funcionários da loja têm de ir mais cedo ao Barradão, pois o efetivo de trabalhadores no estádio é pequeno.
Que tá difícil contratar jogadores, é até entendível, mas será que tá difícil contratar pessoal? E por que pedem nosso e-mail no cadastro se nunca mandam uma informação, uma notícia explicando alguma coisa ao associado? Eu ainda liguei no dia anterior pra perguntar que horas abria a loja e a atendente respondeu que era às nove horas. Ela não podia ter completado a informação? Dizendo “e fechamos às 14h, pois é dia de jogo e não temos pessoal suficiente pra blá, blá, blá...”.
Saí de lá pirado. Não iria ver a partida contra o Galo, pois não iria comprar o ingresso de um jogo que já estaria incluso no valor da renovação do Sou Mais Vitória.
O problema é que indo embora veio o velho pensamento de que se eu não fosse o Vitória perderia. Ainda mais com quatro desfalques, inclusive do goleiro Viáfara e do artilheiro Júnior. Apesar de achar o Itaú, assim como o Unibanco, um banco de ladrões FDP, fiquei aliviado por ter o Itaucard e pagar meia entrada.
Cheguei atrasado ao estádio. O jogo já tinha começado e no caminho para o meu local de praxe, avistei uma torcedora bastante interessante. Baixinha, cheinha, faixa dos 70, vestida com o manto rubro-negro e que não parava de gritar um segundo sequer.
O Vitória na zaga ou no ataque ela berrava “nêêêêêêêêgooooooooo”. Vez ou outra ela pedia uma ajuda a todos os santos e a todos os orixás que conhecia.
– Vou ficar um tempo por aqui – disse eu, para meu amigo que me acompanhava.
Sentei ao lado dela e comecei a filmar o jogo. No primeiro lance, ataque rubro-negro, cruzamento rasteiro, XUREC e GOL.
Não acreditei. Assim que sentei e liguei a câmera o Vitória fez um gol. Consegui filmar o gol nitidamente, sem ninguém na minha frente, registrei toda a jogada. Filmei a torcida e tudo o que tinha direito. A tal torcedora, emocionada, disse que o gol tinha sido de “Smith”. Mais um apelido pra Schwenck.
Mas então vejo algo de errado. A luz da filmadora estava verde, quando deveria estar vermelha. Eu apenas tinha ligado a dita cuja e não apertei o REC. Não registrei o gol. Fiquei mais puto comigo do que com o marketing do Vitória.
Minutos depois, fiquei mais puto ainda com o Vitória, que deixou a zaga aberta, e mais ainda com o goleiro reserva, Vinicius, que estava adiantado quando Muriqui entrou na área já chutando. Um golaço, vale ressaltar. Um a um.
– Porra, que goleiro é esse? Adiantado desse jeito? – gritava um torcedor.
– Se fosse Viáfara não tomava esse gol nem com a porra... – esbravejava outro.
E a torcedora do meu lado não se abateu:
– Vamo nêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêgooooooooooooooo.
E o nêgo foi. Foi pro ataque com sangue no olho. Apertei o REC. “Agora vai”, pensei.
Cruzamento na medida e UM FILHO DA P... DE UM VENDEDOR AMBULANTE DO HABIB’S FICOU NA FRENTE DA CÂMERA NO EXATO MOMENTO QUE A BOLA TOCOU NA CABEÇA DE SMITH. Além do kibe ser ruim e perigoso, pois você pode se engasgar com um pedaço de cebola gigante dentro dele, o Habib’s ainda me apronta essa. Pelo menos foi gol. Dois a um Vitória. Segundo gol de Xurec (ou de Smith).
Fim do primeiro tempo. Me despedi da torcedora e fui de encontro com meus amigos.
Segundo tempo começou e Nino Paraíba foi expulso deixando o Vitória com menos um. Até ai tudo bem, mas numa falta perigosa contra o Vitória, o goleiro Vinicius colocou três na barreira pra depois pedir pra um sair e ir pra área mercar, deixando a barreira também com menos um. Ele achou que Ricardinho faria um cruzamento. Quando a bola passou pelos dois coitados da barreira, foi tarde pra ele pegar. Dois a dois.
– Que goleiro é esse? PUTAQUEPARIU – lamentava um.
– Se fosse Viáfara... – lamentava outro.
Quatro desfalques, um a menos e uma ducha de água fria por ter tomado outro gol de empate não foi suficiente pra esmorecer o time, que no Barradão parece que toma a porção mágica de Asterix. De onde eu tava deu pra ouvir a torcedora do primeiro tempo gritar “vamo nêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêgooooooooooooooo”.
E, por incrível que pareça, o nêgo, de novo, foi.
Como não filmo o jogo quando a bola está com o time adversário (além de superstição, faço isso pra economizar a bateria) não registrei a recuada de bola na cocó que o zagueiro atleticano deu pro goleiro Marcelo. O mesmo Marcelo que foi ídolo do finado Bahia ano passado. O mesmo paspalho que no Barradão, na final de 2009, iniciou uma briga no fim do jogo por não suportar mais um vice. E o paspalho matou a bola no peito e, quando se deu conta, Xurec já tava no seu cangote. Só restou a Marcelo fazer o que ele faz de melhor: tomar mais um gol do Vitória.
Xurec, pela terceira vez. Três a dois. Bora, Smith!
Era o segundo goleiro ex-Bahia que fazia lambança. O primeiro foi Márcio, do outro Atlético, o de Goiás, pela semi-final da Copa do Brasil, também no terceiro gol. Acho que quando eles entram no Barradão, se cagam todo.
Mais uma vez na frente do placar, mais uma vez atrás nas quatro linhas. O Vitória que já costuma recuar quando tá ganhando, com um a menos recuou mais ainda e, de novo, o Atlético veio pra cima e, de novo, empatou. Aí já estava demais. Três empatadas já era brincadeira de mau gosto. Três a três e eu não filmei nenhum gol do Vitória...
Porém, uma voz me acalentou. Lá de longe o grito de “vamo nêêêêêêêêêêgoooooooooo” da torcedora me animou de novo e não tive dúvida: o Vitória iria fazer mais um gol, vencer a partida e transformar o Galo em uma galinha saltitante. Deixei a câmera ligada e dessa vez não perdi nenhum lance.
Veja vídeo exclusivo aqui.
Quatro a três. Gol de Evandro, jogador que acabara de sair do Galo e acabara de entrar no jogo, aos 42 do segundo tempo.
O Leão rugiu e Luxemburgo, Milton Neves, a torcida do finado Bahia e os pintinhos que foram ao Barradão cacarejaram a noite toda.
– Já encerramos – disse a atendente.
– Hein?
– Já encerramos – repetiu ela.
– Como assim? São três horas da tarde... – perguntei.
– Dia de jogo a gente encerra mais cedo, olha ali o aviso na porta.
Realmente tinha um aviso na porta, mas eu disse a ela que eu não tinha o hábito de ficar passando pela porta da loja do Vitória regularmente para ver os avisos deixados nela; pelo contrario, nunca vou ao Capemi.
– Por que não coloca essa informação no site, então? – questionei, já nervoso.
– O site tá fora do ar.
– Não, senhora, o site tá no ar. No endereço do E.C. Vitória tem um link pro Sou Mais Vitória que abre uma página com os pacotes e seus preços, e nessa página não tem nada sobre os horários.
Ela aceitou:
– É, realmente é uma falha nossa... Mas já encerramos por hoje.
Questionei o porquê desse absurdo e recebi a resposta que em dia do jogo os funcionários da loja têm de ir mais cedo ao Barradão, pois o efetivo de trabalhadores no estádio é pequeno.
Que tá difícil contratar jogadores, é até entendível, mas será que tá difícil contratar pessoal? E por que pedem nosso e-mail no cadastro se nunca mandam uma informação, uma notícia explicando alguma coisa ao associado? Eu ainda liguei no dia anterior pra perguntar que horas abria a loja e a atendente respondeu que era às nove horas. Ela não podia ter completado a informação? Dizendo “e fechamos às 14h, pois é dia de jogo e não temos pessoal suficiente pra blá, blá, blá...”.
Saí de lá pirado. Não iria ver a partida contra o Galo, pois não iria comprar o ingresso de um jogo que já estaria incluso no valor da renovação do Sou Mais Vitória.
O problema é que indo embora veio o velho pensamento de que se eu não fosse o Vitória perderia. Ainda mais com quatro desfalques, inclusive do goleiro Viáfara e do artilheiro Júnior. Apesar de achar o Itaú, assim como o Unibanco, um banco de ladrões FDP, fiquei aliviado por ter o Itaucard e pagar meia entrada.
Cheguei atrasado ao estádio. O jogo já tinha começado e no caminho para o meu local de praxe, avistei uma torcedora bastante interessante. Baixinha, cheinha, faixa dos 70, vestida com o manto rubro-negro e que não parava de gritar um segundo sequer.
O Vitória na zaga ou no ataque ela berrava “nêêêêêêêêgooooooooo”. Vez ou outra ela pedia uma ajuda a todos os santos e a todos os orixás que conhecia.
– Vou ficar um tempo por aqui – disse eu, para meu amigo que me acompanhava.
Sentei ao lado dela e comecei a filmar o jogo. No primeiro lance, ataque rubro-negro, cruzamento rasteiro, XUREC e GOL.
Não acreditei. Assim que sentei e liguei a câmera o Vitória fez um gol. Consegui filmar o gol nitidamente, sem ninguém na minha frente, registrei toda a jogada. Filmei a torcida e tudo o que tinha direito. A tal torcedora, emocionada, disse que o gol tinha sido de “Smith”. Mais um apelido pra Schwenck.
Mas então vejo algo de errado. A luz da filmadora estava verde, quando deveria estar vermelha. Eu apenas tinha ligado a dita cuja e não apertei o REC. Não registrei o gol. Fiquei mais puto comigo do que com o marketing do Vitória.
Minutos depois, fiquei mais puto ainda com o Vitória, que deixou a zaga aberta, e mais ainda com o goleiro reserva, Vinicius, que estava adiantado quando Muriqui entrou na área já chutando. Um golaço, vale ressaltar. Um a um.
– Porra, que goleiro é esse? Adiantado desse jeito? – gritava um torcedor.
– Se fosse Viáfara não tomava esse gol nem com a porra... – esbravejava outro.
E a torcedora do meu lado não se abateu:
– Vamo nêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêgooooooooooooooo.
E o nêgo foi. Foi pro ataque com sangue no olho. Apertei o REC. “Agora vai”, pensei.
Cruzamento na medida e UM FILHO DA P... DE UM VENDEDOR AMBULANTE DO HABIB’S FICOU NA FRENTE DA CÂMERA NO EXATO MOMENTO QUE A BOLA TOCOU NA CABEÇA DE SMITH. Além do kibe ser ruim e perigoso, pois você pode se engasgar com um pedaço de cebola gigante dentro dele, o Habib’s ainda me apronta essa. Pelo menos foi gol. Dois a um Vitória. Segundo gol de Xurec (ou de Smith).
Fim do primeiro tempo. Me despedi da torcedora e fui de encontro com meus amigos.
Segundo tempo começou e Nino Paraíba foi expulso deixando o Vitória com menos um. Até ai tudo bem, mas numa falta perigosa contra o Vitória, o goleiro Vinicius colocou três na barreira pra depois pedir pra um sair e ir pra área mercar, deixando a barreira também com menos um. Ele achou que Ricardinho faria um cruzamento. Quando a bola passou pelos dois coitados da barreira, foi tarde pra ele pegar. Dois a dois.
– Que goleiro é esse? PUTAQUEPARIU – lamentava um.
– Se fosse Viáfara... – lamentava outro.
Quatro desfalques, um a menos e uma ducha de água fria por ter tomado outro gol de empate não foi suficiente pra esmorecer o time, que no Barradão parece que toma a porção mágica de Asterix. De onde eu tava deu pra ouvir a torcedora do primeiro tempo gritar “vamo nêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêgooooooooooooooo”.
E, por incrível que pareça, o nêgo, de novo, foi.
Como não filmo o jogo quando a bola está com o time adversário (além de superstição, faço isso pra economizar a bateria) não registrei a recuada de bola na cocó que o zagueiro atleticano deu pro goleiro Marcelo. O mesmo Marcelo que foi ídolo do finado Bahia ano passado. O mesmo paspalho que no Barradão, na final de 2009, iniciou uma briga no fim do jogo por não suportar mais um vice. E o paspalho matou a bola no peito e, quando se deu conta, Xurec já tava no seu cangote. Só restou a Marcelo fazer o que ele faz de melhor: tomar mais um gol do Vitória.
Xurec, pela terceira vez. Três a dois. Bora, Smith!
Era o segundo goleiro ex-Bahia que fazia lambança. O primeiro foi Márcio, do outro Atlético, o de Goiás, pela semi-final da Copa do Brasil, também no terceiro gol. Acho que quando eles entram no Barradão, se cagam todo.
Mais uma vez na frente do placar, mais uma vez atrás nas quatro linhas. O Vitória que já costuma recuar quando tá ganhando, com um a menos recuou mais ainda e, de novo, o Atlético veio pra cima e, de novo, empatou. Aí já estava demais. Três empatadas já era brincadeira de mau gosto. Três a três e eu não filmei nenhum gol do Vitória...
Porém, uma voz me acalentou. Lá de longe o grito de “vamo nêêêêêêêêêêgoooooooooo” da torcedora me animou de novo e não tive dúvida: o Vitória iria fazer mais um gol, vencer a partida e transformar o Galo em uma galinha saltitante. Deixei a câmera ligada e dessa vez não perdi nenhum lance.
Veja vídeo exclusivo aqui.
Quatro a três. Gol de Evandro, jogador que acabara de sair do Galo e acabara de entrar no jogo, aos 42 do segundo tempo.
O Leão rugiu e Luxemburgo, Milton Neves, a torcida do finado Bahia e os pintinhos que foram ao Barradão cacarejaram a noite toda.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Vitória X Atlético Go (go,Vitória, go)
Mesmo saindo cedo de casa, às 19h, ainda assim peguei o engarrafamento e mais uma vez no modo Vitória-Bahia-Vitória-Bahia (primeira-segunda-primeira-segunda) cheguei ao Barradão. Estádio lotado. A torcida fazia uma festa que estava de arrepiar e emocionar. O jogo era contra o atual campeão goiano e o atual eliminador do finado time do Bahia da Copa do Brasil. Era o dia do Vitória ensinar ao rebaixado baiano como é que se faz. E ensinou bonito. Cinco a zero na moleira. Sem dó nem piedade.
O Atlético de Goiás começou tentando algo, mas nada consistente. O Vitória quando resolveu jogar, em cinco minutos fez dois a zero. Placar que dava a classificação ao Vitória e placar que terminou o primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o Atlético veio pra cima, pois se fizesse um gol e não tomasse mais nenhum, estaria classificado. O problema é que eles esqueceram que no gol do Vitória estava o melhor goleiro do Brasil. Nada passava. Durante trinta e cinco minutos tentaram, tentaram, tentaram e nada. E já cansados de tanto tentar, deram espaço pra um contra-ataque fulminante de Neto Berola, que se lembrou que no gol deles estava Márcio, goleiro da divisão de base do Bahia e vice-baiano em alguma edição passada desta década. Márcio veio todo desengonçado, parecendo um jogador do Bahia, tentar tirar a bola de Berola, mas levou o velho e bom drible, ficou pra trás e deixou o gol aberto. Berola só fez tocar pra Júnior empurrar e fazer o segundo dele no jogo. Três a zero.
No final, já desesperados, fizeram um pênalti no Diabo Lôro. O melhor goleiro do Brasil, ouvindo o chamado de 35 mil pessoas, foi pra área adversária bater o penal. Correu, parou, chutou e marcou; quatro a zero, mas o desinformado do árbitro careca Héber Roberto Lopes anulou o gol e ainda deu amarelo pro melhor do Brasil. Incrível, todo mundo tá careca de saber que a paradinha vale até junho, menos esse juiz. O cúmulo da incompetência.
Viáfara, sem se abater, foi de novo, correu, bateu e marcou seu segundo gol no jogo. Cinco a zero.
Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.
Esse resultado e, consequentemente, a classificação rubro-negra pra final da Copa do Brasil deixou a torcida do Bahia mordidinha. Os caras estão putos. Nos bares, escolas, faculdades, shoppings, livrarias, bancas de revistas, locadoras, cafés, puteiros, listas de discussões na internet, blogs, twitters e afins, eles só falam nisso. “Quero ver ganhar na final contra o Santos”, dizem eles, todos com o cu na mão. Não ter time pra torcer deve ser uma merda mesmo.
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O Atlético de Goiás começou tentando algo, mas nada consistente. O Vitória quando resolveu jogar, em cinco minutos fez dois a zero. Placar que dava a classificação ao Vitória e placar que terminou o primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o Atlético veio pra cima, pois se fizesse um gol e não tomasse mais nenhum, estaria classificado. O problema é que eles esqueceram que no gol do Vitória estava o melhor goleiro do Brasil. Nada passava. Durante trinta e cinco minutos tentaram, tentaram, tentaram e nada. E já cansados de tanto tentar, deram espaço pra um contra-ataque fulminante de Neto Berola, que se lembrou que no gol deles estava Márcio, goleiro da divisão de base do Bahia e vice-baiano em alguma edição passada desta década. Márcio veio todo desengonçado, parecendo um jogador do Bahia, tentar tirar a bola de Berola, mas levou o velho e bom drible, ficou pra trás e deixou o gol aberto. Berola só fez tocar pra Júnior empurrar e fazer o segundo dele no jogo. Três a zero.
No final, já desesperados, fizeram um pênalti no Diabo Lôro. O melhor goleiro do Brasil, ouvindo o chamado de 35 mil pessoas, foi pra área adversária bater o penal. Correu, parou, chutou e marcou; quatro a zero, mas o desinformado do árbitro careca Héber Roberto Lopes anulou o gol e ainda deu amarelo pro melhor do Brasil. Incrível, todo mundo tá careca de saber que a paradinha vale até junho, menos esse juiz. O cúmulo da incompetência.
Viáfara, sem se abater, foi de novo, correu, bateu e marcou seu segundo gol no jogo. Cinco a zero.
Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.
Esse resultado e, consequentemente, a classificação rubro-negra pra final da Copa do Brasil deixou a torcida do Bahia mordidinha. Os caras estão putos. Nos bares, escolas, faculdades, shoppings, livrarias, bancas de revistas, locadoras, cafés, puteiros, listas de discussões na internet, blogs, twitters e afins, eles só falam nisso. “Quero ver ganhar na final contra o Santos”, dizem eles, todos com o cu na mão. Não ter time pra torcer deve ser uma merda mesmo.
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domingo, 2 de maio de 2010
Ba x Vi (ou melhor: Já vi... isso várias vezes)
– É tetra – disse eu, no MSN, para um amigo meu tricolor.
Ele respondeu:
– É, mas pelo menos no Barradão vocês tão levando é taca.
– Concordo, mas pelo menos vocês não estão levando nada. Aliás, estão: fumo.
A diferença entre o Bahia e o Vitória é essa: o Bahia ganha um jogo, mas o Vitória ganha o campeonato. O quarto seguido. O quarto em cima do Bahia. O oitavo em dez anos. E o Bahia, pelo nono ano consecutivo, não leva nada. Aliás, leva: fumo.
E da forma que foi, com um gol do Bahia no finalzinho, foi até bom. Os 220 tricolores que foram ao Barradão ficaram cheios de esperança, achando que o gol do título sairia. Isso apenas temperou ainda mais a conquista rubro-negra.
No dia do jogo, acordei às 5h e 30m e fui competir pela II Etapa do Campeonato Baiano de Maratonas Aquáticas. A travessia foi Soho-Porto da Barra. Chegando no local da prova, um outro amigo tricolor disse que ia ganhar de mim na natação e que o Ba-Vi seria 4 x 0 pro rebaixado. Porém, assim que pisei na areia, na chegada, procurei por ele e constatei que ele ainda não tinha chegado. Deixei um recado:
– Diga a ele que mandei um abraço e que tive de sair, pois vou no Barradao comprar meu ingresso.
A travessia Soho-Porto a nado foi bem mais rápida do que a travessia Porto-Barradão. Engarrafamento da porra por causa da merda da Parada Disney. Essa Parada deixou a cidade toda... Parada. Nome melhor não há. Mas, chegando ao Barradas, pra compensar, tive duas gratas surpresas: não tinha fila e quem tem o Itaucard paga meia.
Paguei R$20 no ingresso, voltei pra casa e às 15 horas peguei de novo a Paralela para ir ao estádio. Chegando perto, mais um engarrafamento. Todo mundo dirigindo no modo Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia (primeira, segunda, primeira, segunda, primeira, segunda...). A terceira macha ficou inutilizada. Parei o carro longe e fui andando. Passei por um bar e como não uso camisa do Vitória, uma mulher de camisa do Bahia olhou pra mim e arriscou:
– Bora Baêa.
Um menino com a camisa do Vitória de 93 que estava ao lado dela olhou pra mim e ficou esperando minha resposta. Prontamente eu disse:
– Seu Bahia tá acabado, minha senhora.
Ela me xingou de alguma coisa qualquer, mas o menino abriu o sorriso e continuou meu mantra:
– Ahahaha, o Bahia tá acabado, o Bahia tá acabado – gritou ele pra infeliz.
– Sai daqui seu filho do estopô – gritou de volta a infeliz pro sorridente.
Continuei em frente e às 17 em ponto entrei no estádio. “Não custa nada ser feliz”, dizia o slogan do Habib’s que piscava no placar eletrônico. Ser feliz não custa nada, mas a água mineral cobrada pelos ambulantes da lanchonete custa R$1,50 o copinho com 200ml. Antes do monopólio Habibesco, a água de 300ml custava R1,00.
E água é o que não faltava no Barradão. Chuva da porra. Um torcedor vendo minha aflição por causa da minha filmadora me convidou pra dividir o guarda-chuva com ele.
– Vim de Ipirá só pra ver o Vitória ser tetra – disse o dono do artefato.
E por causa da chuva incessante, não pude filmar muitos lances. Filmei o golaço de Elkeson e no fim do jogo, já sem chuva, filmei a Parada Disney que aconteceu no Barradão: o desfile de Patetas indo embora, chorando a perda de mais um título...
Veja aqui na câmera exclusiva.
E como diz Galvão Bueno:
– É tetraaaaa, é tetraaaaa...
Ele respondeu:
– É, mas pelo menos no Barradão vocês tão levando é taca.
– Concordo, mas pelo menos vocês não estão levando nada. Aliás, estão: fumo.
A diferença entre o Bahia e o Vitória é essa: o Bahia ganha um jogo, mas o Vitória ganha o campeonato. O quarto seguido. O quarto em cima do Bahia. O oitavo em dez anos. E o Bahia, pelo nono ano consecutivo, não leva nada. Aliás, leva: fumo.
E da forma que foi, com um gol do Bahia no finalzinho, foi até bom. Os 220 tricolores que foram ao Barradão ficaram cheios de esperança, achando que o gol do título sairia. Isso apenas temperou ainda mais a conquista rubro-negra.
No dia do jogo, acordei às 5h e 30m e fui competir pela II Etapa do Campeonato Baiano de Maratonas Aquáticas. A travessia foi Soho-Porto da Barra. Chegando no local da prova, um outro amigo tricolor disse que ia ganhar de mim na natação e que o Ba-Vi seria 4 x 0 pro rebaixado. Porém, assim que pisei na areia, na chegada, procurei por ele e constatei que ele ainda não tinha chegado. Deixei um recado:
– Diga a ele que mandei um abraço e que tive de sair, pois vou no Barradao comprar meu ingresso.
A travessia Soho-Porto a nado foi bem mais rápida do que a travessia Porto-Barradão. Engarrafamento da porra por causa da merda da Parada Disney. Essa Parada deixou a cidade toda... Parada. Nome melhor não há. Mas, chegando ao Barradas, pra compensar, tive duas gratas surpresas: não tinha fila e quem tem o Itaucard paga meia.
Paguei R$20 no ingresso, voltei pra casa e às 15 horas peguei de novo a Paralela para ir ao estádio. Chegando perto, mais um engarrafamento. Todo mundo dirigindo no modo Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia (primeira, segunda, primeira, segunda, primeira, segunda...). A terceira macha ficou inutilizada. Parei o carro longe e fui andando. Passei por um bar e como não uso camisa do Vitória, uma mulher de camisa do Bahia olhou pra mim e arriscou:
– Bora Baêa.
Um menino com a camisa do Vitória de 93 que estava ao lado dela olhou pra mim e ficou esperando minha resposta. Prontamente eu disse:
– Seu Bahia tá acabado, minha senhora.
Ela me xingou de alguma coisa qualquer, mas o menino abriu o sorriso e continuou meu mantra:
– Ahahaha, o Bahia tá acabado, o Bahia tá acabado – gritou ele pra infeliz.
– Sai daqui seu filho do estopô – gritou de volta a infeliz pro sorridente.
Continuei em frente e às 17 em ponto entrei no estádio. “Não custa nada ser feliz”, dizia o slogan do Habib’s que piscava no placar eletrônico. Ser feliz não custa nada, mas a água mineral cobrada pelos ambulantes da lanchonete custa R$1,50 o copinho com 200ml. Antes do monopólio Habibesco, a água de 300ml custava R1,00.
E água é o que não faltava no Barradão. Chuva da porra. Um torcedor vendo minha aflição por causa da minha filmadora me convidou pra dividir o guarda-chuva com ele.
– Vim de Ipirá só pra ver o Vitória ser tetra – disse o dono do artefato.
E por causa da chuva incessante, não pude filmar muitos lances. Filmei o golaço de Elkeson e no fim do jogo, já sem chuva, filmei a Parada Disney que aconteceu no Barradão: o desfile de Patetas indo embora, chorando a perda de mais um título...
Veja aqui na câmera exclusiva.
E como diz Galvão Bueno:
– É tetraaaaa, é tetraaaaa...
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Vitória X Goiás (da lama aos gols)
No Vitória X Avaí pelo Brasileirão do ano passado (2009), eu comi um acarajé delicioso antes do jogo, e assim que peguei o tal acarajé da mão da baiana perguntei a ela:
– Você é Bahia ou Vitória, minha linda?
– Bahia – respondeu a infeliz.
O Vitória perdeu aquele jogo.
Consegui a liberação da minha digníssima e fui ao Barradão assistir Vitória X Goiás pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2010. Fui com dois amigos. Estávamos com fome e assim que entramos no Barradão fomos procurar um acarajé.
– Vamos naquele lá, comi uma vez ali e é muito bom – disse eu.
Chegando perto da baiana me lembrei que ela torcia pro finado e comentei pra ver a reação dos meus amigos:
– Essa baiana torce pro rebaixado – disse eu.
– Sério?! – disse um.
– Aí você tá sacaneando – disse outro.
– Sério – disse eu –, inclusive quando comi o acarajé dela o Vitória perdeu.
Os três concordaram que era melhor procurar outra baiana e fomos pra uma que fica em frente à entrada das cadeiras.
– Baiana, você é Bahia ou Vitória? – perguntei antes de pedir o acarajé.
A baiana não disse nada, apenas levantou seu vestido branco, mostrando que por baixo vestia o manto rubro-negro.
– Eu sou rubro-negra de coração – disse ela.
– Então me dê um acarajé com vatapá, salada e muita pimenta – disse eu.
Ela não botou fé no meu nível de pimenta e apenas deu uma pingadinha na colher.
– Bote mais.
Outra pingadinha.
– Assim, minha linda, vou achar que você é Bahia.
Só aí ela deu uma carregada e ensopou meu quitute.
– Agora, sim – respondi.
Comi o acarajé com pimenta acompanhado por uma cerveja sem acóol. A fome estava tanto que fui pedir um abará. Mandei caprichar de novo no ardido.
– Êta que o Viória vai tá apimentado hoje – profetizou ela.
O Vitória, como não costuma fazer, começou o primeiro tempo atacando pra lado esquerdo das arquibancadas. Me lembrei que meu primeiro vídeo pra esse blog foi justamente num jogo contra o Goiás (Brasileirao 2008) e, como naquele jogo, fui pra detrás do gol de Harlei. Veja aqui.
Ao chegar no alambrado, encontrei um torcedor que todo jogo tá ali.
– Cadê meu DVD? – perguntou ele ao me ver.
Só então me lembrei que prometi a ele fazer um DVD com as minhas filmagens.
– No próximo jogo eu trago – prometi de novo.
O jogo começou e ao mesmo tempo que Harlei sofria com as provocações dos torcedores do Vitória próximos ao alambrado, ele fazia defesas milagrosas.
– Se ele não fosse baixinho seria um dos melhores goleiros do Brasil – disse um jovem ao meu lado, que ao me ver filmando pediu para que quando o Vitória fizesse um gol que eu o filmasse comemorando.
– Vou passar no Globo Esporte – disse ele, sem saber que, seu eu o filmasse, que ele passaria num local, modéstia a parte, muito mais nobre.
– Que nada, esse goleiro é uma merda, se a bola for na gaveta, no angulo, ele não pega nem com a porra. Viáfara é bem melhor que ele – disse outro, mais velho, que não parava de xingar o coitado do Harlei.
E o Vitória atacou, atacou, atacou e não fez nenhum gol. Harlei buscou bola embaixo, em cima, em chute de Fernando de falta e o primeiro tempo acabou em zero a zero. Resultado ruim. De fato, até um a zero seria ruim, pois era preciso ir para o segundo jogo com larga vantagem.
Voltei para a arquibancada para filmar o segundo tempo de cima e meus amigos quiseram ir pro outro lado do estádio. Me lembrei que naquele tal jogo do primeiro vídeo contra o Goiás eu fiz a mesma coisa. Aquele jogo foi três a zero pro Vitória.
– Vamos nessa – disse eu, supersticioso.
No caminho, os comentários entre os torcedores eram diversos:
– Tem que tirar Bida, essa carniça não faz nada – diziam alguns.
– Tem que tirar Ramon, ele não agüenta mais – diziam outros.
Perto da TUI, todo mundo fica em pé e logo no início do segundo tempo percebi que pra filmar dali seria difícil. Era melhor descer e, como no primeiro tempo, ficar atrás do gol de Harlei. Na descida encontrei com um outro amigo meu. Fiquei um pouco ao lado dele vendo o jogo. Ele não parava de reclamar. Ramon tentou pegar uma bola e não conseguiu.
– Porra, Ramon – disse um torcedor do nosso lado.
– RAPAZ, ENTENDA: RAMON TÁ VELHOOOOO, TÁ VELHOOOOOOO – gritava meu amigo, enfurecido com o meio-campo rubro-negro.
Não gosto de torcedor reclamão e me despedi dele, finalmente me posicionando atrás do gol. O jovem que pediu pra eu filmar ele no primeiro tempo também estava lá assim como o torcedor que não parava de xingar Harlei. Ambos também deram a volta. E assim que eu cheguei, aos 23 do segundo tempo, Egídio cruzou, Walace cabeçeou, Harlei defendeu, mas deixou a sobra pra Ramon apenas cutucar pra dentro. Gostaria de ter visto a cara de meu amigo reclamão. Ramon começa com RA de Raça. Raça rubro-negra, minha porra. Um a zero Vitória.
Logo depois, aos 29, uma bela jogada entre Egídio, Ramon e Júnior fez o Vitória ampliar o placar. Depois eu vi o gol pelas câmeras da TV, mas nenhuma filmou de um angulo melhor que o meu. Nela dá pra ver claramente a calma e frieza do atacante rubro-negro ao escolher o canto e acerta-lo, impossibilitando a defesa de Harlei, que esperava uma bomba no meio. Golaço de Júnior. Gol de craque. Dois a zero Vitória.
Ainda comemorando, a PM chegou pra atrapalhar meu baba e dos torcedores do alambrado, nos obrigando a sair de lá bem na hora de uma falta pro Vitória bater. Enquanto a barreira era montada fui indo pro lado, subindo alguns degraus, procurando um angulo bom. Ainda na procura, parei pra filmar a cobrança de falta. Golaço de Bida. Meu angulo não foi dos melhores, mas o angulo onde Bida colocou a bola foi. Lembrei da frase do torcedor do alambrado sobre Harlei que se a bola fosse na gaveta que ele não pegava nem com a porra.
Logo após o gol, a bateria da filmadora acabou e Bida foi substituído sendo ovacionado pela torcida que o ama e o odeia ao mesmo tempo.
Aos 40 minutos do segundo tempo subi para me reencontrar com meus amigos. Me arrependi.
– Vamos nessa – disseram eles, com medo do engarrafamento.
Viadagem da porra isso de sair antes do fim.
Chegando perto do carro, atravessando o lamaçal por causa da chuva que castigou Salvador no dia anterior, resolvi ligar a câmera de novo, tentando conseguir um resquício de bateria que sempre rola depois que ela descansa. Foi bem na hora do quarto gol do Vitória. Um angulo bem diferente. Assista aqui, no vídeo exclusivo. Quatro a zero Vitória.
– Você é Bahia ou Vitória, minha linda?
– Bahia – respondeu a infeliz.
O Vitória perdeu aquele jogo.
Consegui a liberação da minha digníssima e fui ao Barradão assistir Vitória X Goiás pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2010. Fui com dois amigos. Estávamos com fome e assim que entramos no Barradão fomos procurar um acarajé.
– Vamos naquele lá, comi uma vez ali e é muito bom – disse eu.
Chegando perto da baiana me lembrei que ela torcia pro finado e comentei pra ver a reação dos meus amigos:
– Essa baiana torce pro rebaixado – disse eu.
– Sério?! – disse um.
– Aí você tá sacaneando – disse outro.
– Sério – disse eu –, inclusive quando comi o acarajé dela o Vitória perdeu.
Os três concordaram que era melhor procurar outra baiana e fomos pra uma que fica em frente à entrada das cadeiras.
– Baiana, você é Bahia ou Vitória? – perguntei antes de pedir o acarajé.
A baiana não disse nada, apenas levantou seu vestido branco, mostrando que por baixo vestia o manto rubro-negro.
– Eu sou rubro-negra de coração – disse ela.
– Então me dê um acarajé com vatapá, salada e muita pimenta – disse eu.
Ela não botou fé no meu nível de pimenta e apenas deu uma pingadinha na colher.
– Bote mais.
Outra pingadinha.
– Assim, minha linda, vou achar que você é Bahia.
Só aí ela deu uma carregada e ensopou meu quitute.
– Agora, sim – respondi.
Comi o acarajé com pimenta acompanhado por uma cerveja sem acóol. A fome estava tanto que fui pedir um abará. Mandei caprichar de novo no ardido.
– Êta que o Viória vai tá apimentado hoje – profetizou ela.
O Vitória, como não costuma fazer, começou o primeiro tempo atacando pra lado esquerdo das arquibancadas. Me lembrei que meu primeiro vídeo pra esse blog foi justamente num jogo contra o Goiás (Brasileirao 2008) e, como naquele jogo, fui pra detrás do gol de Harlei. Veja aqui.
Ao chegar no alambrado, encontrei um torcedor que todo jogo tá ali.
– Cadê meu DVD? – perguntou ele ao me ver.
Só então me lembrei que prometi a ele fazer um DVD com as minhas filmagens.
– No próximo jogo eu trago – prometi de novo.
O jogo começou e ao mesmo tempo que Harlei sofria com as provocações dos torcedores do Vitória próximos ao alambrado, ele fazia defesas milagrosas.
– Se ele não fosse baixinho seria um dos melhores goleiros do Brasil – disse um jovem ao meu lado, que ao me ver filmando pediu para que quando o Vitória fizesse um gol que eu o filmasse comemorando.
– Vou passar no Globo Esporte – disse ele, sem saber que, seu eu o filmasse, que ele passaria num local, modéstia a parte, muito mais nobre.
– Que nada, esse goleiro é uma merda, se a bola for na gaveta, no angulo, ele não pega nem com a porra. Viáfara é bem melhor que ele – disse outro, mais velho, que não parava de xingar o coitado do Harlei.
E o Vitória atacou, atacou, atacou e não fez nenhum gol. Harlei buscou bola embaixo, em cima, em chute de Fernando de falta e o primeiro tempo acabou em zero a zero. Resultado ruim. De fato, até um a zero seria ruim, pois era preciso ir para o segundo jogo com larga vantagem.
Voltei para a arquibancada para filmar o segundo tempo de cima e meus amigos quiseram ir pro outro lado do estádio. Me lembrei que naquele tal jogo do primeiro vídeo contra o Goiás eu fiz a mesma coisa. Aquele jogo foi três a zero pro Vitória.
– Vamos nessa – disse eu, supersticioso.
No caminho, os comentários entre os torcedores eram diversos:
– Tem que tirar Bida, essa carniça não faz nada – diziam alguns.
– Tem que tirar Ramon, ele não agüenta mais – diziam outros.
Perto da TUI, todo mundo fica em pé e logo no início do segundo tempo percebi que pra filmar dali seria difícil. Era melhor descer e, como no primeiro tempo, ficar atrás do gol de Harlei. Na descida encontrei com um outro amigo meu. Fiquei um pouco ao lado dele vendo o jogo. Ele não parava de reclamar. Ramon tentou pegar uma bola e não conseguiu.
– Porra, Ramon – disse um torcedor do nosso lado.
– RAPAZ, ENTENDA: RAMON TÁ VELHOOOOO, TÁ VELHOOOOOOO – gritava meu amigo, enfurecido com o meio-campo rubro-negro.
Não gosto de torcedor reclamão e me despedi dele, finalmente me posicionando atrás do gol. O jovem que pediu pra eu filmar ele no primeiro tempo também estava lá assim como o torcedor que não parava de xingar Harlei. Ambos também deram a volta. E assim que eu cheguei, aos 23 do segundo tempo, Egídio cruzou, Walace cabeçeou, Harlei defendeu, mas deixou a sobra pra Ramon apenas cutucar pra dentro. Gostaria de ter visto a cara de meu amigo reclamão. Ramon começa com RA de Raça. Raça rubro-negra, minha porra. Um a zero Vitória.
Logo depois, aos 29, uma bela jogada entre Egídio, Ramon e Júnior fez o Vitória ampliar o placar. Depois eu vi o gol pelas câmeras da TV, mas nenhuma filmou de um angulo melhor que o meu. Nela dá pra ver claramente a calma e frieza do atacante rubro-negro ao escolher o canto e acerta-lo, impossibilitando a defesa de Harlei, que esperava uma bomba no meio. Golaço de Júnior. Gol de craque. Dois a zero Vitória.
Ainda comemorando, a PM chegou pra atrapalhar meu baba e dos torcedores do alambrado, nos obrigando a sair de lá bem na hora de uma falta pro Vitória bater. Enquanto a barreira era montada fui indo pro lado, subindo alguns degraus, procurando um angulo bom. Ainda na procura, parei pra filmar a cobrança de falta. Golaço de Bida. Meu angulo não foi dos melhores, mas o angulo onde Bida colocou a bola foi. Lembrei da frase do torcedor do alambrado sobre Harlei que se a bola fosse na gaveta que ele não pegava nem com a porra.
Logo após o gol, a bateria da filmadora acabou e Bida foi substituído sendo ovacionado pela torcida que o ama e o odeia ao mesmo tempo.
Aos 40 minutos do segundo tempo subi para me reencontrar com meus amigos. Me arrependi.
– Vamos nessa – disseram eles, com medo do engarrafamento.
Viadagem da porra isso de sair antes do fim.
Chegando perto do carro, atravessando o lamaçal por causa da chuva que castigou Salvador no dia anterior, resolvi ligar a câmera de novo, tentando conseguir um resquício de bateria que sempre rola depois que ela descansa. Foi bem na hora do quarto gol do Vitória. Um angulo bem diferente. Assista aqui, no vídeo exclusivo. Quatro a zero Vitória.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Vitória X Corinthians AL (Ah, lagoas)
Com um recém-nascido em casa, tá cada vez mais difícil conseguir ir aos jogos do Vitória. Um desses jogos que não pude ver foi Arilson X Vitória, quando o Bahia conseguiu vencer o rubro-negro por 2 x 1. Agora a partida era mais importante, pois era pela Copa do Brasil, contra o Corinthians de Alagoas, time desconhecido, mas que nos venceu no jogo de ida pelo placar de 3 x 1. Esse jogo foi na mesma semana do jogo contra Arilson, nos fazendo perder consecutivamente pra dois times pequenos. Agora era o jogo de volta, era a reabertura do Barradão e o Vitória tinha de vencer com dois gols de diferença e não tomar nenhum.
Arrisquei um esquema tático pra poder ser liberado e ir ao Barradão:
– Meu amor, eu tenho dois compromissos sociais essa semana – disse eu, pra minha esposa, preparando o terreno.
– Quais compromissos? – perguntou ela, impaciente, com Mateus no colo.
– Um você pode ir, o outro, não.
– Quais compromissos? Diga logo... – disse ela, mais impaciente ainda.
– Sexta-feira vai ter o lançamento do disco de Messias no MAM.
– Esse é o que eu não posso ir?
– Aí é que tá: esse é o que você pode ir – disse eu, com ênfase no “pode”.
– E qual é o que eu não posso ir?
– Amanhã tem jogo do Vitória no Barradão...
Com menosprezo, ela disse:
– Oxe, pode ir...
Sem renovar o Sou Mais Otário, deixei pra comprar o ingresso na hora. Muita fila e muito cambista. Dois reais a mais até que era um preço justo pra não pegar a fila da incompetência da diretoria do clube no que diz respeito ao tratamento dispensado ao seu torcedor.
Dentro do estádio, a TUI, indo em direção à arquibancada, passou por mim gritando “ei, Recó, vá tomar no c...”. Num primeiro momento, muito ingênuo de minha parte, achei que “Recó” era o apelido do time alagoano e me surpreendi com o fato da torcida do Vitória gastar sua saliva pra um time que nem torcida presente tinha ali. Porém, logo em seguida, fui informado que “Recó” era na verdade “Record”, o canal de televisão que cobre o futebol baiano com apresentadores e comentaristas de nível mas baixo que o time do Bahia. Da mesma forma, continuei achando desnecessário gastar saliva com tão insignificante emissora.
O jogo começou. Com o estádio lotado, a torcida do Vitória estava mais nervosa que os jogadores. Queria o gol logo. Com um minuto de jogo, ela já exigia pressa numa simples cobrança de lateral. Um torcedor mirim ao meu lado, faixa dos 12 anos, ganhou o troféu Charles Muller de ansiedade.
– Vai, Wallace, bate logo o lateral.
– Vai ,Viafara, porra, bate logo o tiro de meta.
– Vai, Nino Paraíba, cruza logo essa bola.
Ele era o reflexo de toda a torcida. Fiquei um pouco irritado com essa cobrança com menos de 10 minutos de jogo que gritei pro estádio, mas nitidamente para ele:
– Calma, caralho, assim o time fica nervoso... Tem tempo ainda...
Ele percebeu a indireta e se calou. Mas esse silencio só durou uns cinco minutos, pois logo voltou a exigir, nervosamente, rapidez nas execuções, principalmente após alguns contra-ataques do time alagoano, que graças a Viáfara não resultaram em gol.
Como ali não tinha uma alma sequer torcedora do Corinthians, imaginei o silencio ensurdecedor que seria um gol deles ali.
Ramon, que estava (está) mal, mas que não merece ser crucificado pela torcida, sentiu dores e foi substituído pelo recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, que deu outro ritmo ao jogo e já chegou cabeceando rente a trave, após um cruzamento de Nino Paraíba.
E o zero a zero permaneceu até os 40 minutos do primeiro tempo, quando a bola sobrou pra Junior, centro-avante que, mesmo caindo, conseguiu chutar cruzado, no canto do gol. Um a zero, Vitória. Faltava fazer mais um. Fim do primeiro tempo.
Fui com um amigo buscar um acarajé, mas descobrimos mais uma pegadinha da diretoria do Vitória: agora quem manda no rango ali é a merda do Habib’s, que tirou todos os ambulantes e fez uma fila maior que a da compra de ingressos. Sugiro que a torcida do Vitória incorpore o grito “ei, Habib’s, vá tomar no c...” ao seu repertório.
O segundo tempo começou e o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, de novo, colocou a bola rente a trave, mas dessa vez num chute, e, de novo, após cruzamento de Nino.
Logo depois, na jogada seguinte, de novo após cruzamento do paraibano (que estava impecável), o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato cabeceou, mas, dessa vez, pra dentro do gol. Dois a zero, Vitória. Faltava segurar o placar.
O time alagoano sentiu a pressão e ficou entregue no jogo. Logo em seguida, Uélington, meio sem jeito, chutou do meio da área, numa bola que parece ter sido levantada a esmo e marcou o terceiro gol rubro-negro. Mas o melhor ainda estava por vir: falta na entrada da área em cima de Junior e lá vem Viáfara pra bater.
– Que porra, ainda falta muito tempo, isso não é hora pra brincadeira. Se esse time de Alagoas faz um gol, pode complicar tudo, porque aí vai ser disputa de pênalti... –reclamava um torcedor do meu lado, não concordando com o fato do goleiro rubro-negro ir bater a falta.
Enquanto esperava a confusão por causa da expulsão do jogador que cometeu a tal falta terminar, Viáfara ficou na entrada da área, batendo pontinho, fazendo embaixadinhas... Se o fato de eu não filmar o ataque adversário é injusto com nosso goleiro, já que assim não registro suas defesas milagrosas, finalmente pude me redimir, pelo menos parcialmente, com ele. Golaço.
O torcedor que não queria Viáfara pra bater a falta, gritava:
– Viáfara, minha porra... É o novo Ramon...
Quatro a zero.
Veja aqui esse gol e o vídeo dessa partida.
Arrisquei um esquema tático pra poder ser liberado e ir ao Barradão:
– Meu amor, eu tenho dois compromissos sociais essa semana – disse eu, pra minha esposa, preparando o terreno.
– Quais compromissos? – perguntou ela, impaciente, com Mateus no colo.
– Um você pode ir, o outro, não.
– Quais compromissos? Diga logo... – disse ela, mais impaciente ainda.
– Sexta-feira vai ter o lançamento do disco de Messias no MAM.
– Esse é o que eu não posso ir?
– Aí é que tá: esse é o que você pode ir – disse eu, com ênfase no “pode”.
– E qual é o que eu não posso ir?
– Amanhã tem jogo do Vitória no Barradão...
Com menosprezo, ela disse:
– Oxe, pode ir...
Sem renovar o Sou Mais Otário, deixei pra comprar o ingresso na hora. Muita fila e muito cambista. Dois reais a mais até que era um preço justo pra não pegar a fila da incompetência da diretoria do clube no que diz respeito ao tratamento dispensado ao seu torcedor.
Dentro do estádio, a TUI, indo em direção à arquibancada, passou por mim gritando “ei, Recó, vá tomar no c...”. Num primeiro momento, muito ingênuo de minha parte, achei que “Recó” era o apelido do time alagoano e me surpreendi com o fato da torcida do Vitória gastar sua saliva pra um time que nem torcida presente tinha ali. Porém, logo em seguida, fui informado que “Recó” era na verdade “Record”, o canal de televisão que cobre o futebol baiano com apresentadores e comentaristas de nível mas baixo que o time do Bahia. Da mesma forma, continuei achando desnecessário gastar saliva com tão insignificante emissora.
O jogo começou. Com o estádio lotado, a torcida do Vitória estava mais nervosa que os jogadores. Queria o gol logo. Com um minuto de jogo, ela já exigia pressa numa simples cobrança de lateral. Um torcedor mirim ao meu lado, faixa dos 12 anos, ganhou o troféu Charles Muller de ansiedade.
– Vai, Wallace, bate logo o lateral.
– Vai ,Viafara, porra, bate logo o tiro de meta.
– Vai, Nino Paraíba, cruza logo essa bola.
Ele era o reflexo de toda a torcida. Fiquei um pouco irritado com essa cobrança com menos de 10 minutos de jogo que gritei pro estádio, mas nitidamente para ele:
– Calma, caralho, assim o time fica nervoso... Tem tempo ainda...
Ele percebeu a indireta e se calou. Mas esse silencio só durou uns cinco minutos, pois logo voltou a exigir, nervosamente, rapidez nas execuções, principalmente após alguns contra-ataques do time alagoano, que graças a Viáfara não resultaram em gol.
Como ali não tinha uma alma sequer torcedora do Corinthians, imaginei o silencio ensurdecedor que seria um gol deles ali.
Ramon, que estava (está) mal, mas que não merece ser crucificado pela torcida, sentiu dores e foi substituído pelo recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, que deu outro ritmo ao jogo e já chegou cabeceando rente a trave, após um cruzamento de Nino Paraíba.
E o zero a zero permaneceu até os 40 minutos do primeiro tempo, quando a bola sobrou pra Junior, centro-avante que, mesmo caindo, conseguiu chutar cruzado, no canto do gol. Um a zero, Vitória. Faltava fazer mais um. Fim do primeiro tempo.
Fui com um amigo buscar um acarajé, mas descobrimos mais uma pegadinha da diretoria do Vitória: agora quem manda no rango ali é a merda do Habib’s, que tirou todos os ambulantes e fez uma fila maior que a da compra de ingressos. Sugiro que a torcida do Vitória incorpore o grito “ei, Habib’s, vá tomar no c...” ao seu repertório.
O segundo tempo começou e o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, de novo, colocou a bola rente a trave, mas dessa vez num chute, e, de novo, após cruzamento de Nino.
Logo depois, na jogada seguinte, de novo após cruzamento do paraibano (que estava impecável), o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato cabeceou, mas, dessa vez, pra dentro do gol. Dois a zero, Vitória. Faltava segurar o placar.
O time alagoano sentiu a pressão e ficou entregue no jogo. Logo em seguida, Uélington, meio sem jeito, chutou do meio da área, numa bola que parece ter sido levantada a esmo e marcou o terceiro gol rubro-negro. Mas o melhor ainda estava por vir: falta na entrada da área em cima de Junior e lá vem Viáfara pra bater.
– Que porra, ainda falta muito tempo, isso não é hora pra brincadeira. Se esse time de Alagoas faz um gol, pode complicar tudo, porque aí vai ser disputa de pênalti... –reclamava um torcedor do meu lado, não concordando com o fato do goleiro rubro-negro ir bater a falta.
Enquanto esperava a confusão por causa da expulsão do jogador que cometeu a tal falta terminar, Viáfara ficou na entrada da área, batendo pontinho, fazendo embaixadinhas... Se o fato de eu não filmar o ataque adversário é injusto com nosso goleiro, já que assim não registro suas defesas milagrosas, finalmente pude me redimir, pelo menos parcialmente, com ele. Golaço.
O torcedor que não queria Viáfara pra bater a falta, gritava:
– Viáfara, minha porra... É o novo Ramon...
Quatro a zero.
Veja aqui esse gol e o vídeo dessa partida.
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