Fui renovar o Sou Mais Vitória no dia do jogo contra o Atlético MG. Cheguei na loja do Capemi dentro do horário comercial normal, exatamente às 15h.
– Já encerramos – disse a atendente.
– Hein?
– Já encerramos – repetiu ela.
– Como assim? São três horas da tarde... – perguntei.
– Dia de jogo a gente encerra mais cedo, olha ali o aviso na porta.
Realmente tinha um aviso na porta, mas eu disse a ela que eu não tinha o hábito de ficar passando pela porta da loja do Vitória regularmente para ver os avisos deixados nela; pelo contrario, nunca vou ao Capemi.
– Por que não coloca essa informação no site, então? – questionei, já nervoso.
– O site tá fora do ar.
– Não, senhora, o site tá no ar. No endereço do E.C. Vitória tem um link pro Sou Mais Vitória que abre uma página com os pacotes e seus preços, e nessa página não tem nada sobre os horários.
Ela aceitou:
– É, realmente é uma falha nossa... Mas já encerramos por hoje.
Questionei o porquê desse absurdo e recebi a resposta que em dia do jogo os funcionários da loja têm de ir mais cedo ao Barradão, pois o efetivo de trabalhadores no estádio é pequeno.
Que tá difícil contratar jogadores, é até entendível, mas será que tá difícil contratar pessoal? E por que pedem nosso e-mail no cadastro se nunca mandam uma informação, uma notícia explicando alguma coisa ao associado? Eu ainda liguei no dia anterior pra perguntar que horas abria a loja e a atendente respondeu que era às nove horas. Ela não podia ter completado a informação? Dizendo “e fechamos às 14h, pois é dia de jogo e não temos pessoal suficiente pra blá, blá, blá...”.
Saí de lá pirado. Não iria ver a partida contra o Galo, pois não iria comprar o ingresso de um jogo que já estaria incluso no valor da renovação do Sou Mais Vitória.
O problema é que indo embora veio o velho pensamento de que se eu não fosse o Vitória perderia. Ainda mais com quatro desfalques, inclusive do goleiro Viáfara e do artilheiro Júnior. Apesar de achar o Itaú, assim como o Unibanco, um banco de ladrões FDP, fiquei aliviado por ter o Itaucard e pagar meia entrada.
Cheguei atrasado ao estádio. O jogo já tinha começado e no caminho para o meu local de praxe, avistei uma torcedora bastante interessante. Baixinha, cheinha, faixa dos 70, vestida com o manto rubro-negro e que não parava de gritar um segundo sequer.
O Vitória na zaga ou no ataque ela berrava “nêêêêêêêêgooooooooo”. Vez ou outra ela pedia uma ajuda a todos os santos e a todos os orixás que conhecia.
– Vou ficar um tempo por aqui – disse eu, para meu amigo que me acompanhava.
Sentei ao lado dela e comecei a filmar o jogo. No primeiro lance, ataque rubro-negro, cruzamento rasteiro, XUREC e GOL.
Não acreditei. Assim que sentei e liguei a câmera o Vitória fez um gol. Consegui filmar o gol nitidamente, sem ninguém na minha frente, registrei toda a jogada. Filmei a torcida e tudo o que tinha direito. A tal torcedora, emocionada, disse que o gol tinha sido de “Smith”. Mais um apelido pra Schwenck.
Mas então vejo algo de errado. A luz da filmadora estava verde, quando deveria estar vermelha. Eu apenas tinha ligado a dita cuja e não apertei o REC. Não registrei o gol. Fiquei mais puto comigo do que com o marketing do Vitória.
Minutos depois, fiquei mais puto ainda com o Vitória, que deixou a zaga aberta, e mais ainda com o goleiro reserva, Vinicius, que estava adiantado quando Muriqui entrou na área já chutando. Um golaço, vale ressaltar. Um a um.
– Porra, que goleiro é esse? Adiantado desse jeito? – gritava um torcedor.
– Se fosse Viáfara não tomava esse gol nem com a porra... – esbravejava outro.
E a torcedora do meu lado não se abateu:
– Vamo nêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêgooooooooooooooo.
E o nêgo foi. Foi pro ataque com sangue no olho. Apertei o REC. “Agora vai”, pensei.
Cruzamento na medida e UM FILHO DA P... DE UM VENDEDOR AMBULANTE DO HABIB’S FICOU NA FRENTE DA CÂMERA NO EXATO MOMENTO QUE A BOLA TOCOU NA CABEÇA DE SMITH. Além do kibe ser ruim e perigoso, pois você pode se engasgar com um pedaço de cebola gigante dentro dele, o Habib’s ainda me apronta essa. Pelo menos foi gol. Dois a um Vitória. Segundo gol de Xurec (ou de Smith).
Fim do primeiro tempo. Me despedi da torcedora e fui de encontro com meus amigos.
Segundo tempo começou e Nino Paraíba foi expulso deixando o Vitória com menos um. Até ai tudo bem, mas numa falta perigosa contra o Vitória, o goleiro Vinicius colocou três na barreira pra depois pedir pra um sair e ir pra área mercar, deixando a barreira também com menos um. Ele achou que Ricardinho faria um cruzamento. Quando a bola passou pelos dois coitados da barreira, foi tarde pra ele pegar. Dois a dois.
– Que goleiro é esse? PUTAQUEPARIU – lamentava um.
– Se fosse Viáfara... – lamentava outro.
Quatro desfalques, um a menos e uma ducha de água fria por ter tomado outro gol de empate não foi suficiente pra esmorecer o time, que no Barradão parece que toma a porção mágica de Asterix. De onde eu tava deu pra ouvir a torcedora do primeiro tempo gritar “vamo nêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêgooooooooooooooo”.
E, por incrível que pareça, o nêgo, de novo, foi.
Como não filmo o jogo quando a bola está com o time adversário (além de superstição, faço isso pra economizar a bateria) não registrei a recuada de bola na cocó que o zagueiro atleticano deu pro goleiro Marcelo. O mesmo Marcelo que foi ídolo do finado Bahia ano passado. O mesmo paspalho que no Barradão, na final de 2009, iniciou uma briga no fim do jogo por não suportar mais um vice. E o paspalho matou a bola no peito e, quando se deu conta, Xurec já tava no seu cangote. Só restou a Marcelo fazer o que ele faz de melhor: tomar mais um gol do Vitória.
Xurec, pela terceira vez. Três a dois. Bora, Smith!
Era o segundo goleiro ex-Bahia que fazia lambança. O primeiro foi Márcio, do outro Atlético, o de Goiás, pela semi-final da Copa do Brasil, também no terceiro gol. Acho que quando eles entram no Barradão, se cagam todo.
Mais uma vez na frente do placar, mais uma vez atrás nas quatro linhas. O Vitória que já costuma recuar quando tá ganhando, com um a menos recuou mais ainda e, de novo, o Atlético veio pra cima e, de novo, empatou. Aí já estava demais. Três empatadas já era brincadeira de mau gosto. Três a três e eu não filmei nenhum gol do Vitória...
Porém, uma voz me acalentou. Lá de longe o grito de “vamo nêêêêêêêêêêgoooooooooo” da torcedora me animou de novo e não tive dúvida: o Vitória iria fazer mais um gol, vencer a partida e transformar o Galo em uma galinha saltitante. Deixei a câmera ligada e dessa vez não perdi nenhum lance.
Veja vídeo exclusivo aqui.
Quatro a três. Gol de Evandro, jogador que acabara de sair do Galo e acabara de entrar no jogo, aos 42 do segundo tempo.
O Leão rugiu e Luxemburgo, Milton Neves, a torcida do finado Bahia e os pintinhos que foram ao Barradão cacarejaram a noite toda.
sábado, 29 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Vitória X Atlético Go (go,Vitória, go)
Mesmo saindo cedo de casa, às 19h, ainda assim peguei o engarrafamento e mais uma vez no modo Vitória-Bahia-Vitória-Bahia (primeira-segunda-primeira-segunda) cheguei ao Barradão. Estádio lotado. A torcida fazia uma festa que estava de arrepiar e emocionar. O jogo era contra o atual campeão goiano e o atual eliminador do finado time do Bahia da Copa do Brasil. Era o dia do Vitória ensinar ao rebaixado baiano como é que se faz. E ensinou bonito. Cinco a zero na moleira. Sem dó nem piedade.
O Atlético de Goiás começou tentando algo, mas nada consistente. O Vitória quando resolveu jogar, em cinco minutos fez dois a zero. Placar que dava a classificação ao Vitória e placar que terminou o primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o Atlético veio pra cima, pois se fizesse um gol e não tomasse mais nenhum, estaria classificado. O problema é que eles esqueceram que no gol do Vitória estava o melhor goleiro do Brasil. Nada passava. Durante trinta e cinco minutos tentaram, tentaram, tentaram e nada. E já cansados de tanto tentar, deram espaço pra um contra-ataque fulminante de Neto Berola, que se lembrou que no gol deles estava Márcio, goleiro da divisão de base do Bahia e vice-baiano em alguma edição passada desta década. Márcio veio todo desengonçado, parecendo um jogador do Bahia, tentar tirar a bola de Berola, mas levou o velho e bom drible, ficou pra trás e deixou o gol aberto. Berola só fez tocar pra Júnior empurrar e fazer o segundo dele no jogo. Três a zero.
No final, já desesperados, fizeram um pênalti no Diabo Lôro. O melhor goleiro do Brasil, ouvindo o chamado de 35 mil pessoas, foi pra área adversária bater o penal. Correu, parou, chutou e marcou; quatro a zero, mas o desinformado do árbitro careca Héber Roberto Lopes anulou o gol e ainda deu amarelo pro melhor do Brasil. Incrível, todo mundo tá careca de saber que a paradinha vale até junho, menos esse juiz. O cúmulo da incompetência.
Viáfara, sem se abater, foi de novo, correu, bateu e marcou seu segundo gol no jogo. Cinco a zero.
Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.
Esse resultado e, consequentemente, a classificação rubro-negra pra final da Copa do Brasil deixou a torcida do Bahia mordidinha. Os caras estão putos. Nos bares, escolas, faculdades, shoppings, livrarias, bancas de revistas, locadoras, cafés, puteiros, listas de discussões na internet, blogs, twitters e afins, eles só falam nisso. “Quero ver ganhar na final contra o Santos”, dizem eles, todos com o cu na mão. Não ter time pra torcer deve ser uma merda mesmo.
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O Atlético de Goiás começou tentando algo, mas nada consistente. O Vitória quando resolveu jogar, em cinco minutos fez dois a zero. Placar que dava a classificação ao Vitória e placar que terminou o primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o Atlético veio pra cima, pois se fizesse um gol e não tomasse mais nenhum, estaria classificado. O problema é que eles esqueceram que no gol do Vitória estava o melhor goleiro do Brasil. Nada passava. Durante trinta e cinco minutos tentaram, tentaram, tentaram e nada. E já cansados de tanto tentar, deram espaço pra um contra-ataque fulminante de Neto Berola, que se lembrou que no gol deles estava Márcio, goleiro da divisão de base do Bahia e vice-baiano em alguma edição passada desta década. Márcio veio todo desengonçado, parecendo um jogador do Bahia, tentar tirar a bola de Berola, mas levou o velho e bom drible, ficou pra trás e deixou o gol aberto. Berola só fez tocar pra Júnior empurrar e fazer o segundo dele no jogo. Três a zero.
No final, já desesperados, fizeram um pênalti no Diabo Lôro. O melhor goleiro do Brasil, ouvindo o chamado de 35 mil pessoas, foi pra área adversária bater o penal. Correu, parou, chutou e marcou; quatro a zero, mas o desinformado do árbitro careca Héber Roberto Lopes anulou o gol e ainda deu amarelo pro melhor do Brasil. Incrível, todo mundo tá careca de saber que a paradinha vale até junho, menos esse juiz. O cúmulo da incompetência.
Viáfara, sem se abater, foi de novo, correu, bateu e marcou seu segundo gol no jogo. Cinco a zero.
Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.
Esse resultado e, consequentemente, a classificação rubro-negra pra final da Copa do Brasil deixou a torcida do Bahia mordidinha. Os caras estão putos. Nos bares, escolas, faculdades, shoppings, livrarias, bancas de revistas, locadoras, cafés, puteiros, listas de discussões na internet, blogs, twitters e afins, eles só falam nisso. “Quero ver ganhar na final contra o Santos”, dizem eles, todos com o cu na mão. Não ter time pra torcer deve ser uma merda mesmo.
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domingo, 2 de maio de 2010
Ba x Vi (ou melhor: Já vi... isso várias vezes)
– É tetra – disse eu, no MSN, para um amigo meu tricolor.
Ele respondeu:
– É, mas pelo menos no Barradão vocês tão levando é taca.
– Concordo, mas pelo menos vocês não estão levando nada. Aliás, estão: fumo.
A diferença entre o Bahia e o Vitória é essa: o Bahia ganha um jogo, mas o Vitória ganha o campeonato. O quarto seguido. O quarto em cima do Bahia. O oitavo em dez anos. E o Bahia, pelo nono ano consecutivo, não leva nada. Aliás, leva: fumo.
E da forma que foi, com um gol do Bahia no finalzinho, foi até bom. Os 220 tricolores que foram ao Barradão ficaram cheios de esperança, achando que o gol do título sairia. Isso apenas temperou ainda mais a conquista rubro-negra.
No dia do jogo, acordei às 5h e 30m e fui competir pela II Etapa do Campeonato Baiano de Maratonas Aquáticas. A travessia foi Soho-Porto da Barra. Chegando no local da prova, um outro amigo tricolor disse que ia ganhar de mim na natação e que o Ba-Vi seria 4 x 0 pro rebaixado. Porém, assim que pisei na areia, na chegada, procurei por ele e constatei que ele ainda não tinha chegado. Deixei um recado:
– Diga a ele que mandei um abraço e que tive de sair, pois vou no Barradao comprar meu ingresso.
A travessia Soho-Porto a nado foi bem mais rápida do que a travessia Porto-Barradão. Engarrafamento da porra por causa da merda da Parada Disney. Essa Parada deixou a cidade toda... Parada. Nome melhor não há. Mas, chegando ao Barradas, pra compensar, tive duas gratas surpresas: não tinha fila e quem tem o Itaucard paga meia.
Paguei R$20 no ingresso, voltei pra casa e às 15 horas peguei de novo a Paralela para ir ao estádio. Chegando perto, mais um engarrafamento. Todo mundo dirigindo no modo Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia (primeira, segunda, primeira, segunda, primeira, segunda...). A terceira macha ficou inutilizada. Parei o carro longe e fui andando. Passei por um bar e como não uso camisa do Vitória, uma mulher de camisa do Bahia olhou pra mim e arriscou:
– Bora Baêa.
Um menino com a camisa do Vitória de 93 que estava ao lado dela olhou pra mim e ficou esperando minha resposta. Prontamente eu disse:
– Seu Bahia tá acabado, minha senhora.
Ela me xingou de alguma coisa qualquer, mas o menino abriu o sorriso e continuou meu mantra:
– Ahahaha, o Bahia tá acabado, o Bahia tá acabado – gritou ele pra infeliz.
– Sai daqui seu filho do estopô – gritou de volta a infeliz pro sorridente.
Continuei em frente e às 17 em ponto entrei no estádio. “Não custa nada ser feliz”, dizia o slogan do Habib’s que piscava no placar eletrônico. Ser feliz não custa nada, mas a água mineral cobrada pelos ambulantes da lanchonete custa R$1,50 o copinho com 200ml. Antes do monopólio Habibesco, a água de 300ml custava R1,00.
E água é o que não faltava no Barradão. Chuva da porra. Um torcedor vendo minha aflição por causa da minha filmadora me convidou pra dividir o guarda-chuva com ele.
– Vim de Ipirá só pra ver o Vitória ser tetra – disse o dono do artefato.
E por causa da chuva incessante, não pude filmar muitos lances. Filmei o golaço de Elkeson e no fim do jogo, já sem chuva, filmei a Parada Disney que aconteceu no Barradão: o desfile de Patetas indo embora, chorando a perda de mais um título...
Veja aqui na câmera exclusiva.
E como diz Galvão Bueno:
– É tetraaaaa, é tetraaaaa...
Ele respondeu:
– É, mas pelo menos no Barradão vocês tão levando é taca.
– Concordo, mas pelo menos vocês não estão levando nada. Aliás, estão: fumo.
A diferença entre o Bahia e o Vitória é essa: o Bahia ganha um jogo, mas o Vitória ganha o campeonato. O quarto seguido. O quarto em cima do Bahia. O oitavo em dez anos. E o Bahia, pelo nono ano consecutivo, não leva nada. Aliás, leva: fumo.
E da forma que foi, com um gol do Bahia no finalzinho, foi até bom. Os 220 tricolores que foram ao Barradão ficaram cheios de esperança, achando que o gol do título sairia. Isso apenas temperou ainda mais a conquista rubro-negra.
No dia do jogo, acordei às 5h e 30m e fui competir pela II Etapa do Campeonato Baiano de Maratonas Aquáticas. A travessia foi Soho-Porto da Barra. Chegando no local da prova, um outro amigo tricolor disse que ia ganhar de mim na natação e que o Ba-Vi seria 4 x 0 pro rebaixado. Porém, assim que pisei na areia, na chegada, procurei por ele e constatei que ele ainda não tinha chegado. Deixei um recado:
– Diga a ele que mandei um abraço e que tive de sair, pois vou no Barradao comprar meu ingresso.
A travessia Soho-Porto a nado foi bem mais rápida do que a travessia Porto-Barradão. Engarrafamento da porra por causa da merda da Parada Disney. Essa Parada deixou a cidade toda... Parada. Nome melhor não há. Mas, chegando ao Barradas, pra compensar, tive duas gratas surpresas: não tinha fila e quem tem o Itaucard paga meia.
Paguei R$20 no ingresso, voltei pra casa e às 15 horas peguei de novo a Paralela para ir ao estádio. Chegando perto, mais um engarrafamento. Todo mundo dirigindo no modo Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia, Vitória-Bahia (primeira, segunda, primeira, segunda, primeira, segunda...). A terceira macha ficou inutilizada. Parei o carro longe e fui andando. Passei por um bar e como não uso camisa do Vitória, uma mulher de camisa do Bahia olhou pra mim e arriscou:
– Bora Baêa.
Um menino com a camisa do Vitória de 93 que estava ao lado dela olhou pra mim e ficou esperando minha resposta. Prontamente eu disse:
– Seu Bahia tá acabado, minha senhora.
Ela me xingou de alguma coisa qualquer, mas o menino abriu o sorriso e continuou meu mantra:
– Ahahaha, o Bahia tá acabado, o Bahia tá acabado – gritou ele pra infeliz.
– Sai daqui seu filho do estopô – gritou de volta a infeliz pro sorridente.
Continuei em frente e às 17 em ponto entrei no estádio. “Não custa nada ser feliz”, dizia o slogan do Habib’s que piscava no placar eletrônico. Ser feliz não custa nada, mas a água mineral cobrada pelos ambulantes da lanchonete custa R$1,50 o copinho com 200ml. Antes do monopólio Habibesco, a água de 300ml custava R1,00.
E água é o que não faltava no Barradão. Chuva da porra. Um torcedor vendo minha aflição por causa da minha filmadora me convidou pra dividir o guarda-chuva com ele.
– Vim de Ipirá só pra ver o Vitória ser tetra – disse o dono do artefato.
E por causa da chuva incessante, não pude filmar muitos lances. Filmei o golaço de Elkeson e no fim do jogo, já sem chuva, filmei a Parada Disney que aconteceu no Barradão: o desfile de Patetas indo embora, chorando a perda de mais um título...
Veja aqui na câmera exclusiva.
E como diz Galvão Bueno:
– É tetraaaaa, é tetraaaaa...
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Vitória X Goiás (da lama aos gols)
No Vitória X Avaí pelo Brasileirão do ano passado (2009), eu comi um acarajé delicioso antes do jogo, e assim que peguei o tal acarajé da mão da baiana perguntei a ela:
– Você é Bahia ou Vitória, minha linda?
– Bahia – respondeu a infeliz.
O Vitória perdeu aquele jogo.
Consegui a liberação da minha digníssima e fui ao Barradão assistir Vitória X Goiás pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2010. Fui com dois amigos. Estávamos com fome e assim que entramos no Barradão fomos procurar um acarajé.
– Vamos naquele lá, comi uma vez ali e é muito bom – disse eu.
Chegando perto da baiana me lembrei que ela torcia pro finado e comentei pra ver a reação dos meus amigos:
– Essa baiana torce pro rebaixado – disse eu.
– Sério?! – disse um.
– Aí você tá sacaneando – disse outro.
– Sério – disse eu –, inclusive quando comi o acarajé dela o Vitória perdeu.
Os três concordaram que era melhor procurar outra baiana e fomos pra uma que fica em frente à entrada das cadeiras.
– Baiana, você é Bahia ou Vitória? – perguntei antes de pedir o acarajé.
A baiana não disse nada, apenas levantou seu vestido branco, mostrando que por baixo vestia o manto rubro-negro.
– Eu sou rubro-negra de coração – disse ela.
– Então me dê um acarajé com vatapá, salada e muita pimenta – disse eu.
Ela não botou fé no meu nível de pimenta e apenas deu uma pingadinha na colher.
– Bote mais.
Outra pingadinha.
– Assim, minha linda, vou achar que você é Bahia.
Só aí ela deu uma carregada e ensopou meu quitute.
– Agora, sim – respondi.
Comi o acarajé com pimenta acompanhado por uma cerveja sem acóol. A fome estava tanto que fui pedir um abará. Mandei caprichar de novo no ardido.
– Êta que o Viória vai tá apimentado hoje – profetizou ela.
O Vitória, como não costuma fazer, começou o primeiro tempo atacando pra lado esquerdo das arquibancadas. Me lembrei que meu primeiro vídeo pra esse blog foi justamente num jogo contra o Goiás (Brasileirao 2008) e, como naquele jogo, fui pra detrás do gol de Harlei. Veja aqui.
Ao chegar no alambrado, encontrei um torcedor que todo jogo tá ali.
– Cadê meu DVD? – perguntou ele ao me ver.
Só então me lembrei que prometi a ele fazer um DVD com as minhas filmagens.
– No próximo jogo eu trago – prometi de novo.
O jogo começou e ao mesmo tempo que Harlei sofria com as provocações dos torcedores do Vitória próximos ao alambrado, ele fazia defesas milagrosas.
– Se ele não fosse baixinho seria um dos melhores goleiros do Brasil – disse um jovem ao meu lado, que ao me ver filmando pediu para que quando o Vitória fizesse um gol que eu o filmasse comemorando.
– Vou passar no Globo Esporte – disse ele, sem saber que, seu eu o filmasse, que ele passaria num local, modéstia a parte, muito mais nobre.
– Que nada, esse goleiro é uma merda, se a bola for na gaveta, no angulo, ele não pega nem com a porra. Viáfara é bem melhor que ele – disse outro, mais velho, que não parava de xingar o coitado do Harlei.
E o Vitória atacou, atacou, atacou e não fez nenhum gol. Harlei buscou bola embaixo, em cima, em chute de Fernando de falta e o primeiro tempo acabou em zero a zero. Resultado ruim. De fato, até um a zero seria ruim, pois era preciso ir para o segundo jogo com larga vantagem.
Voltei para a arquibancada para filmar o segundo tempo de cima e meus amigos quiseram ir pro outro lado do estádio. Me lembrei que naquele tal jogo do primeiro vídeo contra o Goiás eu fiz a mesma coisa. Aquele jogo foi três a zero pro Vitória.
– Vamos nessa – disse eu, supersticioso.
No caminho, os comentários entre os torcedores eram diversos:
– Tem que tirar Bida, essa carniça não faz nada – diziam alguns.
– Tem que tirar Ramon, ele não agüenta mais – diziam outros.
Perto da TUI, todo mundo fica em pé e logo no início do segundo tempo percebi que pra filmar dali seria difícil. Era melhor descer e, como no primeiro tempo, ficar atrás do gol de Harlei. Na descida encontrei com um outro amigo meu. Fiquei um pouco ao lado dele vendo o jogo. Ele não parava de reclamar. Ramon tentou pegar uma bola e não conseguiu.
– Porra, Ramon – disse um torcedor do nosso lado.
– RAPAZ, ENTENDA: RAMON TÁ VELHOOOOO, TÁ VELHOOOOOOO – gritava meu amigo, enfurecido com o meio-campo rubro-negro.
Não gosto de torcedor reclamão e me despedi dele, finalmente me posicionando atrás do gol. O jovem que pediu pra eu filmar ele no primeiro tempo também estava lá assim como o torcedor que não parava de xingar Harlei. Ambos também deram a volta. E assim que eu cheguei, aos 23 do segundo tempo, Egídio cruzou, Walace cabeçeou, Harlei defendeu, mas deixou a sobra pra Ramon apenas cutucar pra dentro. Gostaria de ter visto a cara de meu amigo reclamão. Ramon começa com RA de Raça. Raça rubro-negra, minha porra. Um a zero Vitória.
Logo depois, aos 29, uma bela jogada entre Egídio, Ramon e Júnior fez o Vitória ampliar o placar. Depois eu vi o gol pelas câmeras da TV, mas nenhuma filmou de um angulo melhor que o meu. Nela dá pra ver claramente a calma e frieza do atacante rubro-negro ao escolher o canto e acerta-lo, impossibilitando a defesa de Harlei, que esperava uma bomba no meio. Golaço de Júnior. Gol de craque. Dois a zero Vitória.
Ainda comemorando, a PM chegou pra atrapalhar meu baba e dos torcedores do alambrado, nos obrigando a sair de lá bem na hora de uma falta pro Vitória bater. Enquanto a barreira era montada fui indo pro lado, subindo alguns degraus, procurando um angulo bom. Ainda na procura, parei pra filmar a cobrança de falta. Golaço de Bida. Meu angulo não foi dos melhores, mas o angulo onde Bida colocou a bola foi. Lembrei da frase do torcedor do alambrado sobre Harlei que se a bola fosse na gaveta que ele não pegava nem com a porra.
Logo após o gol, a bateria da filmadora acabou e Bida foi substituído sendo ovacionado pela torcida que o ama e o odeia ao mesmo tempo.
Aos 40 minutos do segundo tempo subi para me reencontrar com meus amigos. Me arrependi.
– Vamos nessa – disseram eles, com medo do engarrafamento.
Viadagem da porra isso de sair antes do fim.
Chegando perto do carro, atravessando o lamaçal por causa da chuva que castigou Salvador no dia anterior, resolvi ligar a câmera de novo, tentando conseguir um resquício de bateria que sempre rola depois que ela descansa. Foi bem na hora do quarto gol do Vitória. Um angulo bem diferente. Assista aqui, no vídeo exclusivo. Quatro a zero Vitória.
– Você é Bahia ou Vitória, minha linda?
– Bahia – respondeu a infeliz.
O Vitória perdeu aquele jogo.
Consegui a liberação da minha digníssima e fui ao Barradão assistir Vitória X Goiás pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2010. Fui com dois amigos. Estávamos com fome e assim que entramos no Barradão fomos procurar um acarajé.
– Vamos naquele lá, comi uma vez ali e é muito bom – disse eu.
Chegando perto da baiana me lembrei que ela torcia pro finado e comentei pra ver a reação dos meus amigos:
– Essa baiana torce pro rebaixado – disse eu.
– Sério?! – disse um.
– Aí você tá sacaneando – disse outro.
– Sério – disse eu –, inclusive quando comi o acarajé dela o Vitória perdeu.
Os três concordaram que era melhor procurar outra baiana e fomos pra uma que fica em frente à entrada das cadeiras.
– Baiana, você é Bahia ou Vitória? – perguntei antes de pedir o acarajé.
A baiana não disse nada, apenas levantou seu vestido branco, mostrando que por baixo vestia o manto rubro-negro.
– Eu sou rubro-negra de coração – disse ela.
– Então me dê um acarajé com vatapá, salada e muita pimenta – disse eu.
Ela não botou fé no meu nível de pimenta e apenas deu uma pingadinha na colher.
– Bote mais.
Outra pingadinha.
– Assim, minha linda, vou achar que você é Bahia.
Só aí ela deu uma carregada e ensopou meu quitute.
– Agora, sim – respondi.
Comi o acarajé com pimenta acompanhado por uma cerveja sem acóol. A fome estava tanto que fui pedir um abará. Mandei caprichar de novo no ardido.
– Êta que o Viória vai tá apimentado hoje – profetizou ela.
O Vitória, como não costuma fazer, começou o primeiro tempo atacando pra lado esquerdo das arquibancadas. Me lembrei que meu primeiro vídeo pra esse blog foi justamente num jogo contra o Goiás (Brasileirao 2008) e, como naquele jogo, fui pra detrás do gol de Harlei. Veja aqui.
Ao chegar no alambrado, encontrei um torcedor que todo jogo tá ali.
– Cadê meu DVD? – perguntou ele ao me ver.
Só então me lembrei que prometi a ele fazer um DVD com as minhas filmagens.
– No próximo jogo eu trago – prometi de novo.
O jogo começou e ao mesmo tempo que Harlei sofria com as provocações dos torcedores do Vitória próximos ao alambrado, ele fazia defesas milagrosas.
– Se ele não fosse baixinho seria um dos melhores goleiros do Brasil – disse um jovem ao meu lado, que ao me ver filmando pediu para que quando o Vitória fizesse um gol que eu o filmasse comemorando.
– Vou passar no Globo Esporte – disse ele, sem saber que, seu eu o filmasse, que ele passaria num local, modéstia a parte, muito mais nobre.
– Que nada, esse goleiro é uma merda, se a bola for na gaveta, no angulo, ele não pega nem com a porra. Viáfara é bem melhor que ele – disse outro, mais velho, que não parava de xingar o coitado do Harlei.
E o Vitória atacou, atacou, atacou e não fez nenhum gol. Harlei buscou bola embaixo, em cima, em chute de Fernando de falta e o primeiro tempo acabou em zero a zero. Resultado ruim. De fato, até um a zero seria ruim, pois era preciso ir para o segundo jogo com larga vantagem.
Voltei para a arquibancada para filmar o segundo tempo de cima e meus amigos quiseram ir pro outro lado do estádio. Me lembrei que naquele tal jogo do primeiro vídeo contra o Goiás eu fiz a mesma coisa. Aquele jogo foi três a zero pro Vitória.
– Vamos nessa – disse eu, supersticioso.
No caminho, os comentários entre os torcedores eram diversos:
– Tem que tirar Bida, essa carniça não faz nada – diziam alguns.
– Tem que tirar Ramon, ele não agüenta mais – diziam outros.
Perto da TUI, todo mundo fica em pé e logo no início do segundo tempo percebi que pra filmar dali seria difícil. Era melhor descer e, como no primeiro tempo, ficar atrás do gol de Harlei. Na descida encontrei com um outro amigo meu. Fiquei um pouco ao lado dele vendo o jogo. Ele não parava de reclamar. Ramon tentou pegar uma bola e não conseguiu.
– Porra, Ramon – disse um torcedor do nosso lado.
– RAPAZ, ENTENDA: RAMON TÁ VELHOOOOO, TÁ VELHOOOOOOO – gritava meu amigo, enfurecido com o meio-campo rubro-negro.
Não gosto de torcedor reclamão e me despedi dele, finalmente me posicionando atrás do gol. O jovem que pediu pra eu filmar ele no primeiro tempo também estava lá assim como o torcedor que não parava de xingar Harlei. Ambos também deram a volta. E assim que eu cheguei, aos 23 do segundo tempo, Egídio cruzou, Walace cabeçeou, Harlei defendeu, mas deixou a sobra pra Ramon apenas cutucar pra dentro. Gostaria de ter visto a cara de meu amigo reclamão. Ramon começa com RA de Raça. Raça rubro-negra, minha porra. Um a zero Vitória.
Logo depois, aos 29, uma bela jogada entre Egídio, Ramon e Júnior fez o Vitória ampliar o placar. Depois eu vi o gol pelas câmeras da TV, mas nenhuma filmou de um angulo melhor que o meu. Nela dá pra ver claramente a calma e frieza do atacante rubro-negro ao escolher o canto e acerta-lo, impossibilitando a defesa de Harlei, que esperava uma bomba no meio. Golaço de Júnior. Gol de craque. Dois a zero Vitória.
Ainda comemorando, a PM chegou pra atrapalhar meu baba e dos torcedores do alambrado, nos obrigando a sair de lá bem na hora de uma falta pro Vitória bater. Enquanto a barreira era montada fui indo pro lado, subindo alguns degraus, procurando um angulo bom. Ainda na procura, parei pra filmar a cobrança de falta. Golaço de Bida. Meu angulo não foi dos melhores, mas o angulo onde Bida colocou a bola foi. Lembrei da frase do torcedor do alambrado sobre Harlei que se a bola fosse na gaveta que ele não pegava nem com a porra.
Logo após o gol, a bateria da filmadora acabou e Bida foi substituído sendo ovacionado pela torcida que o ama e o odeia ao mesmo tempo.
Aos 40 minutos do segundo tempo subi para me reencontrar com meus amigos. Me arrependi.
– Vamos nessa – disseram eles, com medo do engarrafamento.
Viadagem da porra isso de sair antes do fim.
Chegando perto do carro, atravessando o lamaçal por causa da chuva que castigou Salvador no dia anterior, resolvi ligar a câmera de novo, tentando conseguir um resquício de bateria que sempre rola depois que ela descansa. Foi bem na hora do quarto gol do Vitória. Um angulo bem diferente. Assista aqui, no vídeo exclusivo. Quatro a zero Vitória.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Vitória X Corinthians AL (Ah, lagoas)
Com um recém-nascido em casa, tá cada vez mais difícil conseguir ir aos jogos do Vitória. Um desses jogos que não pude ver foi Arilson X Vitória, quando o Bahia conseguiu vencer o rubro-negro por 2 x 1. Agora a partida era mais importante, pois era pela Copa do Brasil, contra o Corinthians de Alagoas, time desconhecido, mas que nos venceu no jogo de ida pelo placar de 3 x 1. Esse jogo foi na mesma semana do jogo contra Arilson, nos fazendo perder consecutivamente pra dois times pequenos. Agora era o jogo de volta, era a reabertura do Barradão e o Vitória tinha de vencer com dois gols de diferença e não tomar nenhum.
Arrisquei um esquema tático pra poder ser liberado e ir ao Barradão:
– Meu amor, eu tenho dois compromissos sociais essa semana – disse eu, pra minha esposa, preparando o terreno.
– Quais compromissos? – perguntou ela, impaciente, com Mateus no colo.
– Um você pode ir, o outro, não.
– Quais compromissos? Diga logo... – disse ela, mais impaciente ainda.
– Sexta-feira vai ter o lançamento do disco de Messias no MAM.
– Esse é o que eu não posso ir?
– Aí é que tá: esse é o que você pode ir – disse eu, com ênfase no “pode”.
– E qual é o que eu não posso ir?
– Amanhã tem jogo do Vitória no Barradão...
Com menosprezo, ela disse:
– Oxe, pode ir...
Sem renovar o Sou Mais Otário, deixei pra comprar o ingresso na hora. Muita fila e muito cambista. Dois reais a mais até que era um preço justo pra não pegar a fila da incompetência da diretoria do clube no que diz respeito ao tratamento dispensado ao seu torcedor.
Dentro do estádio, a TUI, indo em direção à arquibancada, passou por mim gritando “ei, Recó, vá tomar no c...”. Num primeiro momento, muito ingênuo de minha parte, achei que “Recó” era o apelido do time alagoano e me surpreendi com o fato da torcida do Vitória gastar sua saliva pra um time que nem torcida presente tinha ali. Porém, logo em seguida, fui informado que “Recó” era na verdade “Record”, o canal de televisão que cobre o futebol baiano com apresentadores e comentaristas de nível mas baixo que o time do Bahia. Da mesma forma, continuei achando desnecessário gastar saliva com tão insignificante emissora.
O jogo começou. Com o estádio lotado, a torcida do Vitória estava mais nervosa que os jogadores. Queria o gol logo. Com um minuto de jogo, ela já exigia pressa numa simples cobrança de lateral. Um torcedor mirim ao meu lado, faixa dos 12 anos, ganhou o troféu Charles Muller de ansiedade.
– Vai, Wallace, bate logo o lateral.
– Vai ,Viafara, porra, bate logo o tiro de meta.
– Vai, Nino Paraíba, cruza logo essa bola.
Ele era o reflexo de toda a torcida. Fiquei um pouco irritado com essa cobrança com menos de 10 minutos de jogo que gritei pro estádio, mas nitidamente para ele:
– Calma, caralho, assim o time fica nervoso... Tem tempo ainda...
Ele percebeu a indireta e se calou. Mas esse silencio só durou uns cinco minutos, pois logo voltou a exigir, nervosamente, rapidez nas execuções, principalmente após alguns contra-ataques do time alagoano, que graças a Viáfara não resultaram em gol.
Como ali não tinha uma alma sequer torcedora do Corinthians, imaginei o silencio ensurdecedor que seria um gol deles ali.
Ramon, que estava (está) mal, mas que não merece ser crucificado pela torcida, sentiu dores e foi substituído pelo recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, que deu outro ritmo ao jogo e já chegou cabeceando rente a trave, após um cruzamento de Nino Paraíba.
E o zero a zero permaneceu até os 40 minutos do primeiro tempo, quando a bola sobrou pra Junior, centro-avante que, mesmo caindo, conseguiu chutar cruzado, no canto do gol. Um a zero, Vitória. Faltava fazer mais um. Fim do primeiro tempo.
Fui com um amigo buscar um acarajé, mas descobrimos mais uma pegadinha da diretoria do Vitória: agora quem manda no rango ali é a merda do Habib’s, que tirou todos os ambulantes e fez uma fila maior que a da compra de ingressos. Sugiro que a torcida do Vitória incorpore o grito “ei, Habib’s, vá tomar no c...” ao seu repertório.
O segundo tempo começou e o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, de novo, colocou a bola rente a trave, mas dessa vez num chute, e, de novo, após cruzamento de Nino.
Logo depois, na jogada seguinte, de novo após cruzamento do paraibano (que estava impecável), o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato cabeceou, mas, dessa vez, pra dentro do gol. Dois a zero, Vitória. Faltava segurar o placar.
O time alagoano sentiu a pressão e ficou entregue no jogo. Logo em seguida, Uélington, meio sem jeito, chutou do meio da área, numa bola que parece ter sido levantada a esmo e marcou o terceiro gol rubro-negro. Mas o melhor ainda estava por vir: falta na entrada da área em cima de Junior e lá vem Viáfara pra bater.
– Que porra, ainda falta muito tempo, isso não é hora pra brincadeira. Se esse time de Alagoas faz um gol, pode complicar tudo, porque aí vai ser disputa de pênalti... –reclamava um torcedor do meu lado, não concordando com o fato do goleiro rubro-negro ir bater a falta.
Enquanto esperava a confusão por causa da expulsão do jogador que cometeu a tal falta terminar, Viáfara ficou na entrada da área, batendo pontinho, fazendo embaixadinhas... Se o fato de eu não filmar o ataque adversário é injusto com nosso goleiro, já que assim não registro suas defesas milagrosas, finalmente pude me redimir, pelo menos parcialmente, com ele. Golaço.
O torcedor que não queria Viáfara pra bater a falta, gritava:
– Viáfara, minha porra... É o novo Ramon...
Quatro a zero.
Veja aqui esse gol e o vídeo dessa partida.
Arrisquei um esquema tático pra poder ser liberado e ir ao Barradão:
– Meu amor, eu tenho dois compromissos sociais essa semana – disse eu, pra minha esposa, preparando o terreno.
– Quais compromissos? – perguntou ela, impaciente, com Mateus no colo.
– Um você pode ir, o outro, não.
– Quais compromissos? Diga logo... – disse ela, mais impaciente ainda.
– Sexta-feira vai ter o lançamento do disco de Messias no MAM.
– Esse é o que eu não posso ir?
– Aí é que tá: esse é o que você pode ir – disse eu, com ênfase no “pode”.
– E qual é o que eu não posso ir?
– Amanhã tem jogo do Vitória no Barradão...
Com menosprezo, ela disse:
– Oxe, pode ir...
Sem renovar o Sou Mais Otário, deixei pra comprar o ingresso na hora. Muita fila e muito cambista. Dois reais a mais até que era um preço justo pra não pegar a fila da incompetência da diretoria do clube no que diz respeito ao tratamento dispensado ao seu torcedor.
Dentro do estádio, a TUI, indo em direção à arquibancada, passou por mim gritando “ei, Recó, vá tomar no c...”. Num primeiro momento, muito ingênuo de minha parte, achei que “Recó” era o apelido do time alagoano e me surpreendi com o fato da torcida do Vitória gastar sua saliva pra um time que nem torcida presente tinha ali. Porém, logo em seguida, fui informado que “Recó” era na verdade “Record”, o canal de televisão que cobre o futebol baiano com apresentadores e comentaristas de nível mas baixo que o time do Bahia. Da mesma forma, continuei achando desnecessário gastar saliva com tão insignificante emissora.
O jogo começou. Com o estádio lotado, a torcida do Vitória estava mais nervosa que os jogadores. Queria o gol logo. Com um minuto de jogo, ela já exigia pressa numa simples cobrança de lateral. Um torcedor mirim ao meu lado, faixa dos 12 anos, ganhou o troféu Charles Muller de ansiedade.
– Vai, Wallace, bate logo o lateral.
– Vai ,Viafara, porra, bate logo o tiro de meta.
– Vai, Nino Paraíba, cruza logo essa bola.
Ele era o reflexo de toda a torcida. Fiquei um pouco irritado com essa cobrança com menos de 10 minutos de jogo que gritei pro estádio, mas nitidamente para ele:
– Calma, caralho, assim o time fica nervoso... Tem tempo ainda...
Ele percebeu a indireta e se calou. Mas esse silencio só durou uns cinco minutos, pois logo voltou a exigir, nervosamente, rapidez nas execuções, principalmente após alguns contra-ataques do time alagoano, que graças a Viáfara não resultaram em gol.
Como ali não tinha uma alma sequer torcedora do Corinthians, imaginei o silencio ensurdecedor que seria um gol deles ali.
Ramon, que estava (está) mal, mas que não merece ser crucificado pela torcida, sentiu dores e foi substituído pelo recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, que deu outro ritmo ao jogo e já chegou cabeceando rente a trave, após um cruzamento de Nino Paraíba.
E o zero a zero permaneceu até os 40 minutos do primeiro tempo, quando a bola sobrou pra Junior, centro-avante que, mesmo caindo, conseguiu chutar cruzado, no canto do gol. Um a zero, Vitória. Faltava fazer mais um. Fim do primeiro tempo.
Fui com um amigo buscar um acarajé, mas descobrimos mais uma pegadinha da diretoria do Vitória: agora quem manda no rango ali é a merda do Habib’s, que tirou todos os ambulantes e fez uma fila maior que a da compra de ingressos. Sugiro que a torcida do Vitória incorpore o grito “ei, Habib’s, vá tomar no c...” ao seu repertório.
O segundo tempo começou e o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato, de novo, colocou a bola rente a trave, mas dessa vez num chute, e, de novo, após cruzamento de Nino.
Logo depois, na jogada seguinte, de novo após cruzamento do paraibano (que estava impecável), o recém-contratado-cara-de-maconheiro Renato cabeceou, mas, dessa vez, pra dentro do gol. Dois a zero, Vitória. Faltava segurar o placar.
O time alagoano sentiu a pressão e ficou entregue no jogo. Logo em seguida, Uélington, meio sem jeito, chutou do meio da área, numa bola que parece ter sido levantada a esmo e marcou o terceiro gol rubro-negro. Mas o melhor ainda estava por vir: falta na entrada da área em cima de Junior e lá vem Viáfara pra bater.
– Que porra, ainda falta muito tempo, isso não é hora pra brincadeira. Se esse time de Alagoas faz um gol, pode complicar tudo, porque aí vai ser disputa de pênalti... –reclamava um torcedor do meu lado, não concordando com o fato do goleiro rubro-negro ir bater a falta.
Enquanto esperava a confusão por causa da expulsão do jogador que cometeu a tal falta terminar, Viáfara ficou na entrada da área, batendo pontinho, fazendo embaixadinhas... Se o fato de eu não filmar o ataque adversário é injusto com nosso goleiro, já que assim não registro suas defesas milagrosas, finalmente pude me redimir, pelo menos parcialmente, com ele. Golaço.
O torcedor que não queria Viáfara pra bater a falta, gritava:
– Viáfara, minha porra... É o novo Ramon...
Quatro a zero.
Veja aqui esse gol e o vídeo dessa partida.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Ba X Vi II (rebolation in Pituacivis)
Meu filho nasceu no Natal e recebeu do avô o uniforme completo do Vitória.
– Vou dar uma camisa do Bahia pra ele – disseram alguns amigos tricolores ao visitá-lo na maternidade, inclusive o padrinho.
– Pode dar, vai servir pra limpar o cocô – respondia a eles.
Era o primeiro Ba x Vi do ano. O último confronto tinha sido há muito tempo, já que o Bahia não disputa o Brasileirão e foi na final do CampeoNeto Baiano de 2009, no Barradão. Um empate (2 X 2) com sabor de triunfo, pois consagrou o Vitória tri-campeão baiano.
Agora era a terceira rodada do (de novo) Campeonato Baiano. Nos dois primeiros jogos desse campeonato, o Bahia fez oito gols, vencendo as duas partidas. O Vitória fez dois e tomou dois, ganhando um jogo e perdendo o outro. Eles diziam que iam brocar o Vitória.
Eu não ia para o jogo. Era véspera do aniversário de um mês do meu filho e, além disso, eu não estava interessado em pegar fila pra comprar ingresso.
– Bora, man, é um Ba x Vi, o jogo mais emocionante do mundo – disse um amigo meu, tentando me convencer.
– Eu sei, mas não renovei o Sou Mais Vitória e não comprei ingresso – respondi.
No sábado, um dia antes do confronto, parei na farmácia pra comprar fralda e ao puxar o cartão de crédito, a carteira do Sou Mais Vitória caiu no chão. Ao pega-la, bati o olho na validade. Fevereiro de 2010. Era o primeiro Ba X Vi com meu filho nesse mundo. Tinha de ir.
Fui com dois amigos. Chegamos na proximidade do estádio uma hora antes e mesmo assim paramos o carro lá na casa da porra. No Barradão é muito mais fácil. Dez reais o preço do estacionamento. No Barradão é muito mais barato. Diversos motoristas chiavam. Resignados, pagamos o dinheiro e fomos em direção ao estádio. Um torcedor do Bahia colou na gente e começou a tagarelar:
– Rapaz, essas porra é melhor pagar logo. Num já sabe que se não pagar eles arranham o carro?
– É foda – dissemos juntos, quase ao mesmo tempo.
Ele continuou:
– Eu sei que ele não vai tomar conta do carro, mas se não pagar é pior...
– É foda – repetimos.
– Eu mesmo não gosto de dizer que sou policial, mas um dia eu perguntei ao guardador se ele ia olhar meu carro e ele disse que sim e eu então algemei ele na porta e falei “agora eu sei que você vai tomar conta” – disse o policial tricolor, que gosta de de dizer que é policial, dando risada da sua façanha.
– Hehehe... – rimos forçado, ao mesmo tempo.
Depois ele fez um discurso enaltecendo a tranqüilidade do futebol baiano, onde rubro-negros e tricolores chegam juntos ao estádio. Não sabia ele que a madeira ainda ia gemer (ou já tava gemendo), entre retardados tricolores e imbecis rubro-negros... Continuamos andando e após um tempo sem conversa, ele disse:
– E meu Bahia hoje vai brocar.
Nessa hora ficamos em silencio, respeitando o sonho do Bruce Willis nagô.
Passamos a andar um pouco afastado e meu amigo comentou:
– Será que vou conseguir ingresso?
O torcedor policial ouviu e respondeu:
– Vendi o de meu filho por oitenta conto.
¬– Oitenta? – perguntamos, espantados.
– Ô... O cara perguntou quanto era, eu disse oitenta pra ver se colava, ele comeu a pilha e vendi...
Continuamos em silencio e apos alguns passos, eu perguntei:
– Seu filho tem quantos anos?
– Catorze – respondeu ele.
PUTAQUEPARIU. Que marca de torcedor é essa? O cara vendeu a emoção do filho por oitenta reais! Realmente a torcida do Bahia está se acabando. De frente pro estádio, isso se comprovou. O número de rubro-negros era esmagador. Paramos para atravessar a rua. Era hora de nos separar.
– Qualquer coisa, é só falar, meu nome é Hélio, mas sou conhecido na corporação por Andrade.
Apertei sua mão e fui embora. Enquanto atravessava a larga avenida, lembrei mais uma vez da venda do ingresso do filho. Olhei pra trás e lá estava Andrade andando sozinho. Gritei pra ele:
– Andrade?
Ele gritou de volta:
– Oi.
– Quem vai brocar é o Vitória.
O primeiro tempo só não foi mais chato que torcedor do Bahia bêbado por causa de Viáfara. Foi a sua única participação no jogo. Numa bola recuada pra ele, o atacante (ou algo semelhante) do Bahia foi correndo para fazer pressão em cima e o goleiro rubro-negro deu o velho drible de baba de fim de semana: fingiu que ia dar um chutão, o tricolor acreditou e uepaaaaa, levou um olé, passando batido pela linha de fundo. Depois disso, Viáfara assistiu ao clássico de camarote. Era seu direito.
Com o gramado parecendo o solo lunar, ficava difícil a bola rolar. Aliás, o estádio de Pituaçu todo é ruim, o que talvez explique o fato dos tricolores gostarem dele, já que há muito tempo eles estão acostumados com merda. As cadeiras são coladas umas nas outras, nos quatro lados. É todo mundo espremido. Pra andar tem de pisar nos acentos. No Barradão é bem melhor, pois o cara da frente fica quase a um metro de distancia de você. Lá, talvez por essa dificuldade de locomoção, raramente passa um ambulante. Fiquei o primeiro tempo com sede. Quando achei um que vendia água, o cara se fudeu todo pra chegar onde eu estava.
– Esse estádio é uma merda, né não? – disse pra ele, quando se aproximou.
– Porra, o Barradao é bem melhor – respondeu ele.
Acabou em zero a zero, com o Vitória, apesar de ruim, superior.
Antes do segundo tempo começar, Pituaçu mostrou mais de sua força. Caixas de som espalhadas por diversos postes do estádio foram ligadas. O som estridente e mal equalizado ecoava pelos quatro cantos a música “Rebolation” do grupo de pagode Parangolé. No Barradão é bem melhor. Não tem caixas de som.
O segundo tempo começou e com ele a velha e boa superioridade rubro-negra. Logo aos cinco minutos, o atacante Scwhenck, carinhosamente apelidado de Shrek pela torcida, só fez empurrar a bola pra dentro depois de um bate rebate na pequena área. Ramon bateu o escanteio, Wallace cabeceou magistralmente, a bola entrou, o juiz não marcou, o goleiro do Bahia se embananou todo, a bola sobrou pra Shrek que explodiu as redes de Pituaçu. Um a zero. A-ha, u-hu, Pituaçu (também) é nosso.
Depois do jogo o arbitro registrou o gol pra Wallace, porém, duvido que se Shrek não tivesse bicado pra dentro ele teria dado o gol. Pra mim, gol dele.
Os tricolores, que já estavam murchos antes do gol, se encolheram e ficaram caladinhos. O time deles, que estava murcho antes do gol, tentou crescer, mas batia de frente com a inoperância do seu elenco.
E o Vitória administrou o jogo com Nino Paraíba correndo pela lateral feito um doido o que me fez gritar “vai, Apodi”. Apesar do paraibano estar se saindo bem, sinto saudades do maluco beleza.
Índio, o cara que fez quatro gols num Ba X Vi, o que confirma o que Renato Gaúcho disse, que aqui a terra é dele, tentou fazer o seu, mas não conseguiu. Porém, deu o passe para o cara que a imprensa chamava (pelo terceiro ano consecutivo) de velho e acabado. Prestes a fazer 38 anos, depois de jogar os 90 minutos, aos 46 do segundo tempo, Ramon mandou a bola pra dentro, fazendo a torcida do Bahia sumir de vez. Dois a zero.
Fora do estádio, a torcida do Vitória só comemorava enquanto a do Bahia assistia. Até que enfim alguma coisa parecida com o Barradão.
Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.
– Vou dar uma camisa do Bahia pra ele – disseram alguns amigos tricolores ao visitá-lo na maternidade, inclusive o padrinho.
– Pode dar, vai servir pra limpar o cocô – respondia a eles.
Era o primeiro Ba x Vi do ano. O último confronto tinha sido há muito tempo, já que o Bahia não disputa o Brasileirão e foi na final do CampeoNeto Baiano de 2009, no Barradão. Um empate (2 X 2) com sabor de triunfo, pois consagrou o Vitória tri-campeão baiano.
Agora era a terceira rodada do (de novo) Campeonato Baiano. Nos dois primeiros jogos desse campeonato, o Bahia fez oito gols, vencendo as duas partidas. O Vitória fez dois e tomou dois, ganhando um jogo e perdendo o outro. Eles diziam que iam brocar o Vitória.
Eu não ia para o jogo. Era véspera do aniversário de um mês do meu filho e, além disso, eu não estava interessado em pegar fila pra comprar ingresso.
– Bora, man, é um Ba x Vi, o jogo mais emocionante do mundo – disse um amigo meu, tentando me convencer.
– Eu sei, mas não renovei o Sou Mais Vitória e não comprei ingresso – respondi.
No sábado, um dia antes do confronto, parei na farmácia pra comprar fralda e ao puxar o cartão de crédito, a carteira do Sou Mais Vitória caiu no chão. Ao pega-la, bati o olho na validade. Fevereiro de 2010. Era o primeiro Ba X Vi com meu filho nesse mundo. Tinha de ir.
Fui com dois amigos. Chegamos na proximidade do estádio uma hora antes e mesmo assim paramos o carro lá na casa da porra. No Barradão é muito mais fácil. Dez reais o preço do estacionamento. No Barradão é muito mais barato. Diversos motoristas chiavam. Resignados, pagamos o dinheiro e fomos em direção ao estádio. Um torcedor do Bahia colou na gente e começou a tagarelar:
– Rapaz, essas porra é melhor pagar logo. Num já sabe que se não pagar eles arranham o carro?
– É foda – dissemos juntos, quase ao mesmo tempo.
Ele continuou:
– Eu sei que ele não vai tomar conta do carro, mas se não pagar é pior...
– É foda – repetimos.
– Eu mesmo não gosto de dizer que sou policial, mas um dia eu perguntei ao guardador se ele ia olhar meu carro e ele disse que sim e eu então algemei ele na porta e falei “agora eu sei que você vai tomar conta” – disse o policial tricolor, que gosta de de dizer que é policial, dando risada da sua façanha.
– Hehehe... – rimos forçado, ao mesmo tempo.
Depois ele fez um discurso enaltecendo a tranqüilidade do futebol baiano, onde rubro-negros e tricolores chegam juntos ao estádio. Não sabia ele que a madeira ainda ia gemer (ou já tava gemendo), entre retardados tricolores e imbecis rubro-negros... Continuamos andando e após um tempo sem conversa, ele disse:
– E meu Bahia hoje vai brocar.
Nessa hora ficamos em silencio, respeitando o sonho do Bruce Willis nagô.
Passamos a andar um pouco afastado e meu amigo comentou:
– Será que vou conseguir ingresso?
O torcedor policial ouviu e respondeu:
– Vendi o de meu filho por oitenta conto.
¬– Oitenta? – perguntamos, espantados.
– Ô... O cara perguntou quanto era, eu disse oitenta pra ver se colava, ele comeu a pilha e vendi...
Continuamos em silencio e apos alguns passos, eu perguntei:
– Seu filho tem quantos anos?
– Catorze – respondeu ele.
PUTAQUEPARIU. Que marca de torcedor é essa? O cara vendeu a emoção do filho por oitenta reais! Realmente a torcida do Bahia está se acabando. De frente pro estádio, isso se comprovou. O número de rubro-negros era esmagador. Paramos para atravessar a rua. Era hora de nos separar.
– Qualquer coisa, é só falar, meu nome é Hélio, mas sou conhecido na corporação por Andrade.
Apertei sua mão e fui embora. Enquanto atravessava a larga avenida, lembrei mais uma vez da venda do ingresso do filho. Olhei pra trás e lá estava Andrade andando sozinho. Gritei pra ele:
– Andrade?
Ele gritou de volta:
– Oi.
– Quem vai brocar é o Vitória.
O primeiro tempo só não foi mais chato que torcedor do Bahia bêbado por causa de Viáfara. Foi a sua única participação no jogo. Numa bola recuada pra ele, o atacante (ou algo semelhante) do Bahia foi correndo para fazer pressão em cima e o goleiro rubro-negro deu o velho drible de baba de fim de semana: fingiu que ia dar um chutão, o tricolor acreditou e uepaaaaa, levou um olé, passando batido pela linha de fundo. Depois disso, Viáfara assistiu ao clássico de camarote. Era seu direito.
Com o gramado parecendo o solo lunar, ficava difícil a bola rolar. Aliás, o estádio de Pituaçu todo é ruim, o que talvez explique o fato dos tricolores gostarem dele, já que há muito tempo eles estão acostumados com merda. As cadeiras são coladas umas nas outras, nos quatro lados. É todo mundo espremido. Pra andar tem de pisar nos acentos. No Barradão é bem melhor, pois o cara da frente fica quase a um metro de distancia de você. Lá, talvez por essa dificuldade de locomoção, raramente passa um ambulante. Fiquei o primeiro tempo com sede. Quando achei um que vendia água, o cara se fudeu todo pra chegar onde eu estava.
– Esse estádio é uma merda, né não? – disse pra ele, quando se aproximou.
– Porra, o Barradao é bem melhor – respondeu ele.
Acabou em zero a zero, com o Vitória, apesar de ruim, superior.
Antes do segundo tempo começar, Pituaçu mostrou mais de sua força. Caixas de som espalhadas por diversos postes do estádio foram ligadas. O som estridente e mal equalizado ecoava pelos quatro cantos a música “Rebolation” do grupo de pagode Parangolé. No Barradão é bem melhor. Não tem caixas de som.
O segundo tempo começou e com ele a velha e boa superioridade rubro-negra. Logo aos cinco minutos, o atacante Scwhenck, carinhosamente apelidado de Shrek pela torcida, só fez empurrar a bola pra dentro depois de um bate rebate na pequena área. Ramon bateu o escanteio, Wallace cabeceou magistralmente, a bola entrou, o juiz não marcou, o goleiro do Bahia se embananou todo, a bola sobrou pra Shrek que explodiu as redes de Pituaçu. Um a zero. A-ha, u-hu, Pituaçu (também) é nosso.
Depois do jogo o arbitro registrou o gol pra Wallace, porém, duvido que se Shrek não tivesse bicado pra dentro ele teria dado o gol. Pra mim, gol dele.
Os tricolores, que já estavam murchos antes do gol, se encolheram e ficaram caladinhos. O time deles, que estava murcho antes do gol, tentou crescer, mas batia de frente com a inoperância do seu elenco.
E o Vitória administrou o jogo com Nino Paraíba correndo pela lateral feito um doido o que me fez gritar “vai, Apodi”. Apesar do paraibano estar se saindo bem, sinto saudades do maluco beleza.
Índio, o cara que fez quatro gols num Ba X Vi, o que confirma o que Renato Gaúcho disse, que aqui a terra é dele, tentou fazer o seu, mas não conseguiu. Porém, deu o passe para o cara que a imprensa chamava (pelo terceiro ano consecutivo) de velho e acabado. Prestes a fazer 38 anos, depois de jogar os 90 minutos, aos 46 do segundo tempo, Ramon mandou a bola pra dentro, fazendo a torcida do Bahia sumir de vez. Dois a zero.
Fora do estádio, a torcida do Vitória só comemorava enquanto a do Bahia assistia. Até que enfim alguma coisa parecida com o Barradão.
Veja vídeo exclusivo do jogo aqui.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Vitória X Barueri (o Barradão voltou)
O “vou-não-vou” foi inevitável, mas acabei cedendo ao pensamento de que se eu não fosse o Vitória perderia.
Antes do jogo recebi alguns amigos em casa. Um que é torcedor do Bahia comentou:
– Se o Vitória não ganhar hoje tá lenhado, hein?
Interessante como de uma hora pra outra eles voltaram a falar de futebol, aliviados pela conquista de permanecerem na Série B.
Repliquei dizendo que o contrario também podia acontecer, de o Vitória ganhar e ficar tranqüilo...
– Tá difícil disso acontecer – disse ele, com a urucubaca típica dos rebaixados.
Esse diálogo foi decisivo pra eu ir ao Barradão.
Apesar de eu não ter feito texto nem vídeo do jogo contra o Avaí, eu estava lá.
Como para aquele jogo eu achei que só valia ressaltar duas coisas, preferi ficar quieto. E as duas coisas são:
1) Algumas vezes gosto de captar imagens atrás do gol adversário, colado no alambrado, e muitas vezes a polícia impede. Dessa vez, um torcedor bradou apontando pro chão onde estavam os números dos “assentos” e dizendo:
– Eu paguei o ingresso e aqui é um lugar do estádio que eu posso ficar, sim... Aqui o número, isso aqui é um assento, tá numerado, é pro torcedor ficar... – dizia ele.
Apesar da explicação bastante plausível, não adiantou, o policial que comandava aquele pelotão estava de mau humor e irritadiço.
– Com essa mágoa na cara, o senhor deve ser Bahia – disse o torcedor corajoso.
Um policial subalterno do lado riu disfarçado, de canto de boca. Aquele devia ser Vitória.
2) O acarajé do Barradão. Comi pela primeira vez. Meu pai sempre comia, mas eu sempre recusava. Provei no jogo contra o Avaí e constatei que é um dos melhores acarajés que já comi, apesar da baiana de acarajé assumir pra mim que é torcedora do finado.
Ao contrário do que diziam, a torcida do Vitória compareceu ao estádio. O mantra que se ouvia por todo o estádio era “o Vitória tem que ganhar hoje, o Vitória tem que ganhar hoje...”. O grito de gol estava entalado na garganta do torcedor. Cinco derrotas seguidas, cinco partidas sem fazer um gol sequer. E parecia que levaria mais um. O time começou mal e o Barueri aproveitava os passes errados para contra-atacar com extrema velocidade. Viáfara e Fábio Ferreira fizeram as suas partes. O meio-campo não se entendia assim como os torcedores. Um torcedor bêbado do meu lado reclamava de Ramon e Roger sem parar. Um outro reclamava de Bida, outro de Leandrinho, outro de Berola... Um chegou a pedir Leandrão.
No final do primeiro tempo o time melhorou e o juiz (mais uma vez) não marcou um pênalti pro Vitória. Depois, um gol fez o grito sair da garganta, mas o juiz anulou, dessa vez com razão. Era mais um impedimento do ataque do Vitória. Dessa vez foi o zagueiro Fábio Ferreira, que chegou no Vitória desacreditado mas que tem jogado muito bem. Saiu comemorando com vontade, sem saber que seu gol fora anulado. Merece fazer o dele.
Posteriormente o Vitória colocou uma bola na trave e teve outras inúmeras chances de fazer um, dois ou três gols, bombardeando a defesa adversária, mas não fez. Veja aqui no vídeo exclusivo. Primeiro tempo zero a zero. O grito teria de esperar...
– Segundo tempo é bom que o Vitória ataca pro lado de cá... Esse lado é enladeirado – disse um torcedor.
E logo aos dois minutos, Leandro Domingues aproveitou um cruzamento (dele, Fábio Ferreira) e entre os zagueiros esticou a perna e cutucou a bola pra dentro. O famoso totózinho. Olhei pro juiz primeiro pra confirmar antes de comemorar. Um a zero Vitória. Sai pra lá urucubaca.
– Num falei? Esse lado é enladeirado, o ataque chega rápido.
Logo depois, aos 10 minutos, um lance que tem se tornado raro: um cruzamento bem feito encontrou Roger em uma rara posição regular, que num momento raro de eficiência cabeceou de forma espetacular. No seu caminho para o gol, do meu angulo, achei que a bola ia pra fora, mas foi pra fora do alcance da urucubaca. Golaço de cabeça. Dois a zero Vitória.
– Num falei? Esse lado é enladeirado, ajuda o Vitória que já tá ligado no movimento... – repetia o torcedor.
O jogo permaneceu assim até o final, quando o Vitória tomou aquele “gol-no-finalzinho” nosso de cada jogo. Dois a um. Ainda restavam três minutos de emoção, com uma bola parada cruzada na área rubro-negra, mas aos 48, finalmente, o alívio. Quarenta e sete pontos e a permanência na luta pela vaga da Sulamericana.
Liguei pros amigos tricolores e, como de praxe nesse ano, nenhum atendeu. Os urucubacas estavam putos.
Já que o ano já acabou pra eles, podemos fazer aqui um breve retrospecto: Paulo Carneiro (o rubro-negro do ano) entrou, o Bahia ganhou do Esporte Clube Ipitanga e a torcida disse “agora vai”; ganhou do Camaçari Futebol Clube e eles disseram “agora já foi”; ganharam do Vitória em pleno Barradão e eles disseram “agora já é”. Um amigo meu do trabalho disse, prazeroso:
– O cara da rádio falou que Paulo Carneiro comemorou nos gols do Bahia.
Mas aí o CampeoNeto Baiano continuou, eles foram pra final com o Vitória, perderam o primeiro jogo em casa, empataram o segundo, ficaram sem título pelo oitavo ano consecutivo, começou o Brasileiro, eles começaram a dar o costumeiro vexame e a torcida do Vitória disse: “agora já ia”.
Mas a torcida do Bahia tem algo pra se orgulhar, pois foi considerada a torcida mais otimista do ano pela frase "se o Bahia ganhar os 12 jogos que faltam ele sobe".
Depois do jogo contra o Barueri, de dentro do carro, indo pra casa, avistei um ser com a camisa do Bahia andando pela rua. Ao passar por ele, gritei "segunda divisão" e ele fez "u-hu". Deve ter achado que eu era Bahia e que eu estava comemorando...
Antes do jogo recebi alguns amigos em casa. Um que é torcedor do Bahia comentou:
– Se o Vitória não ganhar hoje tá lenhado, hein?
Interessante como de uma hora pra outra eles voltaram a falar de futebol, aliviados pela conquista de permanecerem na Série B.
Repliquei dizendo que o contrario também podia acontecer, de o Vitória ganhar e ficar tranqüilo...
– Tá difícil disso acontecer – disse ele, com a urucubaca típica dos rebaixados.
Esse diálogo foi decisivo pra eu ir ao Barradão.
Apesar de eu não ter feito texto nem vídeo do jogo contra o Avaí, eu estava lá.
Como para aquele jogo eu achei que só valia ressaltar duas coisas, preferi ficar quieto. E as duas coisas são:
1) Algumas vezes gosto de captar imagens atrás do gol adversário, colado no alambrado, e muitas vezes a polícia impede. Dessa vez, um torcedor bradou apontando pro chão onde estavam os números dos “assentos” e dizendo:
– Eu paguei o ingresso e aqui é um lugar do estádio que eu posso ficar, sim... Aqui o número, isso aqui é um assento, tá numerado, é pro torcedor ficar... – dizia ele.
Apesar da explicação bastante plausível, não adiantou, o policial que comandava aquele pelotão estava de mau humor e irritadiço.
– Com essa mágoa na cara, o senhor deve ser Bahia – disse o torcedor corajoso.
Um policial subalterno do lado riu disfarçado, de canto de boca. Aquele devia ser Vitória.
2) O acarajé do Barradão. Comi pela primeira vez. Meu pai sempre comia, mas eu sempre recusava. Provei no jogo contra o Avaí e constatei que é um dos melhores acarajés que já comi, apesar da baiana de acarajé assumir pra mim que é torcedora do finado.
Ao contrário do que diziam, a torcida do Vitória compareceu ao estádio. O mantra que se ouvia por todo o estádio era “o Vitória tem que ganhar hoje, o Vitória tem que ganhar hoje...”. O grito de gol estava entalado na garganta do torcedor. Cinco derrotas seguidas, cinco partidas sem fazer um gol sequer. E parecia que levaria mais um. O time começou mal e o Barueri aproveitava os passes errados para contra-atacar com extrema velocidade. Viáfara e Fábio Ferreira fizeram as suas partes. O meio-campo não se entendia assim como os torcedores. Um torcedor bêbado do meu lado reclamava de Ramon e Roger sem parar. Um outro reclamava de Bida, outro de Leandrinho, outro de Berola... Um chegou a pedir Leandrão.
No final do primeiro tempo o time melhorou e o juiz (mais uma vez) não marcou um pênalti pro Vitória. Depois, um gol fez o grito sair da garganta, mas o juiz anulou, dessa vez com razão. Era mais um impedimento do ataque do Vitória. Dessa vez foi o zagueiro Fábio Ferreira, que chegou no Vitória desacreditado mas que tem jogado muito bem. Saiu comemorando com vontade, sem saber que seu gol fora anulado. Merece fazer o dele.
Posteriormente o Vitória colocou uma bola na trave e teve outras inúmeras chances de fazer um, dois ou três gols, bombardeando a defesa adversária, mas não fez. Veja aqui no vídeo exclusivo. Primeiro tempo zero a zero. O grito teria de esperar...
– Segundo tempo é bom que o Vitória ataca pro lado de cá... Esse lado é enladeirado – disse um torcedor.
E logo aos dois minutos, Leandro Domingues aproveitou um cruzamento (dele, Fábio Ferreira) e entre os zagueiros esticou a perna e cutucou a bola pra dentro. O famoso totózinho. Olhei pro juiz primeiro pra confirmar antes de comemorar. Um a zero Vitória. Sai pra lá urucubaca.
– Num falei? Esse lado é enladeirado, o ataque chega rápido.
Logo depois, aos 10 minutos, um lance que tem se tornado raro: um cruzamento bem feito encontrou Roger em uma rara posição regular, que num momento raro de eficiência cabeceou de forma espetacular. No seu caminho para o gol, do meu angulo, achei que a bola ia pra fora, mas foi pra fora do alcance da urucubaca. Golaço de cabeça. Dois a zero Vitória.
– Num falei? Esse lado é enladeirado, ajuda o Vitória que já tá ligado no movimento... – repetia o torcedor.
O jogo permaneceu assim até o final, quando o Vitória tomou aquele “gol-no-finalzinho” nosso de cada jogo. Dois a um. Ainda restavam três minutos de emoção, com uma bola parada cruzada na área rubro-negra, mas aos 48, finalmente, o alívio. Quarenta e sete pontos e a permanência na luta pela vaga da Sulamericana.
Liguei pros amigos tricolores e, como de praxe nesse ano, nenhum atendeu. Os urucubacas estavam putos.
Já que o ano já acabou pra eles, podemos fazer aqui um breve retrospecto: Paulo Carneiro (o rubro-negro do ano) entrou, o Bahia ganhou do Esporte Clube Ipitanga e a torcida disse “agora vai”; ganhou do Camaçari Futebol Clube e eles disseram “agora já foi”; ganharam do Vitória em pleno Barradão e eles disseram “agora já é”. Um amigo meu do trabalho disse, prazeroso:
– O cara da rádio falou que Paulo Carneiro comemorou nos gols do Bahia.
Mas aí o CampeoNeto Baiano continuou, eles foram pra final com o Vitória, perderam o primeiro jogo em casa, empataram o segundo, ficaram sem título pelo oitavo ano consecutivo, começou o Brasileiro, eles começaram a dar o costumeiro vexame e a torcida do Vitória disse: “agora já ia”.
Mas a torcida do Bahia tem algo pra se orgulhar, pois foi considerada a torcida mais otimista do ano pela frase "se o Bahia ganhar os 12 jogos que faltam ele sobe".
Depois do jogo contra o Barueri, de dentro do carro, indo pra casa, avistei um ser com a camisa do Bahia andando pela rua. Ao passar por ele, gritei "segunda divisão" e ele fez "u-hu". Deve ter achado que eu era Bahia e que eu estava comemorando...
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